É normal se sentir mal

Às vezes nos culpamos por sentir uma angústia profunda; não nos damos conta de que, em algumas situações, é normal se sentir mal.

Alguma vez você já se perguntou o que há por trás de certas expressões como: “Você fica feia quando chora,” “Homem não chora”, “Anime-se, pare de chorar”? São frases aparentemente inocentes que são prejudiciais, que censuram tanto quanto macabros instrumentos de tortura.

De alguma maneira, elas estão nos dizendo que há algo muito errado com a forma como nos sentimos, que não deveríamos nos sentir assim. Que não deveríamos sentir tristeza depois de uma perda, irritação e raiva depois de uma traição. Mas será? Será que realmente não deveríamos nos sentir assim?

Reconhecer todas as nossas emoções aumenta os degraus do nosso autoconhecimento.

Mulher triste em dia chuvoso

Por que é normal se sentir mal?

Todos passamos por momentos bons e por momentos ruins. Isso faz parte da nossa natureza; a alternância é consequência do dinamismo das circunstâncias pelas quais passamos. A princípio, não há nada de errado na oscilação de humor, diferentemente do que determinadas culturas podem indicar.

Assim, em muitas ocasiões podemos nos sentir mal, não apenas por uma perda ou traição, mas também pela impotência de não conseguir sair rapidamente daquele estado de humor. É aí que direcionamos toda a nossa ira a nós mesmos, aprofundando a ferida, tornando o corte ainda mais doloroso.

Na verdade, é normal se sentir mal quando:

  • Queremos expressar o que sentimos e não conseguimos.
  • Alguém quer comunicar o que sente e não consegue.
  • Acontece algo desagradável conosco.
  • Acontece algo com alguém próximo de nós.
  • Nos sentimos desmotivados.

Estes são apenas alguns exemplos. Na realidade, o importante das emoções é aceitá-las e ouvi-las. Quando as entendemos como mensageiras e não como as causadoras das más notícias, tudo flui melhor.

Muito além do sofrimento

Quando mudamos de perspectiva e vemos que se sentir mal é uma grande janela para o aprendizado, a intensidade do sofrimento diminui. Isso não quer dizer que, automaticamente, passamos a nos sentir bem. No entanto, nos afastamos do sofrimento. Lembremos que o sofrimento pode ser, pelo menos em uma boa parte, opcional.

Então, podemos aproveitar a oportunidade para fazer da resiliência uma das nossas maiores virtudes. Ou seja, podemos nos sobrepor ao mal-estar, encontrando um sentido para ele em nossas vidas e aprendendo com cada experiência.

Mulher observando paisagem com balão voando

O que fazer ao se sentir mal?

Há diversas opções. Podemos começar fazendo uma viagem para as profundezas do nosso ser. O autoconhecimento é uma chave poderosa que nos permite saber como somos e para onde queremos ir.

Outra alternativa é identificar como estamos emocionalmente, e depois de fazer isso, começar a definir metas para sermos mais assertivos na escolha das nossas estratégias de enfrentamento.

Por exemplo, se você sabe que fica irritado diante de um erro, já pode começar a trabalhar nisso: você pode expressar esta irritação de uma forma mais controlada, e também pode fazer com que ela não alcance níveis muito altos.

Você também pode pedir ajuda. Um profissional, como um psicólogo ou psiquiatra, pode ser um grande apoio. Todos podemos precisar de um suporte, e estes profissionais não servem apenas para quando estamos mal, mas também nos guiam para potencializarmos o melhor de nós mesmos.

Outra opção é fazer atividades que ajudem a levantar o seu humor. Alguns exemplos são a prática de exercícios físicos, pintar, dançar, sair com os amigos, etc.

O importante é encontrar um sentido para a trajetória que desenhamos no tempo. Assim, começaremos a nos despedir do sofrimento. É disso que fala Viktor Frankl em seu livro O Homem em Busca de Sentido, um relato estremecedor e maravilhoso da sua experiência de vida.

Em suma, não há problema em se sentir mal quando estamos nesse ponto juntamente com a aceitação emocional. Quando deixamos um espaço para que as emoções possam pegar ar e para que elas possam nos comunicar a sua mensagem. Depois, elas não terão mais nada a dizer, mas nos deixarão a sua energia para a reflexão e a ação antes de partirem.

Quanto tempo dura a paixão?

Muitos se perguntam quanto tempo dura a paixão, um estado emocional caracterizado pela sensação de alegria, plenitude e satisfação que é precedido pela atração por outra pessoa. Esta etapa nos leva a um estado alterado de consciência, influenciando o nosso organismo até o ponto de favorecer decisões erradas.

A atração sexual seria a fase prévia à paixão. Este desejo pelo outro é determinado, entre outros fatores, pela ativação de certas áreas cerebrais diante de substâncias que o outro emite, os feromônios, ou pelas alterações biológicas em si mesmo.

Casal apaixonado

Atração sexual

O nosso corpo secreta diversas substâncias quando estamos diante de um estímulo que nos atrai (uma pessoa, ou a ideia de tê-la conosco). Assim, ocorre um aumento da testosterona ou do estrogênio, aumentando o desejo. Esse desejo, por sua vez, leva a um aumento da adrenalina, glicose e feniletilamina.

Estes neurotransmissores fazem com que, quando sentimos atração sexual, o nosso organismo se ative, aumentando a frequência cardíaca, a sudorese, preparando nossos órgãos para uma resposta sexual e para sentir prazer.

Segundo alguns autores, esta sensação de desejo incontrolável pelo outro pode durar alguns anos. É por volta dessa época que é observada uma redução dos hormônios do desejo. No entanto, esta queda ocorre juntamente com o aumento de outro hormônio, conhecido como o do amor, a oxitocina.

A paixão

A paixão nos leva a sentir tremores, causa palidez ou rubor, sentimentos de incômodo, gagueira e perda do controle das emoções. Mas, por que isso ocorre?

Inúmeros estudos indicam que a paixão é, a priori, como um vício, que inclui síndrome de abstinência e até tolerância.

Neurobiologia

Quando sentimos desejo por alguém, o sistema nervoso ativa o sistema endócrino para prepará-lo para o sexo. No entanto, a ausência da pessoa e a impossibilidade de satisfazer os desejos leva à inibição dos mesmos.

As regiões pré-frontais inibem o impulso e, diante do aumento de feniletilamina, vasopressina e outros hormônios, ocorre uma produção de altas quantidades de dopamina, até secretar endorfina.

Tudo isso causa um desequilíbrio em diferentes sistemas, como o dopaminérgico. Esta impossibilidade de consumar o desejo leva a uma queda da serotonina, que provoca falta de interesse em atividades, insônia, redução do apetite, da concentração…

Por outro lado, o aumento da acetilcolina leva a pensamentos obsessivos e recorrentes sobre a pessoa desejada. Falamos de comportamentos compulsivos, como olhar sua foto de maneira constante ou verificar se ela enviou uma mensagem.

Oxitocina

A oxitocina é um hormônio secretado pelo cérebro, mais especificamente no hipotálamo. Embora homens e mulheres produzam oxitocina, sua produção é maior em mulheres, e seus níveis aumentam durante o orgasmo, o parto e a amamentação.

Tanto em humanos quanto em outros animas, esta substância está relacionada com o cuidado. Assim, quanto mais oxitocina, maior a tendência à proteção.

É aí que, além da atração, surge um componente de ternura e cuidados. Aparece uma necessidade de passar muito tempo junto, de velar pelo outro e de se sentir correspondido, de maneira que ambos se sintam muito bem com a simples presença do outro.

Casal de mãos dadas no campo

Quanto tempo dura a paixão?

Levando em conta todos os processos subjacentes, é possível estimar quanto tempo dura a paixão. Calcula-se que ela tenha uma duração breve, que vai desde algumas semanas até um ano. 

Curiosamente, parece haver uma relação entre a idade dos apaixonados e o tempo de duração da paixão: quanto mais jovens, menos tempo dura a paixão, mas mais intensa ela é.

Apesar disso, a paixão pode se estender. Levando em conta que ela é composta pelo desejo sexual e o afeto positivo, estes aspectos podem e devem ser mantidos vivos durante todo o tempo possível.

Passar para uma fase de amor mais estabelecido não significa que o nosso organismo não possa continuar reagindo e nos proporcionando todos aqueles afrodisíacos que sentimos no começo.

A paixão é uma combinação entre a atração sexual e o desequilíbrio do organismo, que vai dando lugar a um vínculo mais íntimo conforme o contato aumenta. Um começa a conhecer o outro melhor e questiona se quer ou não continuar o relacionamento

A atração sexual se soma ao apego para dar como resultado a paixão. No entanto, é depois desta etapa que a possibilidade de ir além começa a ser analisada. Segundo os especialistas, se o casal chegar a esse ponto e considerar que o outro tem valores e uma personalidade parecida com a sua, surge o vínculo amoroso.

Biografia de Santiago Ramón y Cajal, o pai da neurociência

Hoje falaremos sobre a biografia de Santiago Ramón y Cajal, um dos cientistas mais importantes da história, comparado a Galileu, Einstein e muitos outros. Essas são as palavras com as quais Eduardo Punset o descreve. E ele está certo.

Este histologista espanhol lançou as bases mais importantes da neurociência moderna. Além disso, expôs conceitos totalmente contrários ao modo de pensar que dominava a ciência na época. Mais tarde, foi comprovado que ele estava certo.

Ele descobriu a individualidade dos neurônios, lançou as bases do que hoje conhecemos como neuroplasticidade e nos apresentou as células da glia. Ramón y Cajal sempre foi um rebelde, no bom sentido da palavra, que não teve escrúpulos em contradizer o pensamento estabelecido.

No entanto, era uma mente brilhante, com um extraordinário senso de curiosidade, metódica e incansável, qualidades que o tornaram o primeiro Prêmio Nobel de Medicina da Espanha.

Os primeiros anos da biografia de Santiago Ramón y Cajal

Ele nasceu em Petilla de Aragón em 1852. Seu pai era um médico de província que queria incutir no seu filho o amor pela medicina. No entanto, Santiago Ramón y Cajal era uma criança inquieta, com mais paixão por fazer descobertas no mundo real do que nos livros.

As suas duas grandes paixões eram a natureza e a pintura. Então, a sua família decidiu mandá-lo para um internato para forçá-lo a estudar, mas não deu certo.

Ainda adolescente, o seu pai resolveu lhe dar uma lição e o colocou para trabalhar como aprendiz de barbeiro e depois de sapateiro. Dizem que ele adquiriu uma grande habilidade nesse ofício. No entanto, essa criança, por sua natureza, teria sido boa em qualquer campo ao qual se dedicasse.

Finalmente, ele decidiu estudar medicina na Universidade de Zaragoza, onde seu pai trabalhava como professor de dissecção anatômica. As aulas com o pai permitiram que ele desenvolvesse as suas habilidades como desenhista, que ele aplicava aos desenhos do corpo humano.

Após o curso de medicina, ele foi convocado e enviado para a guerra em Cuba, onde passou alguns meses em condições muito precárias até adoecer. Ao voltar de Cuba, fez doutorado em medicina pela Universidade Complutense de Madri e conseguiu um cargo de assistente interino de anatomia na Faculdade de Medicina de Zaragoza.

Na mesma época, um de seus professores já o treinava em técnicas de observação microscópica.

Santiago Ramón y Cajal

Sua carreira

A sua descoberta do microscópio lhe permitiu desenvolver outra de suas paixões, e dizem que ele se tornou quase uma extensão do seu próprio corpo. Ele se casou e teve sete filhos, embora dois tenham morrido durante a infância.

Depois de alcançar várias posições importantes nas Universidades de Zaragoza e mais tarde em Valencia, ele finalmente se mudou com a sua família por um tempo para a Universidade de Barcelona em 1887, ocupando a cadeira de histologia e, em 1892, a de anatomia patológica em Madri.

Uma de suas filhas contraiu meningite e parece que esse fato o afetou profundamente. Por isso, se refugiou nas pesquisas e em seu laboratório dia e noite. No mesmo dia em que sua filha morreu, Ramón y Cajal chegou a uma de suas descobertas mais importantes. Ele se lembraria ao longo de toda a sua vida da intensidade de sentimentos conflitantes que viveu naquele momento.

Além disso, criou os seus próprios métodos de coloração de amostras para o estudo das conexões das células nervosas. Foi graças a essa metodologia que ele conseguiu demonstrar que os neurônios são células independentes, não fisicamente conectadas entre si.

A ciência da época baseava-se na ideia de que as células nervosas não eram separadas umas das outras e que formavam uma massa emaranhada e compacta.

As maravilhas dos neurônios

Ramón y Cajal e o Prêmio Nobel

Na biografia de Santiago Ramón y Cajal vemos que ele também estudou em profundidade a estrutura do cerebelo, a medula espinhal e o bulbo espinhal, juntamente com vários centros sensoriais, como olfato e a retina.

Após uma viagem a Berlim e a apresentação de seus avanços no conhecimento da estrutura do sistema nervoso e dos neurônios em um congresso, recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1906.

Ele não parou de trabalhar nem um dia de sua vida. Dizem que, mesmo no dia de sua morte, que ocorreu em 1934, ele trabalhou na cama, já gravemente doente.

As contribuições para a neurociência e o legado de Santiago Ramón y Cajal foram fundamentais para o avanço do conhecimento do cérebro humano, da neuroplasticidade e da estrutura dos neurônios, que ele chamava de “as borboletas da alma”.

“Os neurônios são células de formas delicadas e elegantes, as misteriosas borboletas da alma, cujo bater de asas talvez um dia esclareça o segredo da vida mental”.
-Santiago Ramón e Cajal-

Número de mortos por coronavírus na China sobe para 41

O número de mortos pelo surto de coronavírus na China saltou para 41 neste sábado (25), marcando um começo sombrio para o Ano Novo Lunar no país asiático, com Hong Kong declarando uma emergência de vírus, cancelando celebrações e restringindo as ligações à China continental.

A Austrália confirmou neste sábado seus quatro primeiros casos, a Malásia confirmou três e a França relatou os primeiros casos da Europa na sexta-feira (24), enquanto as autoridades de saúde de todo o mundo lutam para evitar uma pandemia.

A líder executiva de Hong Kong, Carrie Lam, declarou no sábado uma emergência de vírus no centro financeiro asiático, com cinco casos confirmados, interrompendo imediatamente as visitas oficiais à China continental e suspendendo as celebrações oficiais do Ano Novo Lunar.

Os voos de entrada e saída e as viagens de trem de alta velocidade entre Hong Kong e Wuhan, o epicentro do surto, serão suspensos e as escolas, agora no feriado do Ano Novo Lunar, permanecerão fechadas até 17 de fevereiro. O território também tratava 122 pessoas com suspeita de ter a doença.

O número de mortos pelo coronavírus na China subiu para 41 neste sábado, ante 26 no dia anterior, e mais de 1.300 pessoas foram infectadas globalmente com um vírus encontrado em um mercado de frutos do mar na cidade central de Wuhan, que vendia ilegalmente animais silvestres.

Hu Yinghai, vice-diretor geral do Departamento de Assuntos Civis da província de Hubei, onde fica Wuhan, fez um apelo no sábado por máscaras e roupas de proteção. Os hospitais da cidade fizeram pedidos semelhantes.

“Estamos constantemente avançando no controle e prevenção de doenças … Mas agora estamos enfrentando uma crise de saúde pública extremamente grave”, disse ele em entrevista coletiva.

Os veículos que transportam suprimentos de emergência e equipes médicas para Wuhan estão isentos de pedágios e vão receber prioridade no trânsito, informou o Ministério dos Transportes da China neste sábado.

Wuhan disse que proibiria veículos não essenciais do centro da cidade a partir de domingo para controlar a propagação do vírus, paralisando ainda mais uma cidade de 11 milhões de pessoas que está em confinamento virtual desde quinta-feira, com quase todos os voos cancelados e postos de controle bloqueando as principais estradas fora da cidade.

Autoridades impuseram restrições de transporte a quase toda a província de Hubei, que tem uma população de 59 milhões.

Na Austrália, três homens, com 53, 43 e 35 anos, em Nova Gales do Sul, estavam em condições estáveis ​​após terem confirmado o vírus depois de voltarem de Wuhan no início deste mês.

Um cidadão chinês na casa dos 50 anos, que estava em Wuhan, também estava em condições estáveis ​​em um hospital de Melbourne depois de chegar da China em 19 de janeiro, disseram autoridades da Victoria Health.

A rede estatal China Global Television informou no Twitter neste sábado que um médico que estava tratando pacientes em Wuhan, Liang Wudong, 62 anos, morreu do vírus.

Não ficou claro imediatamente se sua morte já foi incluída no número oficial de 41, dos quais 39 estavam na província central de Hubei, onde Wuhan está localizada.

A rede de cafeterias norte-americana Starbucks disse neste sábado que estava fechando todos os seus pontos de venda na província de Hubei para o feriado de Ano Novo Lunar de uma semana, após um movimento semelhante do McDonald’s em cinco cidades de Hubei.

Em Pequim, neste sábado, trabalhadores em trajes de proteção brancos verificaram a temperatura dos passageiros entrando no metrô na estação ferroviária central, enquanto alguns serviços de trem na região do delta do rio Yangtze, no leste da China, foram suspensos, disse a operadora ferroviária local.

O número de casos confirmados na China é de 1.287. O vírus também foi detectado na Tailândia, Vietnã, Cingapura, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Nepal e Estados Unidos.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA disseram na sexta-feira que tinham 63 pacientes sob investigação, com dois casos confirmados.

Embora a China tenha pedido transparência na gestão da crise, após a disseminação da Síndrome Respiratória Aguda Grave de 2002/2003, as autoridades de Wuhan foram criticadas por lidar com o atual surto.

Em rara dissidência pública, um jornalista sênior de um jornal provincial de Hubei, dirigido pelo Partido Comunista, pediu na sexta-feira uma mudança “imediata” de liderança em Wuhan, em publicação no Weibo, semelhante ao Twitter. A publicação foi removida posteriormente.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o novo coronavírus uma “emergência na China” esta semana, mas decidiu não declará-lo como preocupação internacional.

A transmissão de humano para humano foi observada no vírus.

A Comissão Nacional de Saúde da China disse que formou seis equipes médicas, totalizando 1.230 profissionais da saúde para ajudar Wuhan.

A província de Hubei, onde as autoridades estão correndo para construir um hospital com 1.000 leitos em seis dias para tratar pacientes, anunciou neste sábado que havia 658 pacientes afetados pelo vírus em tratamento, 57 dos quais estavam gravemente doentes.    O coronavírus recém-identificado criou alarme porque ainda existem muitas incógnitas em torno dele, como o quão perigoso é e com que facilidade se espalha entre as pessoas. Pode causar pneumonia, que foi mortal em alguns casos.    Os sintomas incluem febre, dificuldade em respirar e tosse. A maioria das mortes ocorreu em pacientes idosos, muitos com condições pré-existentes, segundo a OMS.        

Os aeroportos de todo o mundo intensificaram a triagem de passageiros da China, embora algumas autoridades e especialistas em saúde tenham questionado a eficácia de tais triagens.    

Há temores de que a transmissão acelere com as viagens chinesas durante o feriado de Ano Novo Lunar, que começou neste sábado, embora muitos tenham cancelado seus planos, com companhias aéreas e ferrovias na China oferecendo reembolsos gratuitos.    

O surto de vírus e os esforços para contê-lo prejudicaram o que normalmente é uma época festiva do ano.    

Sanya, um popular destino turístico na ilha de Hainan, no sul da China, anunciou que estava fechando todos os locais turísticos, enquanto a capital da ilha, Haikou, disse que os visitantes de Wuhan seriam colocados em quarentena de 14 dias em um hotel.    

A Disneylândia de Xangai foi fechada a partir deste sábado. O parque temático tem uma capacidade diária de 100.000 pessoas e as entradas esgotaram durante o feriado de Ano Novo Lunar do ano passado.     

O Templo do Lama, de Pequim, onde as pessoas tradicionalmente fazem oferendas para o ano novo, também fechou, assim como outros templos.

Surto de coronavírus: circulação de veículos em Wuhan será proibida

A circulação de veículos no centro de Wuhan, na China, será proibida a partir deste domingo (26), com permissão apenas para veículos de órgãos públicos e com permissão especial, em medida para tentar minimizar os riscos de propagação do coronavírus, que já matou 41 pessoas no país.

O anúncio da decisão foi feito neste sábado (25) pelo Ministério dos Transportes chinês, como forma também de priorizar o transporte dos materiais de emergência e das equipes médicas que estão atendendo casos do surto no epicentro do surto, onde vivem 11 milhões de pessoas.

Em Wuhan, o transporte público já estava suspenso desde a última quinta-feira (23).

O Ministério dos Transportes exigiu que as autoridades locais facilitem a movimentação dos veículos das autoridades e médicos, que não pagarão pedágios e terão livre circulação, para que nenhum recurso seja bloqueado nas ruas da cidade.

Por sua vez, a operadora do aplicativo Didi (equivalente ao Uber na China), anunciou nesta sexta-feira (24) que estava cancelando a operação em Wuhan a partir do meio-dia de ontem (1h de Brasília).

A Comissão Nacional de Saúde do país divulgou neste sábado que, até o último balanço, 41 pessoas morreram, entre os 1.287 pacientes diagnosticados com a chamada pneumonia de Wuhan, que é a infecção pelo vírus 2019-nCoV. 

Japão confirma 3º caso de coronavírus; China reforça medidas

O Japão confirmou neste sábado (25) mais um caso de infecção por coronavírus, subindo para três o número de pacientes infectados no país, segundo o Ministério da Saúde do Japão. Trata-se de uma mulher de 30 anos que mora em Wuhan, a cidade chinesa considerada o epicentro do surto. Segundo o ministério, a mulher chegou ao Japão em 18 de janeiro.

O número de mortos pelo surto de coronavírus na China saltou para 41. Já são 1.287 pessoas infectadas globalmente. Com objetivo de conter o avanço das contaminações, o governo chinês ordenou medidas nacionais para detectar o novo vírus em trens, ônibus e aviões. Os pontos de inspeção serão instalados e todos os viajantes com sintomas de pneumonia serão “imediatamente transferidos” para um centro médico, anunciou uma declaração da Comissão Nacional de Saúde.

A China também anunciou neste sábado que estendeu o cordão sanitário imposto para impedir a propagação do novo vírus descoberto em Wuhan. A nova medida levou ao isolamento de cerca de 56 milhões de pessoas. As autoridades acrescentaram outras cinco cidades na província de Hubei (centro) às 13 em que já havia imposto o dispositivo. A medida envolve a suspensão do transporte público para essas aglomerações e o fechamento de pedágios nas rodovias.

Até a manhã deste sábado, 12 países já tinham casos confirmados da doença. Além da China, onde o surto começou, França, Japão, Coreia do Sul, Singapura, Estados Unidos, Vietnã, Arábia Saudita Taiwan, Nepal, Tailândia, Austrália e, por último, a Malásia também anunciaram que têm pacientes infectados. Nos EUA, dois casos já foram confirmados e mais de 60 registros suspeitos estão em investigação.

O último país a relatar um caso foi a Malásia, que informou três indivíduos infectados, todos eles relacionados ao homem de 66 anos que foi confirmado pelas autoridades de saúde de Cingapura como positivo para o vírus. Na noite de sexta-feira (24), a Austrália também notificou seu primeiro caso. O governo do país pediu aos cidadãos australianos que não viajassem para a província de Hubei, na China, epicentro do surto.

No Brasil, medidas estão sendo tomadas para impedir a disseminação do vírus. Os aeroportos brasileiros passaram a divulgar desde sexta-feira (24) um alerta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre o coronavírus. No alerta, uma mensagem de áudio de aproximadamente 1 minuto, a Anvisa orienta os passageiros que chegaram da China e estão com sintomas como febre e tosse a procurar uma unidade de saúde. Também são dadas orientações para evitar a transmissão de doenças.

A Secretaria da Saúde de São Paulo anunciou um plano para o monitoramento e resposta de casos suspeitos. A mobilização vai englobar os principais hospitais de referência, como Instituto de Infectologia Emílio Ribas e Hospital das Clínicas, e profissionais estão sendo treinados para fazer a detecção e notificação de possíveis casos da doença.

O Ministério da Saúde descartou, durante a semana, cinco casos que foram considerados suspeitos num primeiro momento. Ainda de acordo com o ministério, só devem ser considerados suspeitos pacientes que apresentem sintomas que se enquadrem no parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS), como febre, dificuldade para respirar, tosse. Além disso, é necessário que tenham viajado para a cidade chinesa de Wuhan ou tiveram contanto com pessoas com suspeita ou confirmação de infecção.

Austrália e Malásia anunciam primeiros casos de coronavírus

A Austrália e a Malásia divulgaram neste sábado (25) que registraram os primeiros casos de pessoas infectadas pelo coronavírus, que contraíram a chamada pneumonia de Wuhan, em referência à cidade da China em que está o foco do surto.

De acordo com as autoridades de saúde do estado de Victoria, na Austrália, um homem de 50 anos, identificado apenas como um turista chinês, foi o primeiro paciente da doença no país.

“Está em condição estável, apesar da enfermidade respiratória. Foi confirmado o resultado positivo às 2h15 (12h15 de sexta-feira – 24), após ter sido realizada uma série de exames”, diz comunicado do Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Victoria.

O homem está internado em um hospital de Melbourne, após ter chegado no dia 19 de janeiro à Austrália, procedente de Wuhan, em voo que teve escala na cidade de Guangzhou, ainda segundo a nota do órgão regional australiano.

O Departamento de Saúde do estado de Nova Gales do Sul, por sua vez, revelou que investigava cinco possíveis casos de infecção pelo vírus 2019-nCoV, e posteriormente revelou que três acabaram sendo positivos.

Os pacientes teriam viajado recentemente à Wuhan, e um deles teria tido contato direto com uma pessoa infectada, que estava na China.

Na Malásia, o ministro da Saúde, Dzulkefly Ahmad, confirmou que três cidadãos chineses que entraram no país por terra, através de Cingapura, são os primeiros pacientes da pneumonia de Wuhan a serem registrados no país.

Todos, segundo o representante do governo, seriam familiares com um homem de 66 anos e com o filho dele, ambos infectados pelo coronavírus, que estão em tratamento na cidade-estado vizinha.

De acordo com o ministro, os três chineses ainda não mostram sinais da doença e foram colocados em quarentena logo após chegarem na cidade de Johor Baru, na fronteira com Cingapura. Em seguida, foram levados para um hospital perto de Kuala Lumpur.

Acredita-se que os pacientes e os dois que estão na cidade-estado vizinha, formavam um grupo de nove pessoas que viajaram de Guangzhou, na China, para Cingapura no último dia 20.

O novo coronavírus da chamada pneumonia de Wuhan já provocou 41 mortes, entre os 1.287 infectados que foram diagnosticados na China, segundo informou hoje a Comissão Nacional de Saúde do país de origem do surto. 

China vive a maior quarentena da história recente do planeta

Na tentativa de frear o avanço de um novo tipo de coronavírus potencialmente mortal, a China isolou mais de 26 milhões de pessoas em ao menos dez cidades da província de Hubei — a capital Wuhan, de 11 milhões de habitantes foi onde o surto começou, em meados de dezembro.

Na história recente, não há registro de nenhuma doença que tenha exigido uma quarentena dessa dimensão. Até agora, foram 900 infectados e 26 mortos. Há outros 1.072 casos suspeitos que aguardam resultados de exames. 

Além de Wuhan, foram impostas restrições de viagens aos moradores de Huanggang (6,3 milhões de moradores), Huangshi (2,5 milhões), Xiantao (1,54 milhão), Qianjiang (1,1 milhão), Xianning (1,2 milhão), Ezhou (1 milhão), Enshi (857 mil), Zhijiang (500 mil) e Chibi (478 mil).

Os números, apesar de altos, representam menos de 2% de toda a população chinesa, que é de 1,38 bilhão.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos classificam a quarentena como a “separação e restrição de movimento de pessoas que, embora ainda não estejam doentes, foram expostas a um agente infeccioso e, portanto, podem se tornar infecciosas”.

A medida, iniciada na quinta-feira (23), inclui o cancelamento de voos e de viagens de trem, a suspensão de transportes públicos locais, como metrô, ônibus e balsas, além de bloqueios nos pedágios rodoviários.

Tudo isso ocorre em meio ao principal feriado chinês, o do Ano-Novo Lunar, que é comemorado neste sábado (25) e dura uma semana. Milhões de pessoas viajam nesta época dentro e fora da China.

As tradicionais festividades foram canceladas em diversas cidades, inclusive na capital, Pequim. A Disney em Xangai também anunciou fechamento temporário.

“São medidas duras, em que você cerceia a liberdade de locomoção… mas eu não vejo isso com algo ruim. No caso da China, a densidade populacional é muito alta e o fluxo de pessoas, que normalmente já é intenso, seria maior ainda por causa do feriado do Ano-Novo lá”, explica a médica infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.

Em um artigo intitulado “Lições da história da quarentena, da peste à gripe A”, a pesquisadora italiana Eugenia Tognotti, da Universidade de Sássari, lembra que a medida tem sido utilizada como estratégia de saúde pública desde o século 14.

“No novo milênio, a estratégia secular de quarentena está se tornando um componente poderoso da resposta da saúde pública às doenças infecciosas emergentes e re-emergentes. Durante o surto de 2003 da [SARS] síndrome respiratória aguda grave, o uso de quarentena, controles de fronteira, rastreamento de contatos e vigilância se mostrou eficaz em conter a ameaça global em pouco mais de três meses.”

Ela acrescenta ainda que “durante séculos, essas práticas têm sido a pedra angular das respostas organizadas aos surtos de doenças infecciosas”.

“No entanto, o uso de quarentena e outras medidas para o controle de doenças epidêmicas sempre foi controverso, porque tais estratégias levantam questões políticas, éticas e socioeconômicas e exigem um equilíbrio cuidadoso entre o interesse público e os direitos individuais. Em um mundo globalizado que está se tornando cada vez mais vulnerável a doenças transmissíveis”.

O infectologista João Prats, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, acrescenta que a medida é extrema, gera sofrimento à população local, mas é uma ação importante.

“Hoje, se você olhar o mapa de voos ao redor do mundo, se uma pessoa fica doente em determinada localidade, é possível que a doença se espalhe rapidamente. A quarentena tem eficácia, mas prejudica a vida de uma monte de gente que não pode viajar”, afirma

Antes do fechamento temporário, o aeroporto internacional de Wuhan tinha voos para mais de uma dezena de cidades internacionais — Tóquio, Osaka e Nagoya (Japão), Cingapura, Kuala Lumpur (Malásia), Seul (Coreia do Sul), Bangkok e Phuket (Tailândia), Nova York e São Francisco (Estados Unidos), Sydney (Austrália), Roma (Itália) e Paris (França).

Pessoas que vivem em Wuhan ou que viajaram para a cidade recentemente adoeceram em outros países. Foram confirmados casos exportados da doença nos Estados Unidos, França, Tailândia, Vietinã, Japão e Coreia do Sul. 

Rosana reforça que o uso da máscara “não é suficiente para bloquear um surto como este”.

Já o infectologista da BP acrescenta que “a maioria dos vírus têm uma capacidade grande de passar principalmente por contato, por superfície. “Se você não lavar as mãos, não adianta muito usar a máscara.”

A quarentena, acrescenta a médica do Instituto Emílio Ribas, é necessária até que as autoridades consigam entender mais sobre o novo vírus.

“É preciso saber qual é a taxa de ataque desse vírus. Se você colocasse uma pessoa infectada em uma sala com dez pessoas, quantas iriam se infectar? Se for uma, a taxa de ataque é de 10%. A do sarampo, por exemplo, é de 90%.”

Falta-se também da transmissão sustentada desse tipo específico de vírus. Os coronavírus, em surtos anteriores, não se espalhavam fora da área de origem com tanta facilidade.

“Não vimos ainda transmissão de pessoa para pessoa fora daquela localidade”, observa Rosana.

Nesta semana, a OMS (Organização Mundial da Saúde) entendeu que o surto ainda não representa uma emergência global, mas reforçou que é motivo de alerta dentro da China. 

O coronavírus descoberto na China (nomeado de 2019-nCoV) faz parte de uma família conhecida, na qual as mutações são muito comuns.

Em geral, eles provocam infecções respiratórias leves, semelhantes a uma gripe.

Os tipos mais comuns nos humanos são: 229E, OC43, NL63, HKU1. Entretanto, desde 2002, surgiram outros dois tipos que desencadearam surtos semelhantes ao atual.

O SARS-CoV, que provoca a síndrome respiratória aguda grave, apareceu na China, entre 2002 e 2003, e se espalhou para outros países. Foram cerca de 8.000 infectados e 800 mortes.

Em 2012, teve início na Arábia Saudita um surto de outro coronavírus, o MERS-CoV, que causa a síndrome respiratória do Oriente Médio, doença que afetou em torno de 2.200 pessoas e matou 790 pessoas.

Até o momento, acredita-se que o novo coronavírus seja menos letal que os dois tipos que causaram esses surtos recentes.

Assim como o SARS e o MERS, a suspeita é que o vírus tenha sido transmitido inicialmente de animal para humano e sofrido mutações, que permitiram a transmissão entre pessoas.

Os primeiros casos ocorreram em pessoas que frequentavam um mercado de frutos do mar e de animais vivos em Wuhan.

Leia também: Sopa de morcego pode ter relação com surto de coronavírus

Após luto, parentes de mortos em Brumadinho enfrentam depressão

Passado um ano desde o rompimento da barragem da mineiradora Vale em Brumadinho (MG), que deixou 270 mortos, a rotina de muitos moradores da cidade de 40 mil habitantes agora inclui a luta contra transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade. 

O número de vendas de ansiolíticos no município aumentou em 79% de 2018 para 2019; o consumo de antidepressivos aumentou 56% e as tentativas de suicídio foram de 29 para 47, segundo a prefeitura.

Iolanda de Oliveira da Silva, de 49 anos, é uma das pessoas que tentaram suicídio. Ela começou o tratamento psicológico e psiquiátrico três dias após o rompimento da barragem.

“Eu já fui para o médico por que eu não estava mais aguentando. A vida da gente, nessa data do dia 25, caiu, foi junto da lama também. ”

Hoje, ela toma seis remédios por dia entre ansiolíticos, antidepressivos e remédios para dormir. No desastre, Iolanda perdeu um de seus filhos, Robert, de 19 anos.

Mas essa não foi a primeira perda. Em outubro do ano anterior, Richard, irmão gêmeo de Robert, morreu assassinado. Em 2005, Michael Felipe faleceu com leucemia aos 16 anos.

Os outros dois filhos de Iolanda também utilizam remédios. Rute Miriam, de 23 anos, também já tentou suicídio, não consegue dormir no escuro e sofre com pesadelos. Kleber, de 25 anos, que trabalhava na Vale, não conseguiu voltar ao trabalho.

A família tenta seguir em frente, mas a mídia e o ambiente os fazem lembrar do ocorrido constantemente.

“A televisão sempre passa notícia. Aa gente nunca mais vai esquecer o que aconteceu. Eu queria que a Vale mudasse a cor dos ônibus, dos uniformes. Fica gravado na memória da gente. Eu lembro do ônibus com ele [Robert] chegando.”

Saiba mais: RJ: contaminação de água vai além de substância produzida por algas

A psiquiatra Luciana Siqueira, voluntária do grupo de estresse pós-traumático do Ambulatório de Ansiedade do IPq (Instituto de Psiquiatria da USP), explica que um dos sintomas do estresse pós-traumático é a tentativa de evitar estímulos que possam estar associados ao trauma.

Segundo a médica, esse é um transtorno mental que ocorre após a exposição a um evento traumático.

“Tem que ser um evento de magnitude, violento, em que a vida da pessoa seja colocada em risco ou que a pessoa tenha testemunhado a morte ou ameaça à vida de alguém.”

Ela explica que, caso um evento como esse tenha ocorrido com alguém muito próximo e com fortes vínculos afetivos, a pessoa pode sofrer com o transtorno sem necessariamente presenciar o evento.

Para ser considerado estresse pós-traumático o paciente tem que apresentar flashbacks [rever o momento na mente] involuntários, reações de ansiedade, além de reações emocionais dissociativas, que são a sensação de que o evento está acontecendo novamente quando a pessoa é exposta à lembrança ou fala sobre o assunto.

Veja mais: OMS: surto de coronavírus é emergência na China, não global

A pessoa pode apresentar sentimento intenso de angústia e nervosismo e sintomas fisiológicos, como tremor, taquicardia e suor.

O estresse pós-traumático pode desencadear outras doenças se a pessoa tiver predisposição e pode agravar transtornos anteriores.

Além disso, nem todo transtorno desenvolvido após um evento violento é estresse pós-traumático. Outros diagnósticos podem ser depressão, ansiedade, síndrome de pânico, entre outros.

Nathalia Silva Eleutério, de 30 anos, perdeu o marido, Reinaldo Fernandes Guimarães, de 31 anos.

“Meu dia a dia é só remédio, eu tomo remédio de manhã, de tarde e de noite. Eu não tenho perspectiva de vida mais, meu sonho está enterrado na lama. ”

Nathalia está sempre em estado de alerta. Ela e a filha mais velha, Maria Eduarda, de 10 anos, assustam-se com qualquer barulho. “

Inaugurou um supermercado na frente de casa e começou a tocar uma sirene para avisar das promoções. Minha filha veio assustada falando para correr que a barragem estourou.”

Nathalia afirma que não tem vontade de fazer mais nada.

“Não consigo sentar para ver uma televisão. Engordei 20 kg de tanto remédio e ansiedade. Eu como de meia em meia hora.”

Segundo ela, Maria Eduarda só fica deitada e diz que não tem ânimo para nada.

Além da dor do luto, Nathalia passa por dificuldades financeiras. Ela não trabalhava antes do marido morrer e hoje depende do dinheiro pago pela Vale. Como Reinaldo não era funcionário da empresa, ela não tem todas as garantias.

“As famílias dos funcionários têm plano de saúde e escola particular para os filhos. Eles estão diferenciando valores para as mortes que foram a mesma coisa. Eu queria justiça, que eles pagassem cada remédio que eu tomo. ”

Segundo a psiquiatra do IPq, a recuperação diante de um trauma como esse depende de um conjunto de fatores. Um deles é o tratamento psiquiátrico adequado. A medicação precisa ser associada ao acompanhamento psicológico, preferencialmente a terapia cognitivo comportamental. 

Leia mais: Estados Unidos confirmam segundo caso de coronavírus chinês

Além disso, é necessário que o paciente tenha acesso a um suporte psicossocial, que inclui questões práticas como pensão, situação trabalhista regularizada, acesso à saúde e retorno à escola. Ela aponta o envolvimento com causas sociais como um dos caminhos possíveis para a recuperação.

Segundo a psiquiatra não é possível atribuir o rompimento da barragem ao aumento da venda de ansiolíticos e antidepressivos. “Apesar de ser bem possível, não podemos cravar. Precisamos ver se essa população tinha acesso à saúde mental [antes da tragédia].”

Ela explica que o acidente fez com que o suporte de saúde mental aumentasse, o que pode ter resultado em um número maior de detecções. “Poderiam ter acontecido muito mais suicídios se não tivessem os diagnósticos e a medicalização.”

Mesmo assim, Luciana diz acreditar que essa é uma questão de saúde pública.

“Tem que qualificar as lideranças locais e manter o atendimento por um período prolongado. Atendimentos pontuais podem só expor o indivíduo, não serem efetivos e até serem prejudiciais. É importante ter continuidade. ”

A Vale informou em nota que cerca de 600 famílias estão sendo acompanhadas por profissionais do Programa Referência da Família.

A empresa assinou acordo de cooperação com a prefeitura para repasses que totalizam R$ 32 milhões destinados à ampliação da assistência de saúde e psicossocial no município.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Fernando Mellis 

1 ano de Brumadinho: sobreviventes e familiares ainda tentam superar a tragédia:

Médico de hospital de Hubei morre vítima de coronavírus na China

Um médico de um hospital da província chinesa de Hubei, o centro do surto de coronavírus, morreu em decorrência da contaminação, informou a CGTN (China Global Television Network) em uma publicação no Twitter.

Novo coronavírus chega à Europa com dois infectados na França

Liang Wudong, médico do Hospital Hubei Xinhua, que estava na linha de frente do surto de coronavírus na cidade de Wuhan, morreu do vírus aos 62 anos, informou o jornal. No total, 1.297 casos foram confirmados e 41 pessoas morreram em decorrência do surto de pneumonia no país.

As cidades e províncias que apresentaram o maior número de casos estão sendo monitoradas e controladas de forma mais rígida, entre elas, Zhejiang, Guangdong, Hunan, Hubei, Anhui, Tianjin, Pequim, Xangai, Chongqing, Sichuan, Jiangxi, Yunnan, Guizhou.

O surto de pneumonia foi relatado pela primeira vez na cidade de Wuhan, província de Hubei, no centro da China, em dezembro de 2019. Especialistas atribuíram o surto a uma nova cepa de coronavírus que se espalhou pela China e no exterior.