Moradores de antigos guetos da África do Sul temem o coronavírus

“Estou com medo porque não sei o que vai acontecer”, admite Lucy, uma moradora do “township” de Wattville, aos 87 anos. Como ela, milhões de sul-africanos vivem nos antigos guetos negros e assentamentos informais do país com poucos recursos e aguardam a chegada do coronavírus com medo. A África do Sul já passou a barreira do mil casos confirmados da infecção e está liderando a epidemia de covid-19 no continente africano.

Segundo estimativas do Banco Mundial, cerca de metade da população urbana da África do Sul  vive nesses tipos de lugares: em casas pequenas que freqüentemente abrigam várias famílias, sem dinheiro para comprar comida e guardá-la por dias, e com o hospital mais próximo a alguns quilômetros de distância.

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Estas centenas de milhares de pessoas também não podem, por exemplo, obter álcool gel para higienizar suas mãos, conforme recomenda a OMS (Organização Mundial da Saúde) para conter a disseminação do coronavírus. Elas não podem pagar.

Mas no “township” — o nome das antigas favelas reservadas à população negra durante o regime racista do apartheid — de Wattville (leste de Joanesburgo), os moradores, pelo menos, têm sorte porque têm água.

“Quero ficar aqui e trancar a porta (…). Mas na próxima segunda-feira tenho que ir ao hospital para tratamentos e estou com medo, não sei o que vou fazer. Devo ir ou não?”, diz Lucy ao receber a reportagem da Agência Efe em sua casa.

Ela mora com a filha (em tratamento de HIV) e seus quatro netos, mas para ir ao hospital, precisa viajar meia hora nos microônibus lotados que, na ausência de transporte público, estruturam a vida de Joanesburgo.

“Um (vizinho) me perguntou ontem o que vamos fazer com nossos remédios e injeções e eu disse ‘realmente, não sei'”, argumentou angustiada.

Para fazer a compra, a de Lucy família também depende da pensão que ela recebe no final do mês. Só que sua filha deve retirar os fundos pessoalmente e ainda não sabe como vai fazer, já que, a partir desta sexta-feira (27), entrou em vigor em toda a África do Sul o confinamento geral de 21 dias ordenado pelo presidente, Cyril Ramaphosa.

O primeiro infectado com o vírus foi detectado na África do Sul em 5 de março — um homem que havia viajado para a Itália — e, durante os dias seguintes, o número de infectados permaneceu baixo e sem transmissão local.

Mas a partir de 14 de março, quando a Europa se consolidou como o novo epicentro da pandemia e do coronavírus, o aumento de casos sul-africanos começou a acelerar e, em apenas uma semana, os testes positivos se multiplicaram por dez.

Até o momento, o governo confirmou mais de mil infecções, o pior número em toda a África, à frente de países como Egito ou Argélia, que estavam no topo da lista no início do surto.

Em todo o continente, praticamente não restam nações sem casos e a grande incógnita é se os métodos de contenção aplicados na China ou na Europa atenderão às condições específicas da África.

Medidas drásticas parecem a única maneira de evitar um desastre grave em países com sistemas de saúde precários. Em caso de dúvida, a maioria dos governos africanos optou por agir desde o início, impondo vetos à entrada de estrangeiros, cancelamento de grandes eventos e a suspensão das aulas.

Países como Ruanda (que tem 50 infectados) ou a própria África do Sul já deram um passo adiante e ordenaram o confinamento geral da população, que só pode sair de casa para tarefas essenciais.

Mas colocar o isolamento em prática em países com grandes assentamentos informais, campos de refugiados e distritos pobres superlotados sem serviços básicos não será fácil.

“É devastador porque como você pode ficar em casa por 21 dias? Temos que ir e fazer compras, nossos filhos brincam na rua …”, explica Thandi, outra moradora de Wattville.

Thandi é mãe de quatro filhos e mora com cinco famílias na mesma propriedade.Eles compartilham um banheiro do lado de fora e uma geladeira pequena não permite que eles armazenem alimentos por vários dias.

“Não temos seguro médico (…). O governo deve nos ajudar com desinfetantes e máscaras, porque não temos isso”, acrescenta.

Judith Sunday trabalha em Wattville, incansavelmente. Ele administra uma clínica de atendimento primário ao HIV do programa comunitário da ONG Methodist Wattville Outreach Community e coordena mais de trinta voluntários que testam, entregam medicamentos e educam a comunidade sobre prevenção e necessidade de superar o estigma em torno da aids.

Se o coronavírus chegar a Wattville, estes voluntários estarão lá ajudando. Como já estão ajudando: ele não apenas dedicam-se a tarefas normais, mas também respondem a perguntas, ouvem e aconselham diante da incerteza gerada pela pandemia.

Quando alguém passa pela porta, vários voluntários oferecem desinfetante para as mãos e quase em todas as paredes há placas para lembrar de lavá-las. Alguns membros da equipe têm máscaras de pano e luvas descartáveis, mas não há estoques suficientes para distribuir entre todos os que fazem fila diariamente na clínica.

Como líder social nessa pequena comunidade e como fornecedora de serviços essenciais de saúde para seus vizinhos, Judith diz que não pode se dar ao luxo de “entrar em pânico” com o coronavírus.

“É muito importante que eu seja forte para que eles tenham esperança, para que vejam que isso vai acabar”, assegura.

Em geral, ela concorda com a linha dura que o governo de Ramaphosa marcou, mas diz que o plano carece de uma implementação real de medidas nas localidades. Judith pede, por exemplo, a fumigação das escolas, como foi feito na China, e um contato direto do Executivo com organizações como a sua, que são aquelas que trabalham diretamente com as comunidades mais vulneráveis.

“Como acontece com os empregadores, com os sindicatos e com os líderes religiosos tradicionais”, exemplifica. “O setor sem fins lucrativos é o com mais pessoas que podem trabalhar contra a covid-19, se recebermos equipamento adequado e treinamento rápido”, acrescenta.

Sem remédios e dinheiro, brasileiros no Egito imploram: ‘Nos tirem daqui’

O professor de matemática da rede pública de Caraguatatuba (SP) Fábio Galfke Barbero, de 48 anos, ficou meses juntando o dinheiro que dava para fazer a viagem dos seus sonhos. Seriam 38 dias passando por quase vinte países, o problema é que ao chegar ao 18º, o Egito, em 15 de março, os aeroportos foram fechados por causa da pandemia do coronavírus.

Barbero conta os últimos trocados e não faz ideia de quando poderá retornar. Pior que isso, toma remédios que acabaram no início desta semana. Um para uma doença crônica que afeta sua imunidade e outro para manter os nervos em dia, receitado quando teve depressão, há 12 anos. “Sabe aquela pessoa que fala palavrão, xinga e briga com todo mundo a qualquer hora? Sou eu agora”, diz.

Sua história e a dos inúmeros brasileiros presos no Egito autorizam-nos a ficar bravos. O Itamaraty não informa o número oficial. “A Embaixada do Brasil não nos ajuda em absolutamente nada, nem informações corretas sabem passar. Falam agora que a gente tem que pagar do próprio bolso pelo voo de volta, que nem sabemos se tem alguma chance de sair.”

Segundo o professor, uma das opções que sugeriram é a compra de bilhetes para Beirute, e de lá partirem para São Paulo, mas os aeroportos do Líbano estão fechados. O Ministério das Relações Exteriores brasileiro foi procurado pelo R7, mas não respondeu nada até a publicação desta reportagem.

Fábio Barbero saiu do Brasil em 24 de fevereiro. Na passagem por Itália e Espanha, dois dos países mais castigados pelo coronavírus, estranhou que ninguém usava nada para se proteger da covid-19. “Parecia que não havia risco, não estavam nem aí. Chegamos a tirar foto porque éramos os únicos com máscaras.”

Desembarcaram no Egito ele e os amigos Jean e Valéria, que também está sem remédios essenciais para o tratamento de sua doença crônica, a fibromialgia.

As escalas seguintes foram todas canceladas. De Dahab, a 800 quilômetros do Cairo, iriam para Israel, de lá para a França e então para o Brasil.

Se hoje está perceptivelmente desolado e irritado com o descaso do governo brasileiro, não é isso o que repassa para os familiares brasileiros. “Quando falo com eles, digo que está tudo bem, que a embaixada ajuda bastante e que logo estará tudo resolvido …”

No dia em que falou com o R7, sexta-feira (27), completavam-se 14 meses da morte de seu sobrinho, uma criança. O episódio deixou a família inteira em luto. Por mais que saiba o tamanho do problema que está passando, não tem coragem de levar mais aborrecimentos aos parentes.

Fábio se diz uma pessoa feliz, de alto astral (como mostra a foto acima), mas admite que tem momentos nos quais tem que se esforçar para ficar assim.

Como nesses últimos dias.

“Liguei para o Brasil para ver se meu médico conseguia despachar meus medicamentos e ele foi super grosseiro. Eu não posso ficar sem os remédios. Preciso voltar logo, quero que me tirem daqui!”

Segundo ele, ficar mais de uma semana sem remédio pode comprometer bastante sua saúde, e logo no período em que deveria estar mais forte para se proteger do coronavírus.

A diária de seu hotel vence neste sábado (28), mas um empresário local cedeu hospedagem ao saber a história do trio brasileiro. “Quanto ao resto, não sei o que fazer. Estamos passando necessidade em um país com uma estrutura médica terrível e com toque de recolher nas ruas.” 

Há alguns dias, sentiu fortes dores abdominais e teve de procurar atendimento médico em Dahab. “Você não tem noção do que é um hospital egípcio, não usam luvas e não têm qualquer tipo de prevenção contra a pandemia.” Não era nenhum problema mais grave de saúde, mas custou 500 libras egípcias (por volta de R$ 160). “É pouco, mas para a gente que está sem nada é uma fortuna.”

A história de Fábio é uma entre dezenas de dramas pessoais de pessoas que só querem ter o direito de voltar. Entre as quais…

A de Valeria Vieira Rocha Arrais, professora e servidora pública, amiga de Fábio Barbero, a que toma remédios contra fibromialgia. “A gente não vê movimentação no sentido de nos repatriar, estamos no final de viagem e os recursos estão acabando. Não podemos gastar com passagem sendo que a qualquer momento elas podem ser canceladas. Sinto dores no corpo, tomo medicamento controlado. Teria que ingerir duas cápsular por dia, mas, como estou racionando, só tomo uma. Meu corpo já amanhece enrijecido e sinto dores. Tenho muita pressa.”

Ou de Bianca Diniz Camargo, 19 anos, esteticista. “Estamos muito assustados, pois o Egito não tem boa estrutura hospitalar e estamos com nosso dinheiro contado. A Embaixada do Brasil pede para comprarmos passagens com custos absurdos, de mais de R$ 12 mil, e quando falamos em repatriação dizem que isso não é possível.”

Sergio Póvoa, chef de cozinha. “Vim para abrir o primeiro restaurante brasileiro no país .Estamos voltando por causa do fechamento de todos os hotéis no Egito. A empresa está tentando nos mandar de volta ao país desde o dia 18, quando chegou a ordem de fechar tudo. Estamos bem, sendo monitorados diariamente [o hotel em que trabalha mede a temperatura e faz perguntas sobre a saúde dos funcionários]. Estamos só esperando abrir a primeira janela para o Brasil.”

Edmo Roberto Maia, 66 anos, grupo de risco da covid-19. “Não tenho condições de comprar as passagens a esse preço que estão pedindo e a embaixada só tem mandado esperar.”

Paloma Duarte Figueiredo. “O dinheiro está acabando e não tenho como me manter no mês que vem. Não tenho opção e espero uma solução rápida do Brasil.”

Gabriela Barbosa de Almeida. “Eu iria sair do Cairo no dia 24 para Dubai, depois para Portugal e então para o Brasil, mas os voos da Emirates foram suspensos. Eu preciso de ajuda para comprar outro bilhete. Nossa situação está muto difícil.”

Jean Cley Miranda dos Santos. “Tenho um voo marcado amanhã [sábado] da França para o Brasil, mas não tenho como ir. A embaixada dá pouco apoio, somente informações incompletas.”

Brasileiros que moram fora contam como viver bem mesmo isolados

O primeiro caso de coronavírus no Brasil foi há um mês e a quarentena nos estados só começou na última semana. Mas muitos brasileiros já enfrentam o desafio de estar em isolamento social há bastante tempo.

De acordo com estimativa do Itamaraty, mais de 3,5 milhões de pessoas que nasceram aqui vivem no exterior. O R7 conversou com três mulheres que moram na Itália e na Espanha, os dois países com mais mortos pela covid-19, para descobrir o que está funcionando para elas no isolamento e o que pode ser útil para nós.

Sabrina faz doutorado em epidemiologia na Universidade Degli Studi di Torino, em Turim, na Itália, e já está em casa há mais de um mês. Manter a rotina foi um jeito ficar centrada nesses dias difíceis.

“Durmo e acordo nos horários normais e as refeições são rotineiras também. Eu gosto de cozinhar e enquanto preparo converso por Skype com meu namorado que está no Brasil. O estranho é que todos os dias são iguais. Não dá para saber se é sábado, domingo ou quarta-feira, pois não temos vida social que faça essa distinção”, explica Sabrina.

Para Julia Pecci, jornalista que mora em Madrid e está há 17 dias em casa, seguir um planejamento diário ajudou muito.

“Acordo cedo, tiro o pijama, me alongo ou faço algum exercício. Meu apartamento é pequeno, então quase não me movimento durante o dia.  Tenho a rotina do almoço e jantar na sala, junto com a minha amiga que mora comigo. Montei um mini escritório no quarto e só uso para trabalhar.

Amor de amigos e da família

Além de seguir um cronograma, manter o contato com quem elas amam ajuda muito a passar os dias. “Fico com a minha filha e com meu marido e fazemos coisas que não são só ficar ligada na doença e no problema. Juntos pensamos como serão as coisas quando tudo terminar. Precisamos cuidar da cabeça, se não as coisas ficam críticas”, conta Mariana, que mora em Val Brembilla, província que fica a 15 quilômetros de Bergamo, epicentro da covid-19 na Itália.

Ela, o marido Rômulo e a filha Manuela moram lá há dois anos e estão em casa há 18 dias. Mariana trabalha vendendo algumas delícias que só têm no Brasil, como coxinha e brigadeiro.

Para Julia o contato com amigos e família, mesmo que por telefone ou internet, faz diferença. “Fale com as pessoas, ligue, deixe as mensagens de texto para trás. Ligue, veja as pessoas pela câmera do celular. Ajuda a matar a saudade e faz a quarentena não ser tão solitária, principalmente para quem mora sozinha”, avisa a jornalista.  

Projetos paralelos

Nos momentos em que não estão trabalhando, Sabrina e Julia resolveram dar mais energia à projetos que têm fora do trabalho. Com isso, diminui o tempo ocioso dentro de casa.

A jornalista tem um blog que conta suas viagens pelo mundo. “Escrevo sobre Madrid e minhas viagens na Europa no blog @itravelwetravel. Tenho aproveitado para falar do corona aqui na Espanha para tentar mostrar para todos que sim é possivel passar por isso”, diz Julia. 

O blog de Sabrina é sobre como viver com sustentabilidade é o @pegadanaterra. “Tenho trabalhado muito, mas isso é algo que eu gosto muito de fazer, que é comunicação, viagens e sustentabilidade. Nem vejo as horas passarem. Me dedico de todo coração no conteúdo que eu coloco ali.”

Olhar o lado bom

Ver o lado bom das coisas e repensar o futuro são dicas que Sabrina, Mariana e Julia concordam. 

“Você não precisa estar bem todos os dias. Ficar em casa confinada não é legal, não vou mentir. Mas é o que tem no momento e decidi passar por isso da melhor maneira possível”, afirma Julia.

Mariana e Sabrina já pensam quando a crise do coronavírus terminar. “O planeta reagiu às nossas atitudes. Se continuarmos explorando, desperdiçando e poluindo como antes, as catástrofes serão cada vez maiores. Temos de mudar drasticamente nosso jeito de viver, consumir, nos alimentar e exercer a cidadania”, alerta Sabrina.

“Por pior que seja tudo isso que está acontecendo, tem coisas boas. Todos precisamos passar por isso para se conhecer melhor, crescer de alguma forma e dar valor para as coisas que realmente importam”, completa Mariana.

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China relata 54 novos casos de coronavírus nesta sexta-feira

A Comissão Nacional de Saúde da China afirmou que 54 novos casos de coronavírus foram registrados na China continental nesta sexta-feira (27), todos envolvendo os chamados casos importados. Foram 55 os novos casos no dia anterior.

O número total de infecções na China continental agora é de 81.394, com o número de mortes aumentando em 3, passando a 3.295, disse o documento.

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Los Angeles pode igualar Nova York em casos de coronavírus em 5 dias

Os casos de coronavírus em Los Angeles estão aumentando, colocando a região no caminho para ter tantos casos quanto a cidade mais atingida nos Estados Unidos, Nova York, em cinco dias, disse o prefeito Eric Garcetti nesta sexta-feira (27), falando de um navio-hospital no Porto de Los Angeles.

O número de casos no condado de Los Angeles subiu 50% na quinta-feira e outros 20% até meio-dia de sexta-feira, para um total de 1.465, afirmou Garcetti em entrevista coletiva com o governador democrata, Gavin Newsom, a bordo do navio.

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Se o crescimento seguir no ritmo de quinta-feira, o condado vai igualar os 25.398 casos da cidade de Nova York em cinco dias; se os casos aumentarem na taxa de sexta-feira, levará apenas mais alguns dias para alcançar a metrópole da Costa Leste.

“Nosso modelo está se movendo como esperávamos”, disse Newsom. “Em Los Angeles, eles estão vendo números que os colocam no caminho para ficar alinhados, dentro de uma semana, onde a cidade de Nova York está atualmente.”

Newsom e Garcetti percorreram o U.S.N.S. Mercy Hospital Ship, instalado no Porto de Los Angeles para fornecer mais 1.000 leitos ao sistema médico da região. O navio será usado para casos que não sejam de Covid-19, para que outros hospitais possam aumentar sua capacidade de cuidar de vítimas da doença causada pelo coronavírus.

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O aumento da capacidade na Califórnia ocorre quando médicos e enfermeiros da linha de frente da crise do coronavírus nos EUA pediram, na sexta-feira, por mais equipamentos de proteção para tratar pacientes que devem sobrecarregar hospitais, já que o número de infecções conhecidas nos EUA atingiu mais de 100.000.

Os Estados Unidos ficaram em sexto lugar no número de mortos entre os países mais atingidos, com pelo menos 1.551 vítimas fatais, de acordo com dados oficiais compilados pela Reuters. Em todo o mundo, há mais de 576 mil casos confirmados e 26.455 mortes, informou o Centro de Recursos de Coronavírus Johns Hopkins.

Até sexta-feira, 3.801 pessoas testaram positivo para coronavírus na Califórnia e 78 morreram, disse Newsom.

Prefeito de Nova York diz que terá material médico só até 5 de abril

O prefeito de Nova York, epicentro da epidemia do novo coronavírus nos Estados Unidos, Bill de Blasio, advertiu nesta sexta-feira (27) que a cidade só tem equipamentos médicos para tratar pacientes com Covid-19 até 5 de abril e disse que um ponto de virada se aproxima.

“Temos o que precisamos para a próxima semana, mas para depois do domingo, 5 de abril, eu me preocupo muito se vamos ter o pessoal e o material médico de que precisamos”, declarou De Blasio em sua entrevista coletiva diária, na qual informou que 25.573 casos de coronavírus e 366 mortes por Covid-19 foram registrados em Nova York até agora.

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O prefeito agradeceu ao governo federal por ter recebido cerca de 2,5 mil ventiladores na última semana, mas ressaltou que a cidade precisa de pelo menos 15 mil unidades. De Blasio também criticou o presidente dos EUA, Donald Trump, por contestar a necessidade dos equipamentos.

“Eu insisto nesse número porque acho que se baseia em fatos. Reiterei isso ao presidente Trump e a outros membros da administração”, salientou.

De Blasio também revelou sua preocupação com as congregações religiosas que têm continuado acontecendo em algumas igrejas e sinagogas em Nova York. “Não são muitos, mas alguns ainda estão acontecendo”, criticou o político, que lembrou que as instituições religiosas que não cumprirem com a medida enfrentarão penalidades financeiras ou mesmo o fechamento permanente de suas instalações.

Ele também deixou claro que as autoridades de Nova York estão considerando impor multas a todas as pessoas que participam de congregações de mais de dez pessoas, o máximo permitido no Estado de Nova York, uma região onde quase metade das mais de 100 mil infecções nos EUA estão concentradas.

“Neste fim de semana vamos decidir se vamos ter de começar a multar todos os que não seguem as regras”, disse.

Vem sendo considerada a possibilidade de que o vírus possa estar se espalhando no asilo do Highland Care Center, em Queens, onde em pouco mais de quatro horas três pessoas morreram, de acordo com a imprensa local.

Porém, por enquanto, não se sabe se elas foram infectadas pela covid-19. Um dos moradores, de 61 anos, sofria de hipertensão, enquanto um homem de 91 anos tinha problemas cardíacos, assim como uma mulher de 99 anos.

EUA já têm mais de 100 mil casos de coronavírus, segundo universidade

Os Estados Unidos superaram, nesta sexta-feira (27), a barreira dos 100 mil casos de infecção pelo coronavírus. De acordo com o levantamento da Universidade Johns Hopkins, que concentra relatórios dos hospitais de todo o país, o número de infectados nos EUA chegou a 100.717, com um total de 1.544 mortos.

Com isso, os EUA seguem como o país com maior número de doentes em todo o mundo, à frente da China, onde se originou a pandemia e da Itália.

Leia também: Congresso dos EUA aprova maior pacote de estímulo econômico da história

De acordo com o levantamento, Nova York segue como maior foco da doença no país, com pouco menos de 44.870 pacientes.

EUA: Congresso aprova maior pacote de estímulo econômico da história

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira (27) um pacote de estímulo fiscal de mais de US$ 2 trilhões (cerca de R$ 10 trilhões) — o maior da história — para tentar conter o impacto econômico da pandemia do coronavírus transmissor da covid-19.

O plano de estímulo, que representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, já tinha recebido luz verde do Senado ontem, e com isso resta apenas a assinatura do presidente dos EUA, Donald Trump, para que passe a valer.

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Trump já antecipou que, assim que ela chegar à sua mesa, assinará a legislação, aprovada no Congresso pelos políticos dos partidos Democrata e Republicano em uma rara demonstração de apoio bipartidário.

O pacote de estímulo fiscal representa quase o triplo do montante de US$ 700 bilhões (cerca de R$ 3,75 trilhões) concedido após a detonação da crise econômica mundial de 2009.

A legislação inclui US$ 250 bilhões (cerca de R$ 1,275 trilhão) para pagamentos diretos a pessoas e famílias, a partir de US$ 1,2 mil (cerca de R$ 6 mil) para aqueles com renda inferior a US$ 75 mil (cerca de R$ 382 mil) por ano, mais US$ 500 (R$ 2.550) para cada filho com menos de 17 anos.

Além disso, estarão disponíveis US$ 350 bilhões (cerca de R$ 1,785 trilhão) em empréstimos para pequenas empresas e outros US$ 250 bilhões (cerca de R$ 1,275 trilhão) para aumento dos benefícios do seguro-desemprego.

Outros US$ 150 bilhões (cerca de R$ 785 bilhões) ficarão para apoio às autoridades estaduais e locais, e US$ 130 bilhões (cerca de R$ 663 bilhões) para fortalecer o sistema de saúde, que em alguns lugares, como o estado de Nova York, está começando a sentir sobrecarga.

Um dos itens mais contestados tem sido o fundo de empréstimo de US$ 500 bilhões (cerca de R$ 2,55 bilhões) para empresas em dificuldades, como os setores aéreo, hoteleiro e de cruzeiros, já que a Casa Branca e os políticos republicanos queriam que ele fosse administrado exclusivamente pelo Departamento do Tesouro.

Após a oposição dos democratas, a verba ficará sujeita à supervisão de um inspetor independente e traz condições como a limitação dos salários dos executivos, assim como a proibição a empresas do uso de fundos de resgate para recomprar ações a preço mais baixo.

Brasileiros se mobilizam para deixar África do Sul em meio a lockdown

Um grupo de cerca de 250 brasileiros retidos em Joanesburgo, na África do Sul, se articula para tentar voltar ao Brasil em meio ao lockdown, o nível mais rígido controle de circulação, que entrou em vigor no país a partir da meia-noite desta sexta-feira (27) para conter a disseminação do novo coronavírus. As fronteiras foram fechadas e todos os voos domésticos e internacionais, cancelados. A restrição vale até 23h59 do dia 16 de abril.

O grupo inclui idosos, crianças, pessoas com lesões que precisam voltar ao país para tratamento, pessoas que usam medicação controlada e precisam de reposição de remédio e inclusive o pai de um paciente que está internado com coronavírus no Brasil, conta a empresária Bárbara Braz, de 29 anos.

Bárbara viajou para Joannesburgo a trabalho há dois meses e se preparava para voltar para casa quando foram cancelados todos os voos da companhia aérea Latam Airlines no país entre os dias 22 e 29 de março. Ela e outros cerca de 140 passageiros foram para um hotel que está sendo custeado pela companhia. Em contato com este grupo, há outros 122 brasileiros que estão se mantendo por conta própria em hotéis ou imóveis alugados.

O grupo tem mantido contato com a embaixada e a companhia aérea e alega ter sido informado tanto pela companhia como pela embaixada do Brasil na África do Sul que partiriam em dois vôos previstos para os dias 30 e 31 de março. Os brasileiros ainda não sabem, no entanto, como ocorreria o transporte dos locais onde estão abrigados para o aeroporto, já que não pode haver circulação pelas ruas. “Não podemos nem circular na área comum do hotel. Só temos autorização de ir ao restaurante na hora de alimentação”, conta Bárbara.

A Latam informou que obteve autorização para voar a partir de Joanesburgo no dia 1º de abril e que está em contato com os passageiros para passar as informações necessárias.

De acordo com a embaixada brasileira na África do Sul, cerca de 500 brasileiros entraram em contato, mas o número não corresponde necessariamente ao total no país. Pouco menos de cem estão na Cidade do Cabo ou cidades próximas e os demais se concentram em Joanesburgo ou Pretória, com raras exceções.

A embaixada brasileira na África do Sul afirma que está em contato constante com a Latam para realizar os voos necessários, que está tomando as providências necessárias para providenciar o transfer para o aeroporto, e que o governo sulafricano tem sinalizado positivamente sobre a permissão para a realização de voos. As datas, segundo o órgão, dependem da companhia aérea. 

A orientação aos brasileiros que ainda não acionaram a embaixada é que entrem em contato pelo e-mail consular.pretoria@itamaraty.gov.br ou pelo telefone +27 (82) 653-6468. A embaixada disponibiliza informações sobre o lockdown e um formulário que deve ser preenchido por quem pretende deixar o país em sua página na internet.

Em nota, a Latam informou que trabalha com autoridades de diversos países para trazer passageiros de volta ao Brasil. A companhia afirma que “mesmo diante dessa situação alheia à sua vontade, entre 19 de março e 24 de março, o Grupo LATAM operou cerca de 60 voos especiais e repatriou mais 10 mil pessoas provenientes de diversas partes do mundo. Em paralelo, no mesmo período, a companhia realizou 3.348 voos regulares, transportando 329.769 passageiros”.  Foram repatriados passageiros que estavam em Cusco, Lima, Londres, Jamaica, Portugal, Punta Cana, Israel e Santiago.

O primeiro caso de covid-19 na África do Sul foi confirmado no dia 5 de março. Até o início da tarde desta sexta-feira, (27), 927 casos foram confirmados. Doze pessoas se recuperaram. Duas pessoas morreram. Em todo o mundo, há 566.269 casos confirmados da doença, com 25.423 mortes confirmadas e 127.768 pacientes recuperados.

Cubanos pedem que bloqueio seja suspenso durante pandemia

Um grupo de cubanos moradores dos EUA começou uma campanha online, que pede para o presidente Donald Trump suspender as sanções econômicas contra Cuba, endurecidas na atual administração, enquanto durar a pandemia de coronavírus que assola o mundo. A petição já acumula 7.5 mil assinaturas.

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“Caro presidente: Diante da emergência mundial pela praga do coronavírus, imploramos que suspenda as sanções comerciais e financeiras estabelecidas pelos EUA contra Cuba. Essas limitações, entre outras coisas, dificultam ou impedem que Cuba adquira equipamentos médicos, alimentos e remédios”, diz o texto da campanha.

Os signatários, que se definem como pessoas “de diferentes crenças políticas ou religiosas, o que nos une é o desejo de paz e reconciliação”, pedem que enquanto dure a pandemia, Washington “estenda uma mão amiga e solidária ao povo cubano”.

“Se isso não for feito, pode se desencadear uma crise humanitária de consequências incalculáveis em Cuba. Acreditamos que, nesta hora dolorosa, as considerações políticas devem dar lugar às considerações humanas”, continua o texto.

Até o momento, o país caribenho tem 80 casos confirmados de covid-19, duas mortes e quatro pacientes tiveram alta médica.

Entre as medidas impostas pelo governo para prevenir um surto do vírus, está incluso o fechamento das fronteiras a estrangeiros não-residentes, uma decisão difícil para uma economia que depende em larga medida do turismo.

As já complexas relações entre EUA e Cuba hoje atravessam um de seus piores momentos. O caminho para a “normalização”, depois do restabelecimento oficial de conversas bilaterais em 2015 foi parado com a chegada de Trump à Casa Branca dois anos depois.

Nos últimos meses, o governo norte-americano intensificou sua hostilidade contra Havana por um suposto apoio logístico a Nicolás Maduro na Venezuela.

Buscam aumentar a pressão econômica sobre o governo cubano aplicando novas sanções, proibições de viagens e limitações de voos à ilha, endurecendo um embargo financeiro que já dura seis décadas e golpeando duramente a frágil economia da ilha.

Os EUA também intensificaram seus ataques contra a exportação de serviços profissionais de Cuba, sua segunra maior fonte de renta. Essas críticas se dirigem sobretudo às missões médicas que a ilha promove no exterior, que Washington afirma que funcionam em “condições de escravidão”.

Cuba não fica atrás na dura retórica contra seu inimigo histórico e considera “particularmente ofensivas” em “um momento de pandemia” as duras acusações dos EUA contra a ajuda internacional que a ilha fornece atualmente em vários países afetados pelo coronavírus.