Na Índia, Tereza Cristina diz que agricultura brasileira não é vilã

A agricultura brasileira não deve ser tratada como vilã das mudanças climáticas ou do meio ambiente, forma pela qual tem sido vista por parte da sociedade brasileira e também por alguns integrantes da comunidade internacional. A avaliação é da ministra Tereza Cristina, uma “caixeira-viajante” do setor, cuja equipe foi a pelo menos 32 destinos internacionais nos últimos 13 meses para promover o setor. “Abrir mercado não dá para ser por telefone, é olho no olho.”

A ministra admite que existe de fato uma preocupação grande com mudanças climáticas ao redor do mundo e que “ninguém tem pretensão de negar isso”, mas ressalta que os agricultores são os principais interessados no clima e em ter chuvas com regularidade. “Fica parecendo que para produzir a gente tem que destruir o meio ambiente, e não é isso. Temos 66% de vegetação nativa intacta e estamos trabalhando há muito tempo para fazer uma agricultura sustentável”, afirmou em entrevista exclusiva ao serviço de notícias em tempo real do jornal O Estado de S. Paulo na Embaixada do Brasil em Nova Délhi.

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A ex-líder da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) afirma, no entanto, que há gente colocando outros ingredientes e interesses na discussão ambiental. “Eles acham que a agricultura brasileira é muito competitiva. E é mesmo, mas não é destruindo a imagem do Brasil que eles vão conseguir. O Brasil foi vilanizado, botaram o alvo nas nossas costas e o povo está dando tiro”, disse. Para ela, o tema ganhou mais atenção após a assinatura do acordo União Europeia-Mercosul, fechado em junho de 2019.

Na missão à Índia, o objetivo é aquele traçado desde o início da gestão: diversificar a pauta de produtos exportados pelo agronegócio brasileiro e oferecer novas oportunidades para os agricultores e pecuaristas do Brasil. Além de commodities, ela tem discutido a venda de produtos como feijão, gergelim e grão de bico para os indianos.

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Segundo a ministra, a cadeia se organiza quando começa a exportar, o que eleva a competitividade e a renda. Também foi debatida a possibilidade de redução de tarifa para carne de frango e suína e a abertura do mercado para citrus.

Tereza Cristina ainda enalteceu a liderança do Brasil em pesquisas e inovações para a agropecuária tropical, dizendo que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) pode ser um atrativo nas negociações bilaterais.

A ministra citou ainda as possibilidades para o Brasil diante do interesse dos indianos em começar a produzir etanol e em mudar sua matriz energética. O governo do primeiro-ministro Narendra Modi quer chegar a 20% de etanol na mistura com a gasolina – hoje não passa de 7% – e demonstrou interesse nos motores flex do Brasil. “É um jogo de ganha-ganha”, resume, citando que o Brasil tem equipamentos de última geração e tecnologias inovadoras que os indianos podem adquirir.

“As conversas estão acontecendo, mas não é do dia para a noite. Agora, só anda se tiver interesse, se não a gente vem aqui e fala bonito, vamos embora e ninguém dá continuidade. Mas, na minha percepção, o momento é bom”.

Após crise, Moro destaca combate ao crime organizado

O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, apresentou no sábado (25) números sobre o combate ao crime organizado e sugeriu alinhamento com o presidente Jair Bolsonaro na área. A manifestação, feita em seu perfil nas redes sociais, veio depois de uma crise envolvendo declarações de Bolsonaro sobre a recriação do Ministério da Segurança Pública, atualmente sob o guarda-chuva da pasta de Moro.

O ex-juiz da Lava Jato indicou que vai manter a agenda de visibilidade, acentuada na semana passada. Na segunda-feira passada, Moro participou do Roda Vida, da TV Cultura, que bateu recorde de audiência em 12 meses. A entrevista foi vista por mais de 1,5 milhão de pessoas no canal do programa no YouTube.

O ex-juiz da Lava Jato indicou que vai manter a agenda de visibilidade, acentuada na semana passada. O ministro deverá conceder hoje entrevista ao programa Pânico, da rádio Jovem Pan. Na segunda-feira passada, Moro participou do Roda Vida, da TV Cultura, que bateu recorde de audiência em 12 meses. A entrevista foi vista por mais de 1,5 milhão de pessoas no canal do programa no YouTube.

Nos posts, ele também defendeu a transferência de chefes de facções a presídios federais – medida tomada em sua gestão que desagradou a governadores e respectivos secretários de Segurança Pública.

“342 criminosos perigosos foram transferidos aos presídios federais em 2019. Ao final do ano, eram 624, recorde histórico. Pela lei anticrime, todas as conversas com visitantes são gravadas, o que reduz a possibilidade do envio de ordens para a prática de crimes lá fora”, disse Moro, citando a lei que entrou em vigor na quinta-feira.

A crise entre Moro e Bolsonaro chegou ao fim na sexta-feira, quando o presidente recuou da ideia de desmembrar o Ministério da Justiça após forte reação contrária de quem interpretou a medida como uma forma de esvaziar a atuação do ministro no governo. Para aliados de Moro, Bolsonaro quis dar uma “alfinetada” nele por sua participação no Roda Viva.

Para assessores do presidente, o ex-juiz não defendeu Bolsonaro com a “ênfase esperada” no programa. O nome de Alberto Fraga – ex-deputado federal, amigo e interlocutor do presidente – apareceu em primeiro lugar na bolsa de apostas para assumir a nova pasta.

A possibilidade de desmembrar a pasta de Moro foi levantada na quarta-feira, quando secretários estaduais de Segurança, em reunião com Bolsonaro, apresentaram suas demandas, entre elas a recriação da pasta de Segurança. Após o encontro, o presidente anunciou publicamente apenas essa sugestão, o que foi interpretado pelos secretários como um endosso de Bolsonaro à ideia.

Na Índia, Bolsonaro participa do Dia da República e vê desfile militar

O presidente Jair Bolsonaro participou na manhã deste domingo (26) da cerimônia do Dia da República da Índia, a principal data nacional do país. Com forte esquema de segurança e realizada na principal avenida da cidade, é uma celebração para destacar os valores, a cultura e as conquistas do povo indiano. Bolsonaro foi o convidado de honra do primeiro-ministro Narendra Modi – todo ano um líder internacional é escolhido.

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O Exército, a Marinha e as Forças Armadas da Índia também foram exaltadas na larga esplanada Rajpath, onde ficam importantes edifícios públicos de Nova Délhi. A segurança do evento foi feita com drones, dez mil guardas, bloqueios de avenidas, ruas e alamedas. Em alguns momentos, o desfile lembrou os das escolas de samba do carnaval brasileiro.

Carros alegóricos exaltavam elementos dos diferentes Estados que integram a Índia, um país continental multicultural de 1,3 bilhão de habitantes. A transmissão do evento foi realizada por vários canais locais e foi o assunto mais comentado no Twitter indiano. O rosto do presidente, que sentou ao lado de Modi, foi mostrado diversas vezes. Devido ao fuso de oito horas e meia e à agenda intensa, ele aparentava cansaço.

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Símbolos da arquitetura milenar, camelos com ornamentos, elementos da gastronomia, músicas típicas, malabaristas, acrobacias e apresentações com roupas características foram os pontos altos do desfile. Helicópteros e caças fizeram acrobacias sobre a esplanada e animaram a população local com voos rasantes.

Avaliação

Questionado ao final do evento sobre o que achou do poderio militar indiano, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que “os de ponta não estavam ali”. “Todo mundo sempre esconde essa questão. Mas é um país nuclear, graças obviamente ao seu poderio, é um país que ajuda a decidir o futuro da humanidade”.

O presidente disse que a Índia “não chega às últimas consequências” com países da região “certamente pelo poderio bélico”, mas negou o interesse em armas nucleares. “Está na nossa Constituição que abdicamos da energia nuclear a não ser para fins pacíficos.” Apenas nove países têm armas nucleares: Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte.

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Bolsonaro está na Índia desde sexta-feira, onde assinou 15 acordos bilaterais, visitou o memorial do líder pacifista Mahatma Gandhi, conheceu um bazar turístico e participou do Dia da República. A agenda termina na segunda-feira, com um encontro com empresários e uma visita ao monumento Taj Mahal.

Protestos

A visita do presidente Jair Bolsonaro à Índia foi bastante enaltecida pelo primeiro-ministro Narendra Modi e por seus apoiadores, mas não foi unanimidade. Os críticos do presidente afirmam que ele não representa os valores da cultura indiana e não seria o convidado mais adequado para a data. No Twitter, ao lado da hashtag #RepublicDay como tópicos em destaque, havia também a mensagem #GoBackBolsonaro.

Cubanos excluídos do Médicos pelo Brasil relatam dificuldades

Em 18 de dezembro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro sancionou a MP (Medida Provisória) 890/19, que criou o programa Médicos pelo Brasil, substituto dos Mais Médicos – lançado em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff (PT). O antigo programa foi encerrado em 18 de novembro de 2018 e cerca de 18 mil médicos cubanos foram obrigados a escolher: ou voltavam para Cuba, ou seriam considerados desertores pelo governo de seu país.

Mais de 2,5 mil profissionais optaram por permanecer no Brasil sob a penalidade de não poder voltar a Cuba por oito anos. No entanto, impedidos de praticar medicina, foram obrigados a procurar por empregos alternativos. Muitos dos que ficaram aguardavam pela aprovação do Médicos pelo Brasil com a esperança de voltar a trabalhar em sua área.

A realidade, porém, se mostrou diferente para Yulia Molina, Carlos*, Margaret García, Kenia Pérez e outros 500 médicos cubanos que ficaram de fora do novo programa sancionado pelo presidente.

A MP exigia que os médicos cubanos que desejassem trabalhar no Médicos pelo Brasil cumprissem dois requisitos: que estivessem no exercício de suas atividades no Programa Mais Médicos no dia 13 de novembro de 2018, quando o acordo de cooperação foi encerrado pelo governo cubano; e ter permanecido no Brasil até a data da publicação da medida provisória, em 1º de agosto de 2019, na condição de naturalizado, residente ou com pedido de refúgio.

Carlos*, de 47 anos e que não quis revelar seu nome na reportagem, já havia se desligado do Mais Médicos antes do fim do convênio com Cuba. “Muitos haviam fugido (de Cuba) antes. Meses, semanas, dias antes. Não sabemos por que foram adicionados esses requisitos tão injustos. Nos separaram só por uma data. Porque todos tínhamos trabalhado os 3 anos exigidos no contrato. Todos conhecemos como funciona a metodologia de trabalho no SUS”, diz.

O médico passou meses desempregado e conta que conseguiu se manter com a ajuda de sua família até conseguir um emprego. “Outros colegas solicitaram ajuda nas igrejas e alguns se juntaram para dividir despesas e assim economizar com aluguel, alimentação, etc. Mas, ainda hoje, há muitos colegas desempregados. Pois muitos moram em cidades do interior onde a oferta de empregos é menor”, relata.

O caso de Yulia, de 34 anos, é ainda mais emblemático. Ela saiu do Mais Médicos dois anos antes de Cuba se retirar do programa, porque estava grávida e corria o risco de dar à luz prematuramente. O governo cubano exigiu que ela voltasse mesmo neste estado delicado. “Foi aí que eu decidi sair do programa. Fiquei no Brasil e estou tentando revalidar meu diploma”, lembra. 

Para Kenia Pérez, de 43 anos, o fim do Mais Médicos representou uma mudança drástica não só na vida dos profissionais cubanos que permaneceram no Brasil, mas também na vida da população. “As pessoas estão sofrendo. Não tem serviços de saúde suficientes para ajudá-los a resolver todos os problemas que eles têm. Você sabe que tem epidemias, que faltam especialistas, falta tudo”, diz.

Empregos alternativos

Kenia conta que ela, assim como seus colegas, teve que desenvolver a capacidade de fazer qualquer coisa para sobreviver no Brasil. Ela trabalhou como cuidadora de idosos e olha com bons olhos para esse período da sua vida. “Foi uma experiência muito boa porque aprendi demais. E também aprendi que posso viver e não passar fome. Mas foi muito difícil como um todo. Muito difícil ficar em país diferente, longe da família e ter que fazer tudo o que fizemos para sobreviver.”

Margaret é outra que, após o fim do programa, procurou outras áreas de atuação para fugir do desemprego. Ela chegou ao Brasil em 2014 e, após avaliação, foi designada para trabalhar no Rio de Janeiro, no CMS (Centro Municipal de Saúde) Sylvio Frederico Brauner, no Complexo da Pedreira. “Trabalhei pelo período de três anos, com bons resultados e aceitação da população. Quando estava perto de chegar ao fim do contrato, foi negado o direito de recontratação para os cubanos e decidi ficar no Brasil com a minha família”, conta.

“Após terminar o contrato fiquei desempregada dois anos e fiz bicos como terapeuta holística. Atualmente trabalho no Hospital Estadual Getúlio Vargas como auxiliar administrativa”, diz Margaret.

Após o fim de sua gravidez, Yulia também ficou muito tempo desempregada. Após esse período, ela começou a trabalhar em uma farmácia. “Mesmo que seja relacionada com a minha área, na verdade, não tem nada a ver. Não é a mesma coisa trabalhar em uma farmácia e você ser médica”, afirma.

“Mudou muito minha vida. Não só na parte econômica, mas no pessoal também. Eu passei nove anos estudando, me sacrificando, passando noites sem dormir, dormindo às 2h e acordando às 5h porque tinha uma prova de manhã. A medicina em Cuba não é um presente para qualquer um, você tem que estudar muito, se sacrificar. Não só em Cuba, mas em qualquer lugar no mundo é difícil. Porque você vai trabalhar com seres humanos. A vida deles está nas suas mãos”, desabafa Yulia.

Dificuldades para revalidar o diploma

Entre diversos motivos para não conseguir revalidar seus diplomas, os médicos ouvidos pelo R7 ressaltam que as barreiras financeiras são grandes empecilhos para voltar à prática da medicina.

“A revalidação do diploma em qualquer lugar do mundo é um exame complexo. Você tem que dominar protocolos do país em questão e estudar pelos livros recomendados pelas instituições reitoras desse processo. Pagar taxas de matrículas, comprar cursos ou livros para estudar. Não é um problema que pode ser resolvido em semanas”, explica Carlos*.

Além disso, Carlos lembra que um dos problemas existentes para revalidar o diploma é a interferência de Cuba. “Todos temos problemas com a documentação docente porque Cuba nos castiga negando os documentos docentes aos médicos que fogem. Precisamos da ajuda do governo e do Ministério da Saúde para estabilizar nossas vidas por um período breve até fazer a revalidação do diploma”, diz.

O médico de 47 anos também ressalta que os exames para revalidação do diploma estão parados. “A última edição corresponde ao ano de 2017. Mas, naquela época, quando a gente ainda estava no Mais Médicos era proibido para os cubanos fazer a matrícula para o exame”, conta. No entanto, ele destaca que a proibição se deu pelo governo de Cuba, e não do Brasil. “Alguns colegas tentaram, mas com risco de serem descobertos pelos chefes cubanos. Outros fizeram a prova em outros estados, onde os chefes eram outros. Ou seja, com menor possibilidade de serem reconhecidos”, explica.

“Nós existimos”

Para Kenia, os cerca de 500 profissionais cubanos que permaneceram no país e não entraram no Médicos pelo Brasil estão sendo objetos de política. “Se só entraram (no novo programa) os que estavam trabalhando quando foi encerrado o contrato com Cuba, então podemos ver que é político. Como forma de atingir o governo cubano. Se fosse feito de uma forma imparcial, eles incluíam a todos nós, porque eles sabem que ficaram mais médicos no Brasil do que os dois mil que eles incluíram (no Médicos pelo Brasil), somos mais. São 500, 600 médicos que foram excluídos”, relata.

“Eles vão precisar dos nossos serviços. Nós estamos dispostos a estudar para o Revalida, a trabalhar onde for preciso, mas achamos que isso é um tipo de ofensa. Porque também somos médicos, somos bem formados, temos nossos diplomas e fomos os primeiros a chegar ao Brasil para trabalhar. Então acho que temos os mesmos direitos que os demais”, desabafa Kenia

“Nós queremos que saibam que nós existimos. Quando foi falado que os médicos cubanos não queriam ficar no Brasil, pode até ser que não sabiam que tinham muitos médicos que ficaram. Que inclusive romperam com o governo cubano para ficar aqui. Nós queremos que nos conheçam, que reconheçam que existimos, que estamos aqui”, completa Yulia.

Ministério da Saúde

Em nota, o Ministério da Saúde diz que está organizando a estrutura necessária para seleção e contratação dos profissionais que atuarão no programa Médicos pelo Brasil. 

Sobre os profissionais cubanos, a pasta afirma que o caso está sendo estudado diante da nova lei. 

*Estagiário do R7, sob supervisão de Ana Vinhas

‘Ataque a ferrovia me salvou de Auschwitz’, diz sobrevivente

Aos 7 anos de idade, o menino Tom Venetianer, de família judia, rumava para o campo de concentração de Auschwitz e provavelmente para a morte em novembro de 1944, quando explosões na ferrovia causadas por ataques soviéticos mudaram o curso do trem e da vida dele. Os vagões repletos de gente foram desviados para outra prisão na região da atual República Checa, onde não funcionava um campo de extermínio.

A mesma “sorte” não tiveram 1,3 milhão de pessoas que perderam a vida em Auschwitz, a maioria judeus. O pior campo de concentração nazista e símbolo do Holocausto só foi libertado em 27 de janeiro de 1945, com a derrocada da Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Neste domingo, a comunidade judaica faz atos pelo mundo em alusão aos 75 anos da data.

Tom Venetianer, hoje com 82 anos, será um dos participantes das celebrações em São Paulo, onde reconstruiu a vida após chegar da Europa com os pais, em 1948. Presidente da entidade Sherit Hapleitá (Sobreviventes Remanescentes), ele afirma que o ato tem a importância de lembrar o massacre. “Não só para evitar novos genocídios, mas também para combater movimentos de negação”, diz. 

Em seu apartamento em Higienópolis, reduto de judeus, Venetianer recebeu o R7. A sala repleta de livros, CDs e discos de vinil de música clássica denuncia o apreço pela arte, mas com uma exceção: não há nada do compositor alemão Richard Wagner, artista antissemita associado ao nazismo.

Por outro lado, sobram quadros das duas filhas e dos cinco netos, família celebrada por quem perdeu 19 parentes próximos quando criança.

Tom nasceu na cidade de Kosice, no leste da então Checoslováquia, em 1937, dois anos antes de a Alemanha iniciar a Segunda Guerra Mundial. Em 1938, um acordo fez a região ser anexada à Hungria, que pouco depois entrou na guerra como aliada da Alemanha. Isso atrasou a caça aos judeus húngaros. “Era necessário que profissionais liberais continuassem trabalhando para manter a economia”, explica Tom.

O pai dele, Alexander, manteve o emprego como químico-farmacêutico, e a mãe, Lizbeta, atuava como contadora. O ambiente, porém, era marcado por um antissemitismo crescente, o que fez a família optar por não colocar o filho na escola.

Em 1944, Hitler descobriu que a Hungria tentava um acordo de armistício e decidiu invadir o país. Os Venetianer perceberam que não escapariam do Terceiro Reich e fugiram para as montanhas dos Cárpartos. Lá se passaram por cristãos e foram abrigados por uma família em um vilarejo. Uma certidão de batismo concedida por um padre católico era um documento alternativo aos originais da família, todos marcados com uma grande letra “j” que identificava a religião.

Pouco depois, Tom e os pais acabaram denunciados a oficiais alemães pela própria família que havia dado acolhimento. Para confirmar que se tratavam de judeus, os oficiais levaram Alexander a um banheiro e exigiram que ele se despisse para mostrar se era circuncidado.

Em seguida, foram levados ao campo de transição de Sered, uma espécie de antessala de Auschwitz para os judeus daquela região, de onde partia o trem para o campo de extermínio polonês. No local, a criança de 7 anos foi separada do pai e começou a vivenciar o horror do nazismo de forma mais drástica. “Ele correu na minha direção e foi atingido no ombro por um sádico oficial da SS com um bastão de madeira. Ele caiu no chão sangrando”, conta.

Alexander foi levado para um campo de concentração na região de Berlim para trabalhos forçados. Já Tom e Lizbeta acabaram tomando o destino que não era o mais comum daquele ponto, a cidade de Terezín, ao norte de Praga. A viagem de pé em um trem lotado durou mais de dois dias.

Campo modelo

O campo de Terezín abrigou a elite intelectual judaica da época. Os nazistas tentavam apresentá-lo como um “campo modelo”, inclusive maquiando mulheres e melhorando roupas e alimentação para visitas da Cruz Vermelha. “O que eles faziam era uma enganação”, diz Venetianer. Na prática, havia violência e maus-tratos. No local feito para receber 7 mil pessoas, foram colocadas 60 mil.

Enquanto Lizbeta trabalhava 12 horas por dia produzindo sapatos e roupas usadas na guerra, Tom vivia solto pelo gueto. Viu pilhas de corpos de presos que não resistiam às condições sendo desovadas em uma espécie de trincheira.

Diferentemente de Auschwitz, onde muitas mulheres, crianças e idosos eram exterminados nas câmaras de gás assim que chegavam, já que eram considerados menos úteis para o trabalho, em campos como o de Terezín as condições eram relativamente menos severas.

“A minha vida dentro do campo, esquecendo a fome, o frio, o medo, e que eu praticamente não via a minha mãe porque ela chegava tarde no alojamento, era de certa forma livre.”

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A principal “brincadeira” junto com as outras crianças era procurar comida perto do refeitório e no lixo. Isso porque a refeição diária dada pelos alemães consistia em um pedaço de pão e um líquido que não chegava a ser uma sopa. “Esquentavam água e colocavam um pedaço de nabo ou batata, o que sobrava. Não atendia as calorias mínimas necessárias para um ser humano”, conta.

Professores judeus formaram escolinhas escondidas para ensinar as crianças. Segundo Venetianer, que estudou artes na época, os guardas da SS (polícia nazista) fingiam que não viam “porque achavam que todos os presos morreriam de qualquer forma na ‘Marcha da Morte’”. Esse era o nome dos deslocamentos feitos a pé pelo exército alemão e que precisavam ser acompanhados pelos judeus. Eles foram comuns no final da guerra, quando os alemães destruíam e desocupavam os campos para não deixar provas dos crimes cometidos.

O pai do garoto foi um dos submetidos a essa situação extrema. Caminhando no frio, sem alimento ou cobertor, Alexander caiu na neve, ao lado da estrada, e levou um tiro no ombro. Agonizou por mais de dois dias até ser resgatado pela Cruz Vermelha, pesando 42 kg.

Já a mulher e o filho deixaram Terezín em junho de 1945, com o fim da guerra, após sobreviverem também a um surto de tifo. O reencontro com Alexander na cidade de origem da família se deu pouco depois. “Não me lembro das circunstâncias exatas. Minha mãe conta que eu tinha medo dele e que não o reconheci”, diz Tom.

Brasil

A vida dos judeus na Europa continuou difícil após a guerra. Não foi diferente com a família Venetianer, que como muitas perdeu o imóvel para pessoas ligadas ao partido nazista. Conseguiram morar de favor em uma pequena casa. Com o antissemitismo ainda presente, porém, a melhor saída era deixar a Europa. Uma prima que já morava em São Paulo arranjou a documentação para que a família entrasse no Brasil de forma legal.

Em São Paulo, Alexander foi trabalhar em um laboratório farmacêutico, e Tom foi matriculado no Mackenzie, onde teve ajuda de amigos com o idioma. O menino de então 10 anos se adaptou plenamente à vida no Brasil. Formou-se engenheiro eletrônico pela USP e em administração pela FGV. Casou-se com uma húngara e formou família. Trabalhou em diferentes empresas e, atualmente, presta consultoria.

Outra de suas atividades foi pesquisar e escrever sobre o Holocausto. Tendo vagas lembranças do que ocorreu quando tinha 7 anos, ouviu relatos da mãe, cientistas e sobreviventes. Dessa forma, pôde entender melhor como se deu o massacre dos judeus da sua região e como o avanço soviético em 1944 conseguiu salvar vidas. “Na época conhecíamos a barbárie alemã, mas ainda não tínhamos uma noção exata do que era Auschwitz e que iríamos para lá”, conta.

Tom também dá palestras gratuitas sobre sua experiência, mostrando que a dor foi assimilada e o desejo de vingança ficou no passado. “Durante um bom tempo tive muita dificuldade de aceitar que minha família foi exterminada. Junto com essa sensação vem a de vingança. Com o tempo fui descobrindo que vieram novas gerações de eslovacos e alemães. Como eu iria odiar pessoas que não cometeram crime algum?”, afirma.

Isso não quer dizer que todas as feridas tenham cicatrizado. A existência do antissemitismo em pleno ano de 2020 ainda faz Tom temer e de certa forma reviver seus traumas. Pesquisas feitas pelo sobrevivente indicam pelo menos 200 atentados contra judeus no último ano.

Ele diz lamentar também a presença dessa “semente do mal” no Brasil, diferentemente da realidade que encontrou em 1948. “O brasileiro não era o brasileiro de hoje. Era um povo pacato, amoroso, que queria ajudar os imigrantes. Hoje o Brasil tem uma onda gigantesca contra tudo aquilo que não era. É preocupante”, analisa.

Tom afirma ter orgulho de ser judeu e acreditar em Deus. Tendo visto e vivenciado os horrores do Holocausto, porém, ele faz uma ressalva. “Fui salvo tantas vezes da morte que não tem como eu não acreditar em Deus. Mas se tudo aconteceu porque a humanidade tem livre arbítrio, algum problema há com esse Deus que nos deu esse livre arbítrio”, diz.

Outra reflexão recorrente na vida do imigrante é por que sobreviveu ao genocídio. Ele promete dar a opinião em seu próximo livro.

Ato da comunidade judaica marca 75 anos da libertação de Auschwitz

A comunidade judaica promove neste domingo (26) um ato pelo Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto e que marca os 75 anos da libertação dos presos do Campo de Concentração de Auschwitz

O evento é promovido pela Conib (Confederação Israelita do Brasil), pela Fisesp (Federação Israelita do Estado de São Paulo) e pela CIP (Congregação Israelita Paulista).

O ato acontece na Sinagoga Etz Chaim a partir das 18h30 e vai lembrar os 6 milhões de judeus assassinados durante o Holocausto e demais vítimas no nazismo. Sobreviventes, autoridades políticas, líderes religiosos, institucionais e jovens acenderão velas em homenagem às vítimas.

Também haverá uma homenagem à sobrevivente Rachela Gotthilf, que morreu em 2019 e que teve sua mãe e avós executados em um campo de extermínio nazista.

Libertação

Trata-se de mais um ato em homenagem à libertação de Auschwitz, ocorrida em 27 de janeiro de 1945. O campo de concentração e extermínio foi o principal símbolo do Holocausto. Somente neste local, 1,3 milhão de pessoas foram exterminadas, a maioria judias.

As homenagens começaram na sexta-feira (24), com a exposição “História e Memória do Holocausto”, que acontece no hall da Sinagoga Etz Chaim. Estão expostas até este domingo obras feitas por adolescentes que cumprem medida de internação no Centro Socioeducativo de Uberaba (CSEUR – MG), com releituras de poemas e pinturas da época do Holocausto.

Veja a programação completa:

Domingo (26), às 18h30: Conib, Fisesp e CIP convidam para ato solene em homenagem às vítimas do Holocausto. Local: Sinagoga Etz Chaim, na Rua Antônio Carlos, 653 – Consolação

De sexta (24) a domingo (26): exposição “História e Memória do Holocausto”, com obras feitas por adolescentes do Centro Socioeducativo de Uberaba (CSEUR – MG). Local: Rua Antônio Carlos, 653 – Consolação

Segunda (27), às 20h30: exibição do filme “The Song of Names” no Teatro Arthur Rubinstein de A Hebraica (Rua Hungria, 1.000). A entrada é gratuita. Classificação indicativa: 16 anos.

Segunda (3/2), às 20h: O Ministério da Cidadania e a CIP (Congregação Israelita Paulista) realizam o Cine Debate com a exibição do longa “Abe”, seguida de debate com as presenças do rabino Michel Schlesinger e do jornalista Jaime Spitzcovsky. Entrada gratuita. Local: Av. Europa, 158. Inscrições pelo site cip.org.br/cinedebate-abe

Mega-Sena acumula de novo e pode pagar R$ 47 milhões na quarta-feira 

O prêmio da Mega-Sena acumulou mais uma vez neste sábado (25) após ninguém acertar as seis dezenas do concurso 2.228 da loteria. Com isso, o próximo sorteio promete pagar R$ 47 milhões na próxima quarta-feira (29) a quer cravar os seis números revelados.

Neste sábado, as dezenas sorteadas pelo concurso realizado na cidade de São Paulo (SP) foram: 09 — 19 — 23 — 32 — 39 — 45.

Apesar de ninguém ter faturado o prêmio principal, o concurso premiou 85 apostas que acertaram a quina e têm o direito de receber R$ 34.599,33 cada. Outros 5.562 apostadores cravaram quatro dos números sorteados e poderão sacar R$ 755,36 cada.

Como apostar?

Para concorrer ao prêmio milionário da próxima quarta-feira, basta ir a uma casa lotérica e marcar de 6 a 15 números do volante, podendo deixar que o sistema escolha os números para você (Surpresinha) e/ou concorrer com a mesma aposta por 2, 4 ou 8 concursos consecutivos (Teimosinha).

Cada jogo de seis números custará R$ 4,50. Quanto mais números marcar, maior o preço da aposta e maiores as chances de faturar o prêmio mais cobiçado do país.

Outra opção é o Bolão Caixa, que permite ao apostador fazer apostas em grupo. Basta preencher o campo próprio no volante ou solicitar ao atendente da lotérica. Você também pode comprar cotas de bolões organizados pelas lotéricas.

Governo recorre de decisão que suspende resultados do Sisu

A polêmica em torno das inscrições do Sisu (Sistema de Seleção Unificado) ganhou neste sábado (25) novo contorno. A AGU (Advocacia-Geral da União) confirmou que recorreu da decisão da Justiça Federal que impede a divulgação dos resultados do processo, prevista para a próxima terça-feira (28).

A suspensão de segurança, com o objetivo de anular a decisão judicial, foi ajuizada no TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), em São Paulo, e não há prazo para ser julgada. Mas a AGU solicitou urgência.

No pedido, a AGU alega que qualquer mudança ou suspensão de prazos no Sisu pode causar prejuízos incalculáveis às instituições de ensino e aos candidatos. Além disso, o órgão afirma que todas as provas dos 3,9 milhões de estudantes foram revisadas e que o problema atingiu apenas 0,15% dos exames.

Entenda a decisão que barrou a divulgação dos resultados do Sisu

Depois que o Ministério da Educação reconheceu, no dia seguinte ao resultado do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que houve erro na correção das provas, vinte e quatro ações relacionadas aos exame foram protocoladas.

A ação movida pela Defensoria Pública da União e acatada pela Justiça Federal de São Paulo, cobra que o Ministério da Educação comprove que revisou as provas do Enem que tiveram inconsistência. E exige uma explicação sobre os parâmetros utilizados na correção.

Além disso, nessa sexta-feira (24), o Ministério Público Federal pediu a suspensão dos calendários do Sisu, que utiliza as notas do Enem para ingresso dos estudantes nas universidades públicas; do Fies, que possibilita o financiamento estudantil para cursos pagos e do PROUNI, que oferece bolsas de estudo em universidades particulares.

Falha em notas do Enem ocorreu em duas etapas, diz gráfica

O Ministério Público quer que o Inep, responsável pela aplicação das provas, faça uma nova conferência dos gabaritos. E pede, ainda, uma auditoria no resultado do exame.

As inscrições para o Sisu terminam às 23h59 deste domingo (26). No primeiro semestre, serão ofertadas pouco mais de 237 mil vagas em 128 instituições de ensino em todo o país.

Após anunciar isenção de vistos para chineses, governo agora diz que caso está “em estudo”

O governo Bolsonaro recuou do anúncio de isenção de vistos para chineses, feito pelo presidente Jair Bolsonaro em visita oficial a Pequim, em outubro, e disse neste sábado (25) que a proposta está sendo estudada pelo Itamaraty.

A afirmação foi feita pelo deputado Eduardo Bolsonaro, que representou o pai em conversa com jornalistas após um banquete oferecido pelo governo da Índia à comitiva do presidente Jair Bolsonaro, em Nova Déli. O deputado participou dos restritos encontros bilaterais de Bolsonaro com o primeiro ministro Narendra Modi e o o presidente indiano Ram Nath Kovind.

Bolsonaro dispensa visto a turistas de EUA, Austrália, Canadá e Japão

“Os dois (isenção de vistos para chineses e indianos) estão meio que sendo trabalhados ao mesmo tempo”, disse o deputado, após ser perguntado sobre a situação do plano de isentar indianos da necessidade de vistos. A decisão em relação aos chineses era dada como certa em entrevistas do presidente, do ministro de relações exteriores, Ernesto Araujo, e nos veículos da imprensa oficial.

Agora, Eduardo Bolsonaro disse que “os dois estão em estudo” e que “não há um prazo” para o anúncio.

“Na minha visão como deputado, nós é que vamos nos aproveitar dessa situação, eles é que vão gastar os dólares lá. A gente só precisa tomar cuidado com os efeitos reflexos disso”, afirmou, dizendo que indianos “dificilmente vão entrar no Brasil como turistas e depois ficar no país”.

A reportagem perguntou que preocupações estão na mesa.

“Deixa eu pensar, calma aí. Eu não posso dar bola fora, não”, respondeu o deputado. “A polícia federal com certeza entra nesse meio, mas acredito que os dois países convergem no combate ao terrorissmo, são bem contundentes nas declarações e têm votado de forma semelhante, inclusive na ONU”.

Preocupações

Em dezembro, a BBC News Brasil revelou que telegramas diplomáticos mostravam que o Itamaraty priorizava a mudança no regime de vistos para passaportes emitidos pelo governo de Taiwan — e que não havia qualquer iniciativa para estender o benefício a chineses ou indianos.

O governo de Taiwan não é reconhecido oficialmente pela República Popular China (RPC), como é chamada a China continental. Por isso, qualquer gesto diplomático na direção do governo da ilha é visto com desconfiança pelas autoridades chinesas.

Bolsonaro havia anunciado que concederia a isenção para cidadãos da China na volta de jantar com CEOs em Pequim. Sobre os indianos, o presidente foi menos enfático e disse que o “governo deve adotar o mesmo processo”.

Entre as preocupações levantadas por membros do governo está o fato de as taxas de migração irregular serem mais altas em países em desenvolvimento como China e Índia, do que em nações como Japão, Canadá e Austrália que, junto aos EUA, receberam o benefício concedido pelo Brasil sem exigência de reciprocidade.

Na prática, quando o governo diz que vai “isentar uma nação de vistos”, ele está considerando que os países passariam a ter direito ao visto eletrônico brasileiro.

Ao contrário do visto normal, exigido hoje, o visto eletrônico dispensa a necessidade de passar por uma entrevista presencial em um consulado. Também costuma ser emitido com mais rapidez e com custo menor que o documento físico.

Bolsonaro ‘elogiou a liberdade religiosa na Índia’

O deputado também afirmou que o presidente Bolsonaro “elogiou a liberdade religiosa presente aqui na Índia” e “falou que se sentiu confortável em estar em um país que não é cristão, mas foi muito bem acolhido” durante sua reunião bilateral com o primeiro ministro indiano.

O comentário surge em um momento em que a liberdade religiosa na Índia é alvo de preocupação em todo o mundo. Modi é assunto de capa da revista The Economist, que associa o nacionalismo hindu do primeiro ministro a uma série de abusos e políticas consideradas discriminatórias contra os quase 200 milhões de muçulmanos no país.

“A gente sabe da questão dos muçulmanos”, continuou Eduardo. “Mas o que estamos experimentamos aqui, estamos nos sentindo totalmente confortáveis.”

Questionado sobre a reação de Modi, Eduardo Bolsonaro disse que o primeiro ministro ficou “muito feliz” e que os dois líderes “estão se entrosando muito bem”.

“Os dois são notoriamente nacionalistas, defendem seus países, são avessos a alguns fóruns internacionais e acredito que há muita química nessa relação”.

O deputado voltou a falar no apoio mútuo entre Índia e Brasil para uma reforma no conselho de segurança da ONU.

“Ainda que seja por uma cadeira de membro não permanente, é um avanço”, disse.

Serviço Geológico lança mapa online sobre áreas de risco no país

O Serviço Geológico do Brasil lançou uma plataforma interativa que reúne informações sobre áreas com alto risco e muito alto risco de deslizamentos de terra, inundações, enxurradas e quedas de rocha, em mais de 1.600 municípios brasileiros.

O serviço é um mapa online e contém uma base de dados que pode ser usada por gestores nacionais, estaduais e municipais, como as defesas civis de cada região, além da comunidade acadêmica, empresas privadas e a sociedade.

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Segundo a chefe da Divisão de Geologia Aplicada da CPRM, Sandra Fernandes, que coordena o trabalho de mapeamento de áreas de risco no país, o serviço é um visualizador que funciona como se fosse um mapa online.

“O mapa contém todas as informações que foram levantadas pelo Serviço Geológico do Brasil de 2012 até agora, referentes às condições de risco geológico, suscetibilidade a movimentos gravitacionais de massa e inundação e mapeamento de perigo de movimentos gravitacionais de massa”, disse Sandra.

O mapa online mostra as áreas que apresentam condições de risco alto e muito alto nas regiões urbanas e delimita em campo, com base no número de moradias e de pessoas ali residentes, quais são os processos que podem ocorrer em cada área. O mapa tem atualização constante e indica a quem o consulta se na área em pesquisada é considerada “de risco alto ou muito alto e se é propensa ou não para ocorrências que podem gerar risco”, explicou Sandra.

Os mais de 1.600 municípios que constam do mapa localizam-se em 25 estados – estão de fora apenas Mato Grosso, onde o mapeamento ainda não foi feito, e o Rio e Janeiro, onde o trabalho é feito pelo Serviço Geológico do Estado do estado.

“É um número crescente”, afirmou a chefe da Divisão de Geologia Aplicada da CPRM. Ela informou que, anualmente, é feita uma programação com o governo federal com foco em uma setorização em novos municípios ou na revisitação àqueles em que o levantamento começou, entre os anos de 2012 e 2014. “Isso porque a condição de risco é dinâmica e vai se modificando à em que aumenta a densificação urbana, ou quando o próprio município faz alguma modificação, seja estrutural, com obras de contenção,ou até mesmo não estrutural, para saber lidar com a condição de risco do município”, explicou.

O acesso ao programa é feito pelo site do Serviço Geológico do Brasil. Pelo sistema de busca, o usuário pode localizar o município de seu interesse e, nos menus que se encontram no final do mapa, filtrar e cruzar dados sobre os produtos cartográficos elaborados pela CPRM.