‘Tenho feito pedidos para que não demitam’, diz Luiza Trajano

A empresária Luiza Trajano, presidente do conselho de administração do Maganize Luiza, tem feito um apelo aos empresários para que eles conservem os empregos e não fiquem em pânico por causa da pandemia do coronavírus.

“Tenho dito que o pânico está tão grande que eles não estão conseguindo ver as medidas que o governo está tomando”, disse Luiza, que também preside o Grupo Mulheres do Brasil.

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A seguir, os principais trechos da entrevista:

Há uma polêmica no governo sobre as formas de se fazer o confinamento. Como a sra. entende esta questão?

Eu não consigo responder se o confinamento pode ser desta forma (isolamento) ou vertical. Proteger a vida é mais importante. Mas a economia também é importante porque ajuda combater o desemprego.

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O que tenho falado é que o confinamento é uma realidade. Se o governo junto com a área da Saúde não der previsibilidade, dificilmente você pode colocar todo mundo para fora para fazer compras na rua.

As pessoas estão muito amedrontadas. A (área da) Saúde e os políticos têm de dar previsibilidade como alguns países deram. Acho que agora eles têm de se unir.

Entre os empresários também há muitas dúvidas sobre fazer ou não paradas totais (lockdown)…

Se não tiver uma segurança da área da Saúde, as pessoas podem até transitar, mas não vão sair comprando.

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Na semana passada, em alguns lugares onde a gente não tinha fechado (as lojas), as pessoas passaram a nos cobrar. Já tinha um pânico grande. As pessoas estão com medo de se encontrar.

Como tem sido a conversa entre os empresários?

Temos feito bastante conferência. Eu sou muito procurada pelos pequenos e médios empresários. Tenho dito que o pânico está tão grande que eles não estão conseguindo ver as medidas que o governo está tomando. Eles estão com medo de quebrar e com razão.

O que a sra. tem falado aos empresários que te procuram?

Tenho tentado acalmar e explicar que o governo está ajudando. Estou pedindo para eles darem férias e não provocarem desemprego. Por outro lado, (a crise) tem ajudado na venda digital.

Muitos deles não acreditavam neste canal. Enquanto em São Paulo se investiu na venda digital, no interior do Estado ainda não.

A sra. tocou numa questão importante. As vendas digitais são importante canal agora.

Fazia muito tempo que nas minhas palestras estava pregando que as lojas físicas não iriam acabar, mas entrar no digital é muito importante.

O que a gente vai tirar de lição desta pandemia?

Acho que a gente vai ter de se reinventar e que a cooperação vai ser muito forte.

Temos que remar juntos para chegar no mesmo caminho. Foi um dos aprendizados mais pesados que vivi na minha vida. O Magazine está se reinventando cada vez mais neste processo.

Para a sra., as medidas da equipe econômica anunciadas esta semana serão suficientes?

Acho que elas vão ajudar a acalmar.

Mas as incertezas ainda persistem…

É um momento difícil que a gente nunca passou. Mas acredito no nosso poder de se reinventar e também é um momento que o pânico não nos deixa ver as coisas que estão sendo anunciadas do próprio governo para que a gente possa economicamente sair do sufoco.

Também temos defendido no comitê de saúde do Grupo Mulheres do Brasil o Sistema Único de Saúde. O SUS é o melhor sistema de saúde em países com mais de 100 milhões de habitantes.

Ipea sugere reajustar Bolsa Família em 29% contra coronavírus

Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sugerem que o governo conceda reajuste de até 29% no critério de acesso e nos valores pagos pelo Bolsa Família e crie um benefício extraordinário de R$ 450, por seis meses, para todas as famílias com renda de até meio salário mínimo por pessoa. As medidas alcançariam o terço mais pobre da população num momento em que elas estão vulneráveis à crise causada pelo novo coronavírus.

As ações seriam combinadas com a inclusão de 1,7 milhão de famílias que estão na fila de espera do programa. O gasto adicional com as transferências assistenciais em 2020 é calculado em R$ 68,6 bilhões, mas mais de 80% dessa despesa seria temporária e restrita a este ano. O impacto para o ano que vem seria bem menor, de R$ 11,6 bilhões, de acordo com a nota técnica divulgada na sexta, 27, pelo Ipea.

O cenário é apenas uma entre as 72 alternativas desenhadas e calculadas pelos pesquisadores Luís Henrique Paiva, Pedro Ferreira de Souza, Leticia Bartholo e Sergei Soares. De acordo com o texto, as simulações foram solicitadas pelo Ministério da Economia, que pediu “a construção de cenários de intervenção para potencializar o uso do Programa Bolsa Família (PBF) e do Cadastro Único como mecanismos de redução dos prejuízos econômicos causados pela covid-19 à população brasileira de baixa renda”.

O trabalho também analisou as dificuldades institucionais e operacionais, uma vez que qualquer resposta à covid-19 para dar suporte às famílias vulneráveis precisam ser rápidas. “De nada adianta uma boa resposta que poderá ser operacionalizada em 3 ou 4 meses, deixando as famílias mais pobres sem recursos durante o período mais crítico da crise”, alerta o texto.

Zerar a fila

A avaliação dos pesquisadores é de que é preciso zerar a fila de espera pelo Bolsa Família e restabelecer o valor real das linhas de pobreza e extrema pobreza fixado no início do programa em 2004 nesse momento de maior vulnerabilidade social. Hoje, o benefício é pago a famílias com renda mensal de até R$ 178 por pessoa, e a extrema pobreza é considerada quando o valor é de até R$ 89 por pessoa. Essas cifras, pela proposta, subiriam a R$ 230 e R$ 115, respectivamente, o que ampliaria o número de famílias aptas a ingressar no programa.

Além disso, os pesquisadores defendem a criação de um benefício extraordinário a ser pago a todas as famílias que estão com cadastro atualizado no Cadastro Único, base de dados do governo federal para a inclusão de famílias em programas sociais, independentemente de elas receberem ou não o Bolsa Família. Para ser incluído no CadÚnico, é preciso ter renda familiar de até R$ 522,50 por pessoa.

O argumento dos pesquisadores é que as famílias que estão no CadÚnico mas ainda não estão na “linha de pobreza” que justifica o pagamento do Bolsa Família podem passar por um “empobrecimento” durante a crise do novo coronavírus. Isso provocaria uma espécie de corrida aos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), já sobrecarregados e que assistiriam a uma aglomeração de pessoas justamente quando a recomendação sanitária é para que a população fique em casa e evite situações de alto risco de contágio pela covid-19.

Durante a vigência do benefício extraordinário, os 30% mais pobres da população brasileira poderiam contar com uma renda mínima mensal de R$ 450 por família. Os beneficiários do Bolsa Família poderiam acumular os pagamentos e teriam, em média, uma segurança de renda mensal de quase R$ 690 por família. Após o fim do benefício extraordinário, as famílias beneficiárias do programa continuariam recebendo em média algo próximo de R$ 240 por família (R$ 77 per capita), valor 27% maior do que o pago atualmente, nos cálculos dos pesquisadores.

Coronavírus: ação em rodovia dá kit de higiene e lanche a caminhoneiros

Caminhoneiros que transitaram pela BR-135, no Maranhão (MA), na manhã deste sábado (28), receberam kits de higiene pessoal e lanche.

A iniciativa faz parte de uma campanha de orientação e prevenção ao coronavírus realizada pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Sest/Senat (Serviço Social do Transporte/Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte).

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A ação, que também conta com a participação da PRF (Polícia Rodoviária Federal), foi realizada na Unidade Operacional e Policiamento da PRF.

Todos os agentes envolvidos na operação estão munidos da proteção necessária de prevenção ao coronavírus:máscaras, luvas e álcool gel.

Decreto que impõe isolamento total no Paraguai é prorrogado

O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, anunciou neste sábado (28) a prorrogação do período de isolamento total no país, que registrou até o momento 56 casos e três mortes em decorrência da infecção pelo novo coronavírus.

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“Depois de ouvir todos os setores, foi decidida a manutenção do isolamento total até 12 de abril. Peço um esforço a mais de todos. Continuemos solidários com nosso sistema de saúde”, escreveu o chefe de governo, nas redes sociais.

A medida se refere às restrições de circulação de pessoas durante as 24 horas do dia, que seriam encerradas na madrugada de hoje para amanhã. A exceção entre os estabelecimentos comerciais valia apenas para supermercados e farmácias.

Desta forma, aulas seguirão suspensas e aglomerações seguem suspensas, assim como eventos esportivos não poderão ser realizados.

Uma exceção foi aberta no novo decreto deste sábado para funcionários de setores administrativos de órgãos públicos e empresas privadas, para que não haja corte de pagamentos. Além disso, foi autorizada a convocação de funcionários do setor da educação para a distribuição de almoço em áreas carentes.

A determinação de que as pessoas fiquem em casa no país tem gerado muitas críticas entre as entidades patronais, por causa da paralisação da economia paraguaia nas últimas semanas. A resposta de Abdo Benítez veio em entrevista veiculada ontem.

“A economia pode ser recuperar. Como disse desde o primeiro dia, o objetivo é salvar vidas”, afirmou.

Nesta quinta-feira (26), o governo do Paraguai promulgou uma lei de emergência para minimizar o impacto provocado pela crise sanitária, com abertura de uma linha de crédito de até US$ 1,6 bilhão (R$ 8,1 bilhões).

A oposição de esquerda a Abdo Benítez aponta que, se for mantida a atual estrutura tributária do país, os setores mais vulneráveis da economia, como os autônomos, e os mais pobres da população serão muito afetados.

Se Brasil isolar só idosos nº de mortos pode chegar a 529 mil

Uma estratégia de isolamento social de manter só idosos em casa, como sugere o presidente Jair Bolsonaro, ainda poderia levar à morte mais de 529 mil pessoas no Brasil por covid-19. O número é metade do que se projeta para um cenário em que nada fosse feito no País para conter a dispersão do coronavírus (1,15 milhão de óbitos). Mas é bem mais alto do que a estimativa para um isolamento social rápido e amplo. Mesmo com essa restrição mais drástica, haveria ao menos 44 mil mortes pela doença.

Os números fazem parte da nova pesquisa do Grupo de Resposta à Covid-19 do Imperial College de Londres. Os cientistas vêm fazendo quase em tempo real projeções matemáticas do avanço da pandemia e avaliam as ações em andamento.

Foi um trabalho dessa equipe com projeções para Estados Unidos e Reino Unido que fez o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson recuar sobre a ideia de adotar isolamento vertical (quarentena só de alguns grupos, como idosos e doentes crônicos). Johnson foi diagnosticado com covid-19 na sexta-feira, 27.

Segundo o jornal The New York Times, estimativas feitas por esses cientistas também influenciaram a Casa Branca a enrijecer medidas de isolamento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também recomenda o isolamento social. Já Bolsonaro tem criticado governadores que determinaram fechar o comércio e diz ter receio de uma crise econômica.

O trabalho mais recente do Imperial College, divulgado na quinta-feira, 26, expandiu a modelagem para 202 países. Liderados por Neil Ferguson, eles comparam possíveis impactos sobre a mortalidade em vários cenários: ausência de intervenções com distanciamento social mais brando, que chamam de mitigação, ou mais restrito, a supressão.

As estimativas foram feitas com base em dados da China, onde a doença foi registrada pela primeira vez em dezembro, e de países de alta renda. Significa que para nações de baixa renda a realidade pode ser ainda mais grave do que a apontada. A estimativa de cerca de 44 mil mortes para o Brasil considera o cenário mais amplo de isolamento, e feito de modo rápido.

A eficácia do isolamento mais amplo se aplicaria em todo o mundo segundo os pesquisadores. Eles estimam que, na ausência de intervenções, a covid-19 resultaria em 7 bilhões de infecções (quase toda a população global) e 40 milhões de mortes em todo o mundo este ano.

“Estratégias de mitigação focadas na blindagem de idosos (reduzir em 60% os contatos sociais) e desaceleração, mas não interrupção da transmissão (redução de 40% nos contatos sociais para uma população mais ampla) poderiam reduzir esse ônus pela metade, salvando 20 milhões de vidas, mas prevemos que, mesmo nesse cenário, sistemas de saúde em todos os países serão rapidamente sobrecarregados”, dizem os cientistas.

O Brasil já prevê demanda crescente no SUS. No País, até a sexta-feira, já havia 92 mortes confirmadas.

“É provável que esse efeito seja mais grave em contextos de baixa renda, onde a capacidade é mais baixa. Como resultado, prevemos que o verdadeiro ônus em ambientes de baixa renda que buscam estratégias de mitigação podem ser substancialmente mais altos do que o refletido nessas estimativas”, continuam os pesquisadores.

Apontam ainda que a demanda por ajuda médica só ficará em níveis manejáveis com adoção rápida de medidas de saúde pública para suprimir a transmissão, similares às de China e Coreia do Sul. Eles listam os testes em massa, o isolamento de casos e medidas mais amplas de distanciamento social.

“Se uma estratégia de supressão for implementada precocemente (com 0,2 morte por 100 mil habitantes por semana) e sustentada, então 38,7 milhões de vidas podem ser salvas. Se for iniciada quando o número de óbitos for maior (1,6 óbito por 100 mil habitantes por semana), só 30,7 milhões de vidas poderiam ser salvas”, escrevem eles, sobre as projeções globais. “Atrasos na implementação de ações para suprimir a transmissão levarão a piores resultados e menos vidas salvas.”

Consequências

Eles ponderam não considerar impactos sociais e econômicos mais amplos da supressão. Reconhecem que esses efeitos serão altos e podem ser desproporcionais em áreas de baixa renda.

Os pesquisadores reforçam, como já tinham dito em estudos anteriores, que as estratégias de supressão teriam de ser mantidas, com breves interrupções, até que vacinas ou tratamentos eficazes se tornem disponíveis.

Pesquisas sobre imunizantes já começaram, mas demandam uma série de testes e dificilmente a vacina chegará ao mercado ainda este ano. “Nossa análise destaca as decisões desafiadoras enfrentadas por todos os governos nas próximas semanas e meses, mas demonstra como uma ação rápida, decisiva e coletiva agora poderia salvar milhões.” 

Portugal tem alta de 31% nas mortes em um dia

A ministra da Saúde de Portugal, Marta Tremido, anunciou neste sábado (28) que foram registradas 34 mortes a mais em decorrência da infecção pelo novo coronavírus, elevando o total para 100.

A integrante do governo revelou ainda que além do aumento de 31% nos óbitos, em comparação com boletim divulgado na véspera, o número de pessoas infectadas subiu 21%, chegando a 5.170. Quase um sexto, 764 pacientes, são médicos, enfermeiros ou auxiliares.

Segundo Temido, a região norte de Portugal segue sendo a mais afetada pelo novo coronavírus, com 3.035 casos registrados e 44 mortes.

A ministra destacou que o principal objetivo do governo neste momento é aumentar o número de testes na população, para conter o contágio em todo o território, já que entre 1º e 26 de março foram realizados 40 mil diagnósticos.

De acordo com a titular da pasta, chegaram ao país nos últimos dias, novos 60 mil testes e outros 200 mil estão sendo aguardados até o fim do mês, junto com 100 toneladas de equipamentos de proteção individual.

A estimativa do governo é que o pico máximo de contágios em Portugal chegue apenas no fim de maio, depois da primeira previsão de que aconteceria em meados de abril, mas sem números expressivos como de Itália e Espanha.

“E durará vários dias”, apontou a diretora geral de Saúde, Graça Freitas”.

Nos últimos dias, cresceu o número de alertas feitos por sindicatos de médicos, enfermeiros, farmacêuticos e outros profissionais de saúde, pela exposição sofrida durante o tratamento de pacientes com covid-19.

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A queixa é pela falta de material de proteção, principalmente de máscaras, o que seria um dos motivos pelo alto número de contágio entre as diferentes categorias.

Como a Alemanha avança para conter o novo coronavírus e salvar vidas

Em meio ao aumento exponencial das infecções pelo novo coronavírus na Europa, que já registra mais de 286 mil casos e 16 mil mortes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), países do continente enfrentam sérias dificuldades para lidar com a pandemia.

Até mesmo a organizada e próspera Suíça, afetada em parte pela proximidade com a Itália, pode ver o seu sistema de saúde colapsar devido ao grande número de pacientes.

Um cenário menos caótico, contudo, ocorre na Alemanha. Apesar de mais de 5,7 mil novos casos terem sido contabilizados apenas na sexta-feira (27/3), o país parece administrar a crise de forma mais eficiente que vizinhos como Espanha, França e Itália.

Com mais de 42,2 mil casos registrados, a Alemanha contabiliza 253 mortes, contra mais de 8,1 mil óbitos na Itália, 4 mil na Espanha e 1,6 mil na França. Então, quais estratégias têm sido adotadas por Berlim para desacelerar a pandemia do novo coronavírus?

A Alemanha vem conseguido identificar rapidamente muitos casos de covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, em especial as infecções mais leves que poderiam passar despercebidas. Assim, é possível isolar os contaminados antes que esses espalhem ainda mais o vírus. Isso ocorre devido à grande quantidade de exames realizados no país.

“O Robert Koch Institute (RKI) recomendou testes gerais muito cedo, a fim de detectar casos o mais rápido possível e diminuir a propagação. Provavelmente, é por isso que começamos a ver os casos muito cedo”, explica à BBC News Brasil uma porta-voz da agência do Ministério da Saúde alemão responsável pelo controle de doenças no país.

“Se você começar a ver mortes, isso indica que o vírus já está ativo na comunidade há algum tempo (o mesmo ocorre com a gripe)”, completa.

Testes em escala

Segundo a Kassenärztliche Bundesvereinigung (Associação Nacional de Médicos Estatutários de Seguros de Saúde da Alemanha), na semana de 9 de março, foram realizados 100 mil exames para identificar a presença da covid-19. Na semana anterior, foram 35 mil. Esses dados são apenas do sistema ambulatorial e não incluem informações de hospitais. Ou seja, os números provavelmente são maiores.

Exames em larga escala têm sido conduzidos em outros países. A Coreia do Sul, onde o índice de mortalidade também é baixo (1,1% contra 0,4% da Alemanha), já realizou mais de 338 mil testes, de acordo com o governo local. Essa abordagem tende a identificar casos mais cedo, permitindo que os infectados sejam isolados rapidamente.

A Itália realizou mais de 258 mil exames até 22 de março, mas a demora inicial para responder à pandemia pode ter reduzido a efetividade da medida. “A Itália não estava preparada. [Teve] um nível baixo de testes e, em grande parte, realizados em pacientes graves e com prognóstico ruim”, diz o especialista em pneumatologia Joachim H. Ficker, da Klinikum Nürnberg, na Bavária.

Os testes para identificar a covid-19, contudo, são caros e não devem ser usados aleatoriamente. O RKI recomenda exames apenas em quem tiver contato próximo com um infectado, quem tenha retornado de áreas de risco ou com casos confirmados, e que tenham pneumonia viral de causa desconhecida e sem nenhuma exposição ao novo coronavírus. Pessoas assintomáticas não costumam ser testadas.

“Identificar o máximo possível de infecções está ajudando a evitar transmissões. Testar e encontrar esses casos é uma estratégia valiosa para permitir que programas impeçam a propagação”, afirma o infectologista Christoph D. Spinner, do Hospital Técnico de Munique, uma das instituições na linha de frente ao combate da pandemia na Alemanha.

Por outro lado, os testes sozinhos não são o bastante. Também é preciso o distanciamento social para retardar o avanço do vírus até que uma vacina esteja disponível.

“Como mais de 70% das infecções resultam de casos não detectados (mesmo que haja muitas triagens), é necessária uma quarentena rigorosa, a fim de reduzir o número de contatos e transmissões”, explica a virologista Ulrike Protzer, professora da Escola de Medicina da Universidade Técnica de Munique.

O governo alemão, entretanto, tem buscado evitar uma quarentena. No domingo passado (22/3), a chanceler Angela Merkel anunciou, após debater com líderes regionais, a proibição de reuniões com mais de duas pessoas, excluindo aqueles que vivem na mesma residência. Também é preciso manter uma distância mínima de 1,5 metros quando em público. Serviços nos quais não é possível manter uma distância de 2 metros, como cabeleireiros e estúdios de tatuagens, serão fechados.

O estado de North Rhine-Westphalia foi além e autorizou multas de até 25 mil euros (R$ 142,4 mil) para aqueles que violarem as regras repetidamente. Quem for pego fazendo um piquenique na região, por exemplo, pode ter que pagar 250 euros (R$ 1,43 mil) cada pela infração.

Grandes aglomerações já haviam sido proibidas e bares, casas noturnas, escolas, universidade e parte do comércio também estavam fechados, em parte devido a recomendações do RKI. “Esperamos que em duas semanas possamos saber se as medidas drásticas adota-das ajudaram a diminuir a propagação do vírus”, afirma o instituto.

Amplo acesso à saúde

Até o momento, o sistema de saúde alemão está sendo capaz de absorver os pacientes que necessitam de tratamento hospitalar. O governo federal anunciou o aumento da sua capacidade de leitos de UTI com ventiladores, de 28 mil para 50 mil.

O governo da capital Berlim também aprovou um plano para construir um hospital com capacidade para atender mil pacientes.

Na Alemanha, toda a população é obrigada a ter seguro de saúde. A grande maioria opta pelo sistema público, pago diretamente pelo contribuinte a seguradoras e que pode ser descontado do imposto de renda. Logo, quase todos os habitantes do país têm acesso a um dos melhores e mais bem equipados sistemas de saúde do mundo.

“Temos um sistema de saúde muito bom na Alemanha. Em contraste, por exemplo, com os Estados Unidos. Todos são cobertos por um plano de saúde e recebem assistência médica de alta qualidade em ambulatório e em hospitais”, diz Protzer.

Resposta ágil

Após observar a gravidade da situação na Itália, os especialistas acreditam que a Alemanha reagiu rapidamente à pandemia e tem conseguido lidar com casos graves e conter o vírus.

“A Alemanha reagiu muito cedo quando um primeiro cluster de infecção foi identificado em janeiro, em Munique. Como resultado, intensa administração e programas foram preparados pelo governo nacional e regional para combater a covid-19”, explica Spinner.

Ainda não se sabe, porém, quanto tempo as medidas de distanciamento social devem durar. “Tudo depende de quão eficiente formos em educar o público e de como as pessoas vão cooperar. Olhando para a China, pode ser preciso ao menos oito semanas para ter sucesso”, avalia Protzer.

Outro fator a ser analisado, explicam os médicos, é a elevada possibilidade de novos surtos do vírus mesmo após a sua contenção. “Haverá um risco remanescente de novos surtos. Teremos que desacelerar o máximo possível a epidemia para evitar o colapso do sistema de saúde e permitir o desenvolvimento de uma terapia e de uma vacina”, afirma a virologista.

Proteção social

O governo alemão adotou diversas medidas para proteger a economia, empresas e trabalhadores afetados pela pandemia. Ainda nesta semana, o Parlamento deve aprovar um superpacote de estímulo emergencial que pode chegar a 750 bilhões de euros (R$ 4,27 trilhões), equivalente a mais da metade de todo o PIB brasileiro em 2019.

Pequenas empresas e freelancers poderão receber até 15 mil euros (R$ 85,5 mil)em subsídios diretos em um período de até três meses casos seus rendimentos sejam afetados pela pandemia. Desta forma, os trabalhadores afetados não precisariam se arriscar para manter sua renda.

Além disso, 400 bilhões de euros (R4 2,28 trilhões) devem estar disponíveis para companhias maiores por meio de um fundo de estabilização.

Outras medidas incluem um programa de crédito ilimitado via o banco estatal de desenvolvimento KfW. Senhorios também não poderão despejar os inquilinos que não conseguirem pagar o aluguel devido à pandemia.

Presidente da Uefa: tem três planos para acabar temporada na Europa

Paralisado em razão da pandemia do novo coronavírus, o futebol europeu ainda não tem data para voltar. Diante de um cenário cheio de incertezas, o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, disse que trabalha com várias possibilidades para finalizar todas as competições na Europa.

“Não sabemos quando essa pandemia terminará, mas temos um plano A, B e até C. Estamos em contato com as ligas, com os clubes, há um grupo de trabalho. Temos que esperar, como qualquer outro setor”, disse Ceferin, em entrevista ao jornal italiano La Repubblica.

Ceferin apresentou algumas datas possíveis. Ele crê que a temporada seja reiniciada em breve, mas admite que, se os torneios não forem retomados até o fim de junho, as disputas estão perdidas.

“Poderíamos começar de novo em meados de maio, de junho ou no fim de junho. Então, se não conseguirmos, a temporada provavelmente está perdida”, reconheceu o esloveno. “Há também a proposta de terminar esta temporada no início da próxima, que seria adiada, começando um pouco mais tarde”, acrescentou.

Sobre a redução dos salários dos jogadores, Ceferin enfatizou que não existe “espaço para egoísmos” nesta situação, ressaltando que muitos jogadores estão de acordo. Alguns clubes, como Barcelona e Paris Saint-Germain, já anunciaram a medida, como forma de mitigar o impacto econômico provocado pela pandemia.

O esloveno que comanda desde 2016 a entidade que rege o futebol europeu rechaçou a possibilidade de haver jogos com portões fechados.

“Vamos ver quais são as melhores soluções para as diferentes ligas e clubes. É difícil imaginar todos os jogos de portões fechados, mas agora nem sabemos se vamos retomar, com ou sem espectadores. Se não houver outras alternativas, ainda seria melhor concluir o campeonato”, declarou o presidente da Uefa. “Posso dizer que não penso nas finais da Liga dos Campeões de portões fechados”, reforçou.

O dirigente também rebateu as críticas pela manutenção da disputa de parte das oitavas de final da Liga dos Campeões, especialmente do duelo entre Atalanta e Valencia, disputado em Milão, cidade na região da Lombardia, uma das mais afetadas pela doença na Itália. O prefeito de Bérgamo, também na Lombardia, chegou a dizer que o confronto foi uma “bomba biológica” de propagação da covid-19 na Itália e Espanha.

“Eu vi uma crítica idiota sobre a viagem a Milão, mas em 19 de fevereiro (data da partida) ninguém sabia que a Lombardia seria o centro da epidemia”, considerou.

Covas em hospital da Brasilândia: ‘é uma luta contra o inimigo invisível’

O prefeito Bruno Covas visitou, na manhã deste sábado (28), o Hospital Municipal da Brasilândia, onde devem funcionar 150 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e 30 leitos de enfermagem para o tratamento de pacientes com a covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Segundo o prefeito, dessa maneira, serão 725 leitos a mais de UTI para atender a capital paulista durante a pandemia de coronavírus.

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Durante a visita, o prefeito voltou a comentar sobre as políticas de São Paulo para conter o avanço da pandemia. “É uma luta contra um inimigo invisível, muitas vezes as pessoas não entendem a necessidade do isolamento. Mas, a cidade tem demonstrado o quanto isso se refletiu no achatamento da curva de contágio.”

Covas disse também que “não se trata de uma questão de higiene, mas uma questão humanitária de respeito à família, ao semelhante.” De acordo com o secretário de saúde, Edson Aparecido, o hospital começará a funcionar em 40 dias. Segundo ele, até a próxima sexta-feira uma parceria com cinco laboratórios privados deve possibilitar a chegada de mais 600 mil testes rápidos na cidade. 

“É fundamental associarmos as medidas de isolamento social à preparação da rede pública para o momento mais agudo de propagação da doença, que deve ocorrer em abril ou maio”, disse Edson Aparecido.

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O prefeito estava acompanhado dos Secretários de Saúde, Edson Aparecido, da Infraestrutura Urbana e Obras, Vitor Aly, Desenvolvimento Econômico e Trabalho – Aline Cardoso e Subprefeito da Freguesia do Ó-Vila Brasilândia, Sergio Rodrigues Gonelli. 

EUA aprovam teste para coronavírus que pode dar resultado em minutos

A Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos, deu luz verde na noite desta sexta-feira (27) para o uso de um teste de diagnóstico do novo coronavírus, fabricado pela companhia Abbott, que oferece resultados em menos de 15 minutos.

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A agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA autorizou o uso do aparato, que serve para “detectar o ácido nucleico do ARN (ácido ribonucleico) viral do SARS-CoV-2, em amostras diretas nasais, nasofaringes e garganta”.

A Abbott, por sua vez, explicou em comunicado que o teste pode dar os resultados positivos em cinco minutos, e os negativos em 13.

A companhia explicou que os equipamentos estarão disponíveis na próxima semana nos centros de saúde designados pelo governo dos EUA. A intenção da empresa é disponibilizar 50 mil deles de forma imediata, para posteriormente, conseguir produzir 5 milhões por mês.

Os testes são portáteis e, ainda de acordo com a Abbott, podem ser realizados fora dos hospitais, nos chamados “pontos quentes” da pandemia no país.

Na noite desta sexta, os dados coletados pela Universidade Johns Hopkins, dos mais atualizados sobre a situação no planeta, indicava que os Estados Unidos tinham 104.837 mil casos, sendo o país líder neste ranking, além de 1.711 mortes.