Buscas no Google por ‘máscara’ aumentam após caso de coronavírus

O Google registrou um aumento no número de buscas por produtos relacionados à prevenção do coronavírus após a confirmação do primeiro caso no Brasil.

De acordo com os dados do Google Trends, aumentaram as buscas por “máscaras”, “álcool gel” e “coronavirus Brasil” nas últimas 24 horas.

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O fluxo de buscas cresce desde terça-feira (25), por volta das 20h, quando foi noticiado o caso do turista brasileiro que retornou da Itália com os sintomas da doença. 

Apesar das buscas por máscaras, a orientação do Ministério da Saúde é lavar as mãos e os rosto com água e sabão.

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Quem estiver em um ambiente público ou com grande aglomeração de pessoas ainda deve evitar levar as mãos à boca, ao nariz ou aos olhos.

O álcool gel também pode ser usado para higienizar as mãos e assim diminuir as chances de contagio pelo vírus que pode ser transmitido por contato.

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Apple proíbe que seus produtos sejam usados por vilões em filmes

O diretor do filme Star Wars: episódio 8, Rian Johnson, afirmou em entrevista à revista Vanity Fair que a Apple é muito firme quando se trata de associar seus produtos a personagens, principalmente a vilões.

“Eu não sei se posso dizer isso ou não, mas vilões não podem ter iPhones em filmes” afirma Rian.

A marca se posiciona quanto ao assunto em suas diretrizes de trademarks e copyrights. “A Apple não autoriza o uso de seus logos, nomes ou imagens em outros produtos que não sejam parceiros comerciais. pois pode gerar uma associação indevida”, afirma a empresa.

A Apple conclui dizendo que “o dispositivo deve ser mostrado apenas com boa iluminação e em um contexto que reflita algo positivo para a marca”. A afirmação confirma rumores que já existia dentro da indústria.

O rumor surgiu quando fãs da série 24h apontaram que os mocinhos sempre usavam Mac, enquanto os vilões ficavam com os computadores da Windows.

Agora existe mais um elemento para desvendar os personagens em um filme. Se tem iPhone é bonzinho, caso seja Android, saiba que algo de ruim pode surgir. 

*Estagiário R7, sob supervisão de Pablo Marques

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Ossada de neandertal revela ritual pré-histórico de enterro

Uma ossada de Neandertal, espécie ancestral humana, de 70 mil anos de idade, foi encontrada em um antigo sítio arqueológico no Iraque. O corpo está quase completo e pesquisadores trabalham com a hipótese de que ele foi enterrado em um ritual fúnebre, uma descoberta inédita já que esse ancestral é visto como “inferior” ao Homo Sapiens.

O corpo foi chamado de Shanidar Z e contem traços dentários de um homem de meia idade. No local, foram encontrados o crânio, o tórax e ambas as mãos, dispostas como em um enterro. Abaixo da cabeça, foi encontrada uma pedra que aparenta sustentá-la. 

O local da descoberta, a caverna de Shanidar, a 550 quilômetros já foi palco de discussões em torno da capacidade cultural dos nossos ancestrais.

Entre 1950 e 1960, pesquisadores encontraram o “flower Burial”, ou memorial das flores, onde dez corpos de neandertais foram escavados com resquícios de pólen ao redor.

A presença do pólen foi vista por arqueólogos como prova de que eles não apenas enterravam seus mortos como o faziam com flores. A evidência ajudou a refutar que os Neandertais fossem associados a um povo “burro”, ou de intelecto inferior aos nossos ancestrais diretos.

Por conta das limitações de pesquisa da década de 60, pesquisadores decidiram reabrir os estudos no local, mas sem a expectativa de encontrar evidencias “primárias”, como ossos. O objetivo era entender esse povo, que ainda gera muitas dúvidas para a ciência.

“Achamos que com sorte encontraríamos os locais que encontrar os corpos na década de 50, para então analisar os sedimentos ao redor, em momento algum esperávamos encontrar novos vestígios”, afirma o professor presente na expedição, John Parker.

As escavações reabriram em 2014, mas, foram interrompidas por invasões do Estado Islâmico no local.

“Quatro dos 10 corpos encontrados no memorial das flores estavam posicionados juntos e levantaram a questão de que os neandertais estavam voltando ao local, como um cemitério. Se estivéssemos lidando com pessoas modernas poderíamos chamar o local de cemitério, mas esse é algo que ainda não podemos dizer por desconhecimento da cultura deles”, afirma o professor Hunt, responsável pela pesquisa.

Analises do local foram levadas para Cambridge, na Inglaterra, para uma análise mais aprofundada. Cientistas acreditam que os ossos podem conter amostras de DNA e traços da cultura do povo.

Os neandertais desapareceram de forma misteriosa há aproximadamente 50 mil anos. Eles conviviam com o Homo sapiens, e, evidencias apontam que atravessaram da África para a Europa em conjunto com os ancestrais diretos dos humanos.

*Estagiário R7, sob supervisão de Pablo Marques

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Facebook proíbe anúncios que prometem cura de coronavírus

O Facebook começa a barrar anúncios que prometem a cura do coronavírus, segundo porta-voz ouvido pelo site Business Insider.

A intenção da rede social de Mark Zuckerberg seria impedir a propagação de notícias falsas pela plataforma e alimentar um clima de medo entre os usuários.

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“Nós implementamos recentemente uma política para proibir anúncios que se referem ao coronavírus e criam um senso de urgência, como implicar um suprimento limitado ou garantir uma cura ou prevenção. Também temos políticas para superfícies como o Marketplace que proíbe comportamento semelhante”, disse o porta-voz.

Segundo o Business Insider, a rede social ainda está sendo usada para comprar e vender máscaras hospitalares para evitar o contágio.

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Segundo o Wired, a Amazon está monitorando as lojas terceiras que estão aumentando o preço de produtos relacionados à prevenção da doença. 

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Brasil de Bolsonaro tem maior proporção de militares como ministros do que Venezuela de Maduro; especialistas veem riscos

O Brasil de Jair Bolsonaro já tem, proporcionalmente, mais militares como ministros do que a vizinha Venezuela, onde há muito tempo as Forças Armadas abdicaram da neutralidade e se tornaram fiadoras da permanência de Nicolás Maduro no poder.

Para especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, essa presença expressiva de militares, especialmente da ativa, atuando dentro do governo, contribui para a ideologização de uma instituição que deveria ser neutra.

Fortalece esse argumento a recente fala do ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, que chamou o Congresso de “chantagista”.

A declaração de Heleno inspirou a convocação de manifestações contra o Congresso para o próximo dia 15 de março. Em um áudio captado durante uma transmissão em rede social, o ministro foi flagrado dizendo que Bolsonaro não poderia aceitar que o Legislativo queira avançar sobre o dinheiro do Executivo.

“Não podemos aceitar esses caras chantageando a gente. F*da-se”, disse aos ministros da Economia, Paulo Guedes e da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos.

Bolsonaro encaminhou a amigos um vídeo que convoca a população a ir às ruas para defendê-lo. Lideranças políticas, como os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, criticaram o presidente e falaram sobre “crise constitucional”.

“As evidências históricas nos mostram que a democracia tem uma sobrevida maior quando há um controle civil das Forças Armadas. Ainda que, por ora não se veja um movimento mais efetivo dos militares no sentido de gerar desgaste democrático, trata-se de uma mudança na correlação de forças que gera preocupação e, se não houver esse controle, certamente representa uma das fontes de risco para a democracia”, diz à BBC News Brasil Rafael Cortez, cientista político da Tendências Consultoria Integrada.

“Os regimes políticos são mais instáveis quando não há esse controle. Gerir o monopólio da força não é trivial e não é por um acaso que boa parte dos regimes autoritários do mundo ou regimes com forte instabilidade tem um papel político dos militares bastante efetivo”, acrescenta.

Para Christoph Harig, pesquisador da Universidade Helmut Schmidt, em Hamburgo, na Alemanha, e doutor em Estudos de Segurança na Universidade King’s College, em Londres, onde estudou Brasil, “já é problemático ter vários militares da reserva no governo, mas convidar aqueles da ativa afeta diretamente as Forças Armadas como instituição e evidentemente ridiculariza seu suposto papel ‘não partidário’ na democracia brasileira”.

Atualmente, os militares controlam oito dos 22 ministérios do governo de Jair Bolsonaro (36,36%). Com a recente nomeação do general Walter Souza Braga Netto para a Casa Civil, o Palácio do Planalto ficou totalmente ‘militarizado’, embora Jorge de Oliveira Francisco, da Secretaria-Geral da Presidência, não seja egresso das Forças Armadas — ele é major da Polícia Militar do Distrito Federal.

Os militares que estão no governo atual, além de Braga Netto, são: tenente-coronel da reserva Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), general da reserva Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), general da reserva Fernando Azevedo e Silva (Defesa), general Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), almirante Bento Costa Lima (Minas e Energia), capitão da reserva Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União) e capitão da reserva Tarcísio Freitas (Infraestrutura). Braga Netto e Ramos ainda estão na ativa, embora o primeiro, pressionado, tenha decidido antecipar sua ida à reserva, marcada para o meio deste ano.

Já no caso da Venezuela, militares comandam dez dos 34 ministérios (29,4%), a cifra mais baixa dos últimos anos, segundo a ONG venezuelana Control Ciudadano. São eles: coronel Jorge Elieser Márquez (Despacho da Presidência e Continuação da Gestão do Governo), major-general Néstor Reverol (Relações Interiores, Justiça e Paz), general Vladimir Padrino López (Defesa), coronel Wilmar Castro Soteldo (Agricultura Produtiva e Terras), general Ildemaro Moisés Villarroel Arismendi (Habitação e Moradia), major-general Manuel Quevedo (Petróleo), major-general Carlos Leal Tellería (Alimentação), general de divisão Raúl Alfonso Paredes (Obras Públicas), Almirante Gilberto Pinto Blanco (Desenvolvimento de Mineração Ecológica) e major-general Gerardo Izquierdo Torres (Nova Fronteira de Paz).

O número de militares como ministros no governo de Jair Bolsonaro também é superior a três dos cinco presidentes da ditadura militar (Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo) — cada um deles tinha na composição de seus ministérios sete nomes das Forças Armadas. Na mesma base de comparação, o governo de Bolsonaro empata com o de Costa e Silva, mas ainda está atrás de Castelo Branco, que tinha doze militares como ministros.

Além disso, o Palácio do Planalto conta com cargos de destaque ocupados por egressos das Forças Armadas, como o próprio presidente, que é capitão reformado do Exército, o vice-presidente Hamilton Mourão, general da reserva, além do porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, também general da reserva.

No último dia 14 de fevereiro, Bolsonaro também nomeou o almirante Flávio Augusto Viana Rocha para comandar a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), que ganhou novas funções e agora está subordinada diretamente ao presidente. Oficial-general da ativa da Marinha, Rocha estava à frente do 1º Distrito Naval. A SAE estava ligada anteriormente à Secretaria-Geral da Presidência, uma das quatro pastas com status de ministério que funciona no Palácio do Planalto.

Segundo Cortez, da Tendências Consultoria Integrada, o papel das Forças Armadas deveria ser “apolítico”.

“A partir do momento em que os militares passam a exercer um papel mais político, sofrem desgaste e passam a ser percebidos como atores políticos, não só os da reserva como os da ativa. Isso gera um choque entre mundos: um que funciona como base na hierarquia e disciplina e outro com base em relações mais horizontais. Não há uma escala formal no universo da política. São dois modus operandi bastante complicados”, diz.

“Quando os militares passam a fazer parte do governo, politiza-se a instituição e essa separação vai se tornando mais difícil, especialmente quando se combinam membros da reserva e da ativa. Essas relações vão se tornando mais delicadas e mais complexas. Boa parte da legitimidade das Forças Armadas é ter esse papel não político”, acrescenta.

Christoph Harig, da Universidade Helmut Schmidt, concorda. Ele relembra o caso do general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, que foi ministro-chefe da Secretaria de Governo e deixou o cargo em junho do ano passado, seis meses depois de ser empossado, após se envolver em uma crise com o filho do presidente, Carlos Bolsonaro, e o escritor Olavo de Carvalho, guru ideológico de Bolsonaro.

Santos Cruz se tornou, então, crítico do governo.

“Não acho que isso (presença de militares no governo) enfraqueça diretamente o conceito de democracia, mas levanta questões sobre responsabilidade e relações civil-militares (especialmente porque alguns são da ativa que foram apenas ‘emprestados’ ao governo federal). Os militares insistem que a instituição não se envolve na política do governo e que quem integra o governo não representa os militares como instituição.”

“Mas essas linhas divisórias estão cada vez mais embaçadas, especialmente se os militares puderem retornar à ativa posteriormente. Eles podem dizer que estão sempre agindo no melhor interesse do país, mas os militares estão cada vez mais sendo identificados como parte do governo Bolsonaro”, acrescenta.

“Basta comparar com os EUA, onde o presidente Donald Trump agora critica Kelly (general da reserva John Kelly, ex-chefe de gabinete de Trump) por se manifestar depois de deixar o governo: se, hipoteticamente, alguém como Braga Netto brigasse com Bolsonaro (como Santos Cruz ‘brigou’), ele seria capaz de retornar à suposta atividade apartidária como oficial militar?”, questiona.

‘Diversas fases’

Cortez lembra que a relação de Bolsonaro com os militares passou por diversas fases.

“Não há dúvida de que parte do processo de legitimização da candidatura de Bolsonaro passou por esse apoio dos militares”, diz.

Mas, uma vez iniciado o mandato, houve atritos. Além de Santos Cruz, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, também foi alvo de críticas.

“Num primeiro momento, houve um ativismo do vice-presidente, general Hamilton Mourão, bastante relevante de equilibrar e olhar com cuidado determinadas ações presidenciais. E isso perdeu fôlego ao longo de 2019”, diz Cortez.

“Havia uma expectativa que me parece que não condiz tanto com a realidade de que as Forças Armadas iriam controlar eventuais abusos do presidente Bolsonaro, que imprimiriam um pragmatismo na administração do governo, que também é muito marcada por certa guerra ideológica. Os militares seriam assim um grupo que exerceriam esse poder de veto desses excessos. Essa expectativa não se confirmou”, acrescenta.

Para Cortez, mais recentemente, ocorreu “uma segunda etapa desse papel mais ativo dos militares de ocuparem pastas mais importantes”.

“A ideia de se cercar de militares reforça o mandato Bolsonaro diante de um conjunto bem relevante de críticas do estilo bolsonarista. É um movimento estratégico”, diz.

Outro risco da atuação política de militares dentro do governo, também apontado por especialistas, é a contaminação da caserna, cuja simpatia ao bolsonarismo é amplamente conhecida. Soldados poderiam sentir-se assim ‘avalizados’ em possíveis reivindicações pelo posicionamento ideológico de seus superiores.

Recentemente, motins ilegais de policiais militares se espalharam por todo o Brasil.

“Ao trazer as Forças Armadas para o debate político, isso gera desgaste. Preservar o papel institucional passa por esse distanciamento. Toda essa conjuntura vai gerar um dilema para a instituição”, conclui Cortez.

Triturados vivos: o terrível destino de pintinhos machos na indústria

Quando um pintinho sai do ovo, tem coração, sistema nervoso, pulmões. Logo depois do nascimento já é capaz de comer sozinho e sair andando atrás da mãe.

No entanto, se ele for um pintinho macho da linhagem de avicultura de postura, ou seja, o tipo de ave usado na indústria para botar ovos e não para ser vendida por sua carne, provavelmente será jogado numa espécie de triturador assim que nascer e seu sexo for identificado.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) diz que no Brasil esse é o destino de em torno de 6-7 milhões de pintinhos por mês, considerando que aproximadamente 50-52% dos ovos férteis incubados darão origem a pintos machos.

Na criação comercial de aves poedeiras, os machos, que não botam ovos, não servem. A indústria cria dois tipos de animais: de postura, que botam ovos, e a de frangos de corte, criados para serem mortos e comidos.

Os machos da linhagem de postura não botam ovos e ao mesmo tempo são considerados inadequados para corte porque demoram mais a ganhar peso e não ficam do tamanho de um frango do tipo usado para abate.

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A morte e o descarte de pintos machos logo após o nascimento é prática comum na produção de alimentos em todo o mundo. No Brasil, não há um método estabelecido e obrigatório por normas do Ministério da Agricultura. No entanto, a maceração mecânica, espécie de trituração, é o mais adotado em todo o mundo.

Também se usa o método de asfixia por gás, mas esse é menos comum, dizem especialistas. Mesmo empresas que vendem ovos de galinhas criadas livres e têm perfil de maior preocupação com bem-estar animal compram animais de incubatórios onde o descarte dos machos é praxe.

O assunto é tabu na indústria porque ainda não há solução que possa ser adotada em grande escala. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa a avicultura e a suinocultura do Brasil, respondeu perguntas enviadas por e-mail, mas negou pedido de entrevista.

A veterinária Vania Plaza Nunes, diretora do Fórum Nacional de Defesa e Proteção Animal, considera o assunto uma questão ética urgente. “Você está condenando um animal à morte porque nasceu do sexo errado”, diz a veterinária. Além disso, diz, deve-se levar em conta o bem-estar do animal.

A ABPA, por sua vez, diz que o método é adotado em vários países e considerado “humano” e que “defende o debate racional e a apresentação de alternativas que permitam a preservação do status sanitário e a viabilidade econômica, que evitem impactos financeiros significativos ao preço para o consumidor”.

“Vale lembrar que o ovo é uma proteína acessível, estratégica para a garantia de segurança alimentar para a população”, escreveu a associação.

Um posicionamento do Diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Geraldo Marcos de Moraes, escrito em agosto de 2019 e obtido pela BBC News Brasil via Lei de Acesso à Informação, sugere um desejo de redução dessa prática, mas descreve obstáculos.

“Para a adoção das boas práticas na avicultura, incluindo a redução do descarte de pintos de um dia, é necessário mudança de cultura e conscientização dos produtores (…) A redução do descarte de pintos de um dia é um processo longo e gradual, que depende de vários fatores e envolve diversas instituições além do Ministério da Agricultura, como instituições de pesquisa, órgãos estaduais de fomento e extensão agrícola etc.”, escreveu o diretor.

Quando os filhotes saem dos ovos, uma pessoa treinada na técnica de sexagem, ou seja, a identificação do sexo da ave, separa machos e fêmeas. Os machos são descartados em seguida.

“Eles são jogados numa espécie de liquidificador”, diz a veterinária Vania Nunes. É o processo chamado na indústria de “maceração”.

Segundo o guia brasileiro de boas práticas para eutanásia em animais, do Conselho Federal de Medicina Veterinária, é o “método empregado com o uso de equipamento apropriado em que a velocidade das lâminas produz imediata destruição por laceração dos tecidos e induz rapidamente a morte de um grupo de pequenos animais”.

“A maceração pode ser considerada equivalente ao deslocamento cervical ou ao trauma sobre a cabeça. Suas vantagens são a morte instantânea e a possibilidade de ser aplicada a um grande número de animais”, diz o texto.

Depois, o que sobra — uma espécie de massa — é descartado, segundo o Ministério da Agricultura, e usado em compostagem ou depositado em aterros sanitários, dependendo da legislação ambiental de cada Estado.

Segundo a Embrapa, o material oriundo do descarte de pintos de um dia, cascas de ovos, ovos inférteis e não eclodidos pode servir, depois de tratado, de composto fertilizante para utilização em lavouras, áreas de hortifrúti ou para alimentação de peixes.

Uma resolução do Conselho Federal de Medicina Veterinária diz que os animais a serem mortos “são seres sencientes”, portanto, capazes de sentir ou ter sensações.

A veterinária Vania Nunes diz que os pintinhos sofrem de várias maneiras durante esse processo. “Ele vai sentir dor física porque o sistema nervoso central já está formado”, diz ela.

A veterinária acrescenta que o pintinho é capaz de perceber o que acontece no seu entorno e por isso sofre psicologicamente também. “Ele tem capacidade de percepção sensorial desenvolvida quando sai de dentro do ovo. Ele é capaz de entender o ambiente onde ele está”, diz ela.

Além disso, diz, ela, “aquele indivíduo já é um vencedor porque se ele nasceu direitinho, inteiro, do ponto de vista biológico, já é uma vitória. Você está condenando um animal à morte porque nasceu do sexo errado”.

Fabiana Ferreira, professora de zootecnia do campus de Montes Claros da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), diz que, se a máquina estiver bem ajustada e trabalhando na capacidade correta, o processo é rápido e não gera erros.

“O grande problema é quando a manutenção não está boa ou se sobrecarrega a máquina. Nesses casos, pode ser que algum animal passe sem ser macerado de forma imediata e demore alguns segundos para morrer”, diz a especialista. Segundo ela, a fiscalização dos estabelecimentos regularizados é eficaz.

No entanto, continua, “por mais éticos que tentamos ser, ainda é um processo que poderia ter alternativas, como a identificação do sexo enquanto ele ainda está no ovo em fase de desenvolvimento embrionário, a não realização da eliminação do animal (destinando esse à criação alternativa de aves). Toda vida que vem ao mundo tem que ter qualidade, mesmo que por um dia”, acrescenta.

Segundo a zootécnica, uma alternativa mais humanitária seria a morte do animal por deslocamento cervical, “que é um método de eutanásia ainda aceito quando ave tem pouco peso, como o caso dos pintinhos”, mas esse método é mais trabalhoso por causa do grande número de animais a serem submetidos a ele, um por um.

A Embrapa considera a prática “admissível”. Citando norma do Conselho de Veterinária, diz que os métodos aplicados devem assumir “princípios básicos norteadores dos métodos de eutanásia: elevado grau de respeito e ausência ou redução máxima de desconforto e dor nos animais; busca da inconsciência imediata seguida de morte; ausência ou redução máxima do medo e da ansiedade; segurança e irreversibilidade”. Segundo a organização, a maceração se encaixa na categoria.

O Ministério da Agricultura diz que o método “é considerado pela Organização Mundial de Saúde Animal como adequado, do ponto de vista do bem estar animal (…) e tem como uma de suas vantagens a morte imediata dos animais. (…) Esse método também está previsto no Guia Brasileiro de Boas Práticas para a Eutanásia de Animais, do Conselho Federal de Medicina Veterinária”, diz a pasta, em resposta enviada por e-mail à BBC News Brasil.

No posicionamento obtido via Lei de Acesso à Informação pela BBC, o diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Geraldo Marcos de Moraes diz que a proibição do descarte desses animais geraria “outro problema grave, decorrente da falta de destinação a esses animais, incluindo, por exemplo, abandono, alimentação inadequada e consequente problemas sanitários”, escreve ele.

“Atribuir ao produtor o ônus de manter estes animais sem que haja mercado para os mesmos também geraria problemas, uma vez que o custo da produção aumentaria significativamente, tornando a atividade inviável e resultando no abandono da produção.”

Alguns países estão tentando mudar essa prática; no Brasil há menos sinais de esforços nesse sentido.

A França prometeu proibir a prática de abater filhotes machos indesejados até o final de 2021, como parte das reformas do bem-estar animal, mas as alternativas ainda estão em discussão. Na Alemanha, um tribunal decidiu que a prática pode continuar temporariamente até que uma alternativa seja encontrada. No ano passado, a Suíça proibiu a maceração.

Equipes de pesquisa na Alemanha e na Holanda desenvolveram uma tecnologia que permite identificar o sexo de um pintinho nas primeiras fases da incubação, que dura 21 dias. Assim, machos podem ser descartados antes da eclosão. Uma empresa alemã, a Selectegg, vende ovos usando essa tecnologia em redes de supermercados na França e na Alemanha; eles foram batizados de “respecteggs”.

Outra estratégia, esta adotada por pequenos produtores de ovos, é criar aves de “dupla finalidade”, ou seja, raças nas quais os galos são robustos o suficiente para que possam ser criados para corte, em vez de descartados. Segundo a Embrapa, “o foco são nichos de mercado, cujo produto assemelha-se a galetos/conformação de aves menores”.

O Diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura comenta sobre o tema em texto obtido pela BBC via Lei de Acesso à Informação em agosto de 2019.

“O desenvolvimento de aves de dupla aptidão permitirá que os animais tenham algum rendimento em qualquer uma das finalidades, reduzindo o descarte dos machos de aves de postura. É preciso destacar, no entanto, que as aves de dupla aptidão sempre terão um rendimento inferior ao das aves geneticamente selecionadas para uma finalidade específica, aumentando o custo de sua produção e reduzindo os ganhos com o produto, sendo necessários programas de incentivo ao produtor para criação de aves de dupla aptidão. Adicionalmente, a seleção genética para o desenvolvimento de linhagem de dupla aptidão comercialmente viável é um processo de longo prazo.”

No Brasil, segundo escreveu a ABPA por e-mail, empresas de genética e de avicultura de ponta no Brasil “participam ativamente” em buscas por alternativas como a identificação do sexo dentro do ovo e estudos de utilização comercial dos machos. “Porém as alternativas ainda não estão completamente aprovadas e/ou disseminadas. Em uma cadeia produtiva longa e de dimensões continentais — como é a brasileira — são processos que demandam tempo para viabilização da implantação”, diz a associação.

Você comeria um ‘filé’ fabricado por uma impressora 3D?

Com o uso em larga escala de impressoras 3D por diversas indústrias, alguns setores vêm se aventurando com a tecnologia na expectativa de também incorporá-la a seu processo produtivo no futuro.

Isso está acontecendo, por exemplo, na indústria de alimentos.

A empresa Nova Meat, baseada em Barcelona, na Espanha, lançou recentemente uma “carne vegetariana” feita com ervilhas, arroz e alga marinha.

A primeira família a se mudar para uma casa construída com uma impressora 3D

O uso da impressora 3D permite que os ingredientes sejam dispostos em filamentos, à semelhança das proteínas presentes no músculo dos animais.

“Isso nos permite modular a textura do produto e mimetizar o sabor e as propriedades nutricionais de uma variedade de carnes e frutos do mar, assim como a aparência”, afirma Guiseppe Scionti, fundador da startup.

Ele espera que, a partir do próximo ano, restaurantes na Espanha também possam “imprimir” a própria carne.

Quando a impressão 3D surgiu, cerca de 20 anos atrás, seus entusiastas prenunciaram que a tecnologia revolucionaria muitas indústrias.

E, em muitos aspectos, ela tem sido um sucesso. Em 2018, 1,4 milhões de impressoras 3D foram vendidas no mundo — número que deve subir para 8 milhões em 2027, de acordo com a empresa de pesquisa Grand View Research.

“Novas possibilidades de aplicação da tecnologia são descobertas a todo momento, com o lançamento de materiais e máquinas todo ano”, diz Galina Spasova, pesquisadora sênior IDC Europe, especializada no mercado de TI.

A chamada “revolução da impressão 3D” já dominou, por exemplo, o mercado de aparelhos auditivos.

As impressoras hoje são capazes de fabricar praticamente todas as peças do produto, das partes de plástico e de metal às de resina.

“Antigamente, a fabricação era feita um a um, em um processo demorado e custoso”, afirma Stefan Launer, vice-presidente na Sonova, fabricante de aparelhos auditivos.

“Agora, quando recebemos um pedido, são necessários apenas alguns dias para que o produto acabado, customizado para o corpo do cliente, seja entregue”, acrescenta.

A técnica também “revolucionou” a indústria da odontologia, destaca Spasova, da IDC Europa, ao reduzir sensivelmente o tempo necessário para se fabricar coroas e pontes para próteses dentárias e aumentar a precisão na fabricação dos produtos.

Em uma escala maior, o equipamento tem sido usado pela Boeing para imprimir partes de aeronaves para uso comercial e militar e pela britânica BAE Systems para fabricar componentes para o caça Typhoon.

A Estação Espacial Internacional conta inclusive com sua própria impressora 3D, usada para gerar peças sobressalentes que possam ser úteis quando houver necessidade de substituição.

Um dos campos em que o uso das impressoras 3D tem se mostrado mais promissor é o da medicina. Já há algum tempo médicos têm conseguido imprimir próteses que saem por um valor muito mais barato do que o preço usual e podem ser mais facilmente personalizadas para cada paciente.

No começo deste ano, aliás, um gato na Rússia recebeu uma prótese de titânio feita em uma impressora após perder a perna por causa do frio.

Até medicamentos têm sido fabricados em impressoras 3D — algo que pode ser útil no tratamento de crianças, que geralmente necessitam de doses menores.

“A maioria dos medicamentos para crianças não foi feita pensando nelas, muitas vezes nem foi submetida a testes clínicos com crianças”, pontua Matthew Peak, codiretor da unidade de pesquisa clínica da NIHR Alder Hey.

No ano passado, a equipe do cientista tornou-se a primeira do mundo a produzir uma pílula com impressora 3D especificamente para uma criança.

Um dos feitos que provavelmente mais chamam atenção nessa área é a impressão de órgãos do corpo humano. Pesquisadores do Instituto Politécnico Rensselaer, nos Estados Unidos, anunciaram recentemente haver desenvolvido um processo de fabricação de pele e vasos sanguíneos que poderá ser usada para pacientes vítimas de queimaduras.

A tecnologia foi testada apenas em ratos, mas com resultados promissores. Segundo o professor Pankaj Karande, os enxertos colocados em algumas das cobaias conseguiram se conectar com os vasos sanguíneos dos animais, fazendo com que o tecido se mantivesse “vivo”.

“Isso é extremamente importante, porque nós sabemos que há de fato transferência de sangue e nutrientes do corpo para o enxerto.”

Alguns torcem para que a tecnologia possa ser usada em escala ainda maior.

“Acreditamos que a impressão 3D será usada no futuro para levantar casas e prédios, mudando a forma como o mundo constrói”, comenta Kirk Anderson, engenheiro chefe da americana SQ4D, que trabalha com esse tipo de projeto.

No início deste ano, a empresa ergueu uma casa de 175 m² em apenas oito dias usando um robô para construir as paredes em camadas.

Apesar de o telhado ainda ser feito da maneira convencional, o processo reduz “drasticamente” o volume de material e o custo do trabalho, diz Anderson.

Segundo ele, o custo total chega a ser 70% inferior ao de uma casa construída pelos métodos “tradicionais”.

A tecnologia está sendo aperfeiçoada. Ainda assim, prédios em várias partes do mundo foram erguidos com a ajuda de impressoras 3D.

Quem é o fundador do WikiLeaks, Julian Assange?

Julian Assange compareceu a um tribunal britânico pelo segundo dia nesta terça-feira para lutar contra um pedido de extradição dos Estados Unidos que querem levá-lo a julgamento por piratear computadores do governo e violar leis de espionagem.

Conheça a linha do tempo que levou o hacker para sua segunda apelação contra a extradição dos EUa. 

2006

Julian Assange funda o WikiLeaks, uma base de informação confidencial ou secreta. 

Abril de 2010

O WikiLeaks divulga um vídeo de um helicóptero americano que mostra uma ataque aéreo que matou civis em Bagdá. 

Julho de 2010

Relatórios secretos dos EUA sobre a guerra do Afeganistão são publicados pelo WikiLeaks.

Outubro de 2010

O WikiLeaks publica 400.000 arquivos da guerra do Iraque na maior violação de segurança da história dos EUA. 

“Houve muitas citações erradas de minhas palavras e de publicações do WikiLeaks”, afirmou Assange.

Novembro de 2010

Um tribunal sueco ordena a prisão de Assange por acusações de estupro que ele nega.

Dezembro de 2010

Assange é preso no Reino Unido e libertado sob fiança. “É incrível sentir o ar fresco de Londres novamente”, diz o acusado. 

Junho de 2012

Assange se refugia na embaixada do Equador em Londres violando as condições de sua fiança. “Estou a quase 5 anos aqui nesta embaixada sem luz solar.”

Abril de 2019

Assange é retirado da embaixada equatoriana e preso pela polícia britânica

Novembro de 2019

Os promotores suecos abandonam a investigação de estupro afirmando que não há evidências suficientes para que acusações sejam apresentadas contra Assange

Baleia presa em rede de pesca ilegal é resgatada no México

Ativistas da organização de conservação Sea Shepherd libertaram na sexta-feira uma baleia-jubarte que ficara presa em uma rede de pesca ilegal no Mar de Cortés, no México.
Baleia presa em rede é resgatada. 

Ambientalistas da organização Sea Shepherd liberaram uma baleia-jubarte que havia ficado presa em uma rede de pesca ilegal.

Os ativistas patrulhavam uma área que é um refúgio para a vaquita uma espécie praticamente extinta de boto

“Essa é uma triste lembrança de por que é tão importante para nós proteger o refúgio contra a pesca ilegal”, afirma Octavio Carranza, ativista da Sea Shepherd. 

Após várias horas de esforços o animal foi liberado com segurança. 

Alemanha registra dois novos casos de coronavírus

A Alemanha registrou mais dois casos de infecção por coronavírus incluindo o de um homem de 47 anos em estado grave, segundo informaram autoridades locais nesta quarta-feira (26).

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O paciente está sendo tratado numa ala isolada de uma clínica no estado da Renânia do Norte-Vestfália

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Outra pessoa, que tinha acabado de voltar de uma viagem à cidade italiana de Milão, testou positivo para a doença no estado de Baden-Württemberg e sua situação é estável.

Fonte: Dow Jones Newswires.