Na Índia, Tereza Cristina diz que agricultura brasileira não é vilã

A agricultura brasileira não deve ser tratada como vilã das mudanças climáticas ou do meio ambiente, forma pela qual tem sido vista por parte da sociedade brasileira e também por alguns integrantes da comunidade internacional. A avaliação é da ministra Tereza Cristina, uma “caixeira-viajante” do setor, cuja equipe foi a pelo menos 32 destinos internacionais nos últimos 13 meses para promover o setor. “Abrir mercado não dá para ser por telefone, é olho no olho.”

A ministra admite que existe de fato uma preocupação grande com mudanças climáticas ao redor do mundo e que “ninguém tem pretensão de negar isso”, mas ressalta que os agricultores são os principais interessados no clima e em ter chuvas com regularidade. “Fica parecendo que para produzir a gente tem que destruir o meio ambiente, e não é isso. Temos 66% de vegetação nativa intacta e estamos trabalhando há muito tempo para fazer uma agricultura sustentável”, afirmou em entrevista exclusiva ao serviço de notícias em tempo real do jornal O Estado de S. Paulo na Embaixada do Brasil em Nova Délhi.

Leia mais: Presidente da Índia pede que Brasil retire ação contra açúcar indiano

A ex-líder da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) afirma, no entanto, que há gente colocando outros ingredientes e interesses na discussão ambiental. “Eles acham que a agricultura brasileira é muito competitiva. E é mesmo, mas não é destruindo a imagem do Brasil que eles vão conseguir. O Brasil foi vilanizado, botaram o alvo nas nossas costas e o povo está dando tiro”, disse. Para ela, o tema ganhou mais atenção após a assinatura do acordo União Europeia-Mercosul, fechado em junho de 2019.

Na missão à Índia, o objetivo é aquele traçado desde o início da gestão: diversificar a pauta de produtos exportados pelo agronegócio brasileiro e oferecer novas oportunidades para os agricultores e pecuaristas do Brasil. Além de commodities, ela tem discutido a venda de produtos como feijão, gergelim e grão de bico para os indianos.

Veja também: Na Índia, Bolsonaro diz que, no Brasil, imigrantes têm ‘mais direito que nós’

Segundo a ministra, a cadeia se organiza quando começa a exportar, o que eleva a competitividade e a renda. Também foi debatida a possibilidade de redução de tarifa para carne de frango e suína e a abertura do mercado para citrus.

Tereza Cristina ainda enalteceu a liderança do Brasil em pesquisas e inovações para a agropecuária tropical, dizendo que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) pode ser um atrativo nas negociações bilaterais.

A ministra citou ainda as possibilidades para o Brasil diante do interesse dos indianos em começar a produzir etanol e em mudar sua matriz energética. O governo do primeiro-ministro Narendra Modi quer chegar a 20% de etanol na mistura com a gasolina – hoje não passa de 7% – e demonstrou interesse nos motores flex do Brasil. “É um jogo de ganha-ganha”, resume, citando que o Brasil tem equipamentos de última geração e tecnologias inovadoras que os indianos podem adquirir.

“As conversas estão acontecendo, mas não é do dia para a noite. Agora, só anda se tiver interesse, se não a gente vem aqui e fala bonito, vamos embora e ninguém dá continuidade. Mas, na minha percepção, o momento é bom”.

Sobe para 14 o número de mortos em explosão de gás em Lima

Aumentou para 14 o número de pessoas mortas devido à explosão de um caminhão que transportava gás na quinta-feira (23) no distrito de Villa El Salvador, que deixou também dezenas de feridos e várias lojas destruídas, informou neste sábado o Ministério da Saúde do Peru.

Embora apenas uma morte tenha ocorrido no local do acidente, as outras pessoas morreram em vários hospitais da capital peruana devido a queimaduras graves causadas pelo enorme incêndio, que inicialmente feriu mais de 50 pessoas.

Crianças tiveram queimaduras em 96% dos corpos

Entre as mortes estão dois menores de idade incluindo um menino de três e uma menina de quatro anos, que tiveram queimaduras em 96% dos corpos e morreram de parada cardiorrespiratória.

Também morreram recentemente três mulheres, identificadas como Isabel Marín, de 22 anos, que estava grávida; Rosalía Espíritu, de 52; e Janet Segovia, 39, assim como José Manuel Rodríguez, um venezuelano de 40 anos.

Entre as 14 pessoas que morreram até agora, há um total de cinco menores, seis mulheres e três homens, cujas idades variam de 18 a 61 anos.

Cerca de 40 feridos estão internados em vários hospitais de Lima, incluindo quatro crianças em estado grave no Instituto Nacional de Saúde da Criança.

“Temos quatro pacientes com queimaduras em 80% a 99% dos corpos. A condição é muito crítica, mas os nossos especialistas estão empenhados em ajudar estas crianças. Sabemos que a tarefa é difícil, mas não estamos perdendo a fé”, disse Daniel Koc Gonzales, pediatra-chefe do centro médico. 

Heartland: como um geógrafo do século 19 desenvolveu a teoria que rege a geopolítica atual

Vivíamos em um mundo dominado pelos Estados Unidos, mas que, de certo modo, estava organizado por tratados internacionais. Isso, no entanto, está caindo por terra.

Os países mais poderosos estão fazendo valer seu potencial e, cada vez mais, criam suas próprias regras. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por exemplo, já disse certa vez que “rechaça a ideia da globalização”.

Controlar territórios é um conceito importante para esses Estados, porque isso lhes proporciona poder econômico e apoio militar.

Trata-se de um jogo geopolítico que já era previsto por um geógrafo britânico que nasceu no século 19, chamado Halford John Mackinder.

Ele desenhou, em 1904, uma teoria que marcou profundamente a geopolítica durante décadas no século passado e que, agora, parece estar de volta.

Naquela época, os oceanos eram dominados pela Marinha britânica, que era crucial para que uma ilha como a Grã Bretanha mantivesse seu grande império.

No entanto, Mackinder pensou que essa situação se encontrava ameaçada. E foi aí que ele começou a se aprofundar sobre o que chamou de o “Heartland” (o coração da terra) da Eurásia.

Essa zona, segundo ele, englobava as áreas agrícolas da parte europeia da Rússia, se estendia por vastos territórios até a Ásia central e chegava até os bosques e as planícies da Sibéria, um território rico em recursos inexplorados como o carbono, a madeira e outros minerais.

Mackinder pensou que uma área tão extensa e rica, que ao mesmo tempo podia ser percorrida por um sistema ferroviário, era uma zona chave para os países com ânsia de poder.

Advertência

Quinze anos depois, após a Primeira Guerra Mundial, os líderes se reuniram em uma conferência de paz em Versalhes para redesenhar as fronteiras do mundo, expandir a democracia e acabar com a guerra para sempre.

Mas Mackinder pensou que, para que pudessem levar isso adiante, teriam de enfrentar a realidade geográfica e tomar certas precauções. Do contrário, temia, deixariam a porta aberta para a Rússia ou a Alemanha dominarem o Heartland e transformá-lo em uma base militar gigante.

A Primeira Guerra Mundial trouxe como consequência uma reorganização de fronteiras que hoje segue influenciando a geopolítica atual.

Dali, o poder do Heartland podia construir uma frota indestrutível, derrotar a poderosa Marinha britânica e finalmente dominar a Eurásia e a África — e converter-se na “Ilha do Mundo”.

Isso significava que Europa e Rússia deviam manter-se divididas. Mackinder escreveu essa teoria em um livro que chamou de Ideais Democráticos e a Realidade.

“Quem domina o leste da Europa, domina Heartland. Quem domina Heartland, reina na ‘Ilha do Mundo’. Quem domina a ‘Ilha do Mundo’ governa o mundo inteiro”, afirma a teoria de Mackinder.

Inspiração nazista

Em Munique (Alemanha), outro geógrafo e veterano da guerra chamado Karl Haushofer estudava os trabalhos de Mackinder.

Haushofer temia e odiava o vitorioso Império Britânico, o qual via como um estrangulador mundial. Foi assim que ele transformou a teoria de Heartland em uma estratégia.

Pensou que seu país, humilhado depois da grande guerra, podia formar uma grande aliança com a Rússia e Japão e assim cortar os tentáculos do poder naval britânico.

Essa teoria intrigou a um dos estudantes de Haushofer, Rudolf Hess, que era membro do novo partido nacional-socialista.

Em 1923, os nacional-socialistas tentaram tomar o poder, mas Hess terminou preso. Foi visitado por Haushofer, que ofereceu aulas tanto a ele quanto a seu companheiro de prisão, Adolf Hitler.

Dez anos depois, os nazistas conseguiram chegar ao poder. E, em 1939, o ministro de Relações Exteriores nazista e seu par soviético surpreenderam o mundo firmando um pacto de não agressão.

Haushofer celebrou a notícia. Pensava que se tratava do nascimento do grande poder territorial entre Rússia e Alemanha com o qual havia sonhado.

Imediatamente após as notícias sobre o pacto, a revista britânica New Statesman publicou um artigo para demonstrar como os nazistas haviam realizado seus planos geopolíticos por meio das ideias de Haushofer, por sua vez inspiradas por Mackinder.

Verdadeira ou não, a ideia de que Mackinder havia inspirado o pacto se estendeu pelos Estados Unidos. A revista Life publicou uma grande reportagem mapeando as ideias de Mackinder e explicando como seus conceitos estavam sendo usados por nazistas e como os americanos deviam estudá-lo.

Hollywood também se interessou por essa teoria, representando em um filme as reuniões entre Haushofer e Hess. O filme mostrava Haushofer como um gênio malvado a cargo de um grande Instituto de Geopolítica que supostamente estava por trás dos “planos de destruição” nazistas.

Nos Estados Unidos, “geopolítica” transformou-se em outra palavra para qualificar o fanatismo germânico.

A propaganda da indústria cinematográfica americana contou ao público que a teoria de Mackinder era a base da estratégia de Hitler.

A ideia de que sua teoria inspirou os nazistas perturbou Mackinder. Em 1943, a revista americana Foreign Affairs entrou em contato com ele para perguntar sua opinião geopolítica sobre os rumos da Segunda Guerra Mundial.

Durante a entrevista, Mackinder advertiu que “se a União Soviética saísse da disputa como conquistadora da Alemanha, se tornaria a grande potência terrestre do mundo”.

Em 1945, a Alemanha afundou. O regime nazista se rendeu de forma incondicional e o país foi dividido em duas zonas pelos Aliados.

O modelo de Mackinder passou a pressagiar o enfrentamento Leste-Oeste da Guerra Fria. Ocidente e a União Soviética viraram inimigos outra vez.

Depois que as forças pró-soviéticas absorveram Polônia, Hungria, Romênia e outros países, o poder que dominava o leste da Europa e Heartland passou a ser a União Soviética, não a Alemanha.

Nas universidades Ivy League (grupo formado por oito das universidades mais prestigiadas dos EUA), os acadêmicos já haviam estimulado o estudo de trabalhos de Mackinder para confrontar o risco de que um país dominasse a “Ilha do Mundo”.

Agora que os soviéticos estavam em expansão, as ideias de Mackinder chegaram ao diplomático americano George Kennan.

Ameaça soviética

Kennan propôs que, para evitar que a União Soviética dominasse a grande massa de terra euroasiática, era preciso contê-la de algum modo.

Mackinder morreu em 6 de março de 1947, mas suas ideias seguiram muito vivas.

Seis dias depois, o presidente Harry Truman disse ao Congresso dos Estados Unidos que eles deveriam conter a União Soviética e ajudar aos países ameaçados pela expansão comunista.

Dessa forma, o Ocidente capitalista e o Leste soviético se envolveram em uma Guerra Fria durante décadas.

Os Estados Unidos estabeleceram uma série de bases ao redor dos blocos dominados por soviétivos, da Alemanha a Itália, Turquia, Coreia do Sul e Japão.

Os críticos viam a contenção norte-americana como parte de uma agressiva e imperialista política exterior. Outros, por outro lado, argumentavam que protegia a democracia.

Em 1991, os passos em direção à queda da URSS haviam desencadeado demandas de independência em várias repúblicas soviéticas. Nada poderia parar a desintegração do bloco socialista oriental.

Novo enfoque

Terminada a Guerra Fria, a teoria de Mackinder tomou outra matiz. Depois do abandono do comunismo, a economia russa estava presa entre sistemas soviéticos antigos e quebrados e a súbita introdução do capitalismo ocidental.

O contraste foi agressivo. E para muitos russos, representou o caos e humilhação. Então, novos pensadores políticos começaram a surgir.

Um foi o ex-dissidente de direita Aleksandr Dugin, que se envolveu profundamente com as ideias de Mackinder para apresentar a Rússia como um país aprisionado em meio às ânsias de poder do Ocidente. Em 1997, Dugin expressou suas ideias em um livro chamado Fundamentos da Geopolítica, que se tornou um best-seller.

“Em geopolítica, há dois polos absolutos de poder. O poder naval, que pertence ao Ocidente, e o poder terrestre, que é a Rússia. Há uma briga para controlar Heartland. Como dizia Mackinder, quem controla o leste da Europa, controla Heartland. E quem controla Heartland, domina o mundo”, disse, em uma conferência em Xangai.

Após sua libertação do domínio soviético, vários países do leste da Europa fizeram fila para unirem-se à Otan (a aliança militar do Atlântico Norte) e à União Europeia, com medo de futura agressão russa.

Mas se a Europa Oriental se preocupava com a Rússia, a Rússia se preocupava com a Otan.

Dugin usou a teoria de Mackinder para concluir que a Rússia deveria mover-se para dominar, mais uma vez, as antigas repúblicas soviéticas ou “Eurásia”.

Alguns acadêmicos argumentaram que as ideias de Dugin provaram ser úteis para os líderes russos que querem permanecer fortes diante do que consideram um excessivo domínio ocidental.

Em 2011, o presidente Vladimir Putin propôs a formação da União Econômica da Eurásia. E em 2014, na cerimônia realizada em Astana, capital do Cazaquistão, foi assinado um acordo entre este país, a Bielorrússia e a Rússia.

Logo outras ex-repúblicas soviéticas se juntaram, mas a situação pioraria em 2013.

Naquele ano, a Ucrânia estava em negociações para se juntar à União Europeia, mas o então presidente ucraniano, Víktor Yanukovich, retirou-se do pacto sob pressão russa.

Manifestantes pró-europeus ocuparam o centro de Kiev, e Yanukovych enviou a polícia armada, transformando a situação em um conflito sangrento.

Os protestos pró-russos foram realizados no leste da Ucrânia, que acabaram se tornando uma insurgência apoiada pela Rússia.

E no sul da Ucrânia, a Rússia aproveitou a oportunidade para anexar a Crimeia, que, como o leste do país, tem uma alta população étnica russa.

Um novo pretendente

Embora a Rússia controle grande parte de Heartland, isso não significa que controle a “Ilha do Mundo” na sua totalidade.

O território da Eurásia testemunhou o crescimento de uma nova potência, um novo pretendente ao controle da região: a China.

Se Mackinder vivesse hoje, talvez ele estivesse preocupado com as extensas redes ferroviárias que o país está construindo em todo o continente.

As relações entre a China e a Rússia são boas, mas, dadas as experiências do passado, nada garante que elas permaneçam no futuro.

Mais de um século depois de Mackinder, surge a pergunta: saber se suas teorias são parte do passado ou ainda são válidas no presente.

Número de mortos por terremoto no sudeste da Turquia sobe para 35

As autoridades da Turquia elevaram neste domingo (26) para 35 o número de mortos em consequência do terremoto que sacudiu a província de Elazig, no sudeste do país, dois dias atrás, segundo veiculou a agência de notícias estatal “Anadolu”.

O tremor de terra, que alcançou 6,8 graus na escala Richter e teve o epicentro na zona rural da região, deixou cerca de 1.600 feridos, que precisaram ser atendidos em hospitais locais. Pelo menos 30 seguem em estado grave, recebendo tratamento intensivo.

As equipes de resgate seguem trabalhando desde o terremoto. Ao todo, 45 pessoas conseguiram ser retiradas dos escombros com vida, embora entre esse grupo, tenha ocorrido registro de morte posterior, em unidades de saúde do país.

O ministro do Interior, Süleyman Soylu, por exemplo, revelou a manhã deste domingo (hora turca), que após uma madrugada de trabalho sob temperaturas negativas, uma equipe segue buscando seis pessoas que foram soterradas na periferia da cidade de Elazig, capital da província homônima.

“Temos esperanças de resgatá-los sãos e salvos”, garantiu o titular da pasta, em entrevista coletiva.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, visitou no sábado (25) a região atingida pelo desastre e aproveitou para agradecer o sacrifício das equipes de resgate. Logo depois, o chefe de governo embarcou para viagem oficial para Argélia, Gâmbia e Senegal.

Desde o registro do terremoto, mais de 700 réplicas foram registradas, sendo que 20 tiveram magnitude superior a 4 na escala Richter. Esses novos tremores, no entanto, não resultaram em novos danos.

Após crise, Moro destaca combate ao crime organizado

O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, apresentou no sábado (25) números sobre o combate ao crime organizado e sugeriu alinhamento com o presidente Jair Bolsonaro na área. A manifestação, feita em seu perfil nas redes sociais, veio depois de uma crise envolvendo declarações de Bolsonaro sobre a recriação do Ministério da Segurança Pública, atualmente sob o guarda-chuva da pasta de Moro.

O ex-juiz da Lava Jato indicou que vai manter a agenda de visibilidade, acentuada na semana passada. Na segunda-feira passada, Moro participou do Roda Vida, da TV Cultura, que bateu recorde de audiência em 12 meses. A entrevista foi vista por mais de 1,5 milhão de pessoas no canal do programa no YouTube.

O ex-juiz da Lava Jato indicou que vai manter a agenda de visibilidade, acentuada na semana passada. O ministro deverá conceder hoje entrevista ao programa Pânico, da rádio Jovem Pan. Na segunda-feira passada, Moro participou do Roda Vida, da TV Cultura, que bateu recorde de audiência em 12 meses. A entrevista foi vista por mais de 1,5 milhão de pessoas no canal do programa no YouTube.

Nos posts, ele também defendeu a transferência de chefes de facções a presídios federais – medida tomada em sua gestão que desagradou a governadores e respectivos secretários de Segurança Pública.

“342 criminosos perigosos foram transferidos aos presídios federais em 2019. Ao final do ano, eram 624, recorde histórico. Pela lei anticrime, todas as conversas com visitantes são gravadas, o que reduz a possibilidade do envio de ordens para a prática de crimes lá fora”, disse Moro, citando a lei que entrou em vigor na quinta-feira.

A crise entre Moro e Bolsonaro chegou ao fim na sexta-feira, quando o presidente recuou da ideia de desmembrar o Ministério da Justiça após forte reação contrária de quem interpretou a medida como uma forma de esvaziar a atuação do ministro no governo. Para aliados de Moro, Bolsonaro quis dar uma “alfinetada” nele por sua participação no Roda Viva.

Para assessores do presidente, o ex-juiz não defendeu Bolsonaro com a “ênfase esperada” no programa. O nome de Alberto Fraga – ex-deputado federal, amigo e interlocutor do presidente – apareceu em primeiro lugar na bolsa de apostas para assumir a nova pasta.

A possibilidade de desmembrar a pasta de Moro foi levantada na quarta-feira, quando secretários estaduais de Segurança, em reunião com Bolsonaro, apresentaram suas demandas, entre elas a recriação da pasta de Segurança. Após o encontro, o presidente anunciou publicamente apenas essa sugestão, o que foi interpretado pelos secretários como um endosso de Bolsonaro à ideia.

Na Índia, Bolsonaro participa do Dia da República e vê desfile militar

O presidente Jair Bolsonaro participou na manhã deste domingo (26) da cerimônia do Dia da República da Índia, a principal data nacional do país. Com forte esquema de segurança e realizada na principal avenida da cidade, é uma celebração para destacar os valores, a cultura e as conquistas do povo indiano. Bolsonaro foi o convidado de honra do primeiro-ministro Narendra Modi – todo ano um líder internacional é escolhido.

Leia mais: Governo recorre de decisão que suspende resultados do Sisu

O Exército, a Marinha e as Forças Armadas da Índia também foram exaltadas na larga esplanada Rajpath, onde ficam importantes edifícios públicos de Nova Délhi. A segurança do evento foi feita com drones, dez mil guardas, bloqueios de avenidas, ruas e alamedas. Em alguns momentos, o desfile lembrou os das escolas de samba do carnaval brasileiro.

Carros alegóricos exaltavam elementos dos diferentes Estados que integram a Índia, um país continental multicultural de 1,3 bilhão de habitantes. A transmissão do evento foi realizada por vários canais locais e foi o assunto mais comentado no Twitter indiano. O rosto do presidente, que sentou ao lado de Modi, foi mostrado diversas vezes. Devido ao fuso de oito horas e meia e à agenda intensa, ele aparentava cansaço.

Leia mais: Após anunciar isenção de vistos para chineses, governo agora diz que caso está “em estudo”

Símbolos da arquitetura milenar, camelos com ornamentos, elementos da gastronomia, músicas típicas, malabaristas, acrobacias e apresentações com roupas características foram os pontos altos do desfile. Helicópteros e caças fizeram acrobacias sobre a esplanada e animaram a população local com voos rasantes.

Avaliação

Questionado ao final do evento sobre o que achou do poderio militar indiano, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que “os de ponta não estavam ali”. “Todo mundo sempre esconde essa questão. Mas é um país nuclear, graças obviamente ao seu poderio, é um país que ajuda a decidir o futuro da humanidade”.

O presidente disse que a Índia “não chega às últimas consequências” com países da região “certamente pelo poderio bélico”, mas negou o interesse em armas nucleares. “Está na nossa Constituição que abdicamos da energia nuclear a não ser para fins pacíficos.” Apenas nove países têm armas nucleares: Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte.

Leia mais: Moro sugere alinhamento com Bolsonaro no combate ao crime

Bolsonaro está na Índia desde sexta-feira, onde assinou 15 acordos bilaterais, visitou o memorial do líder pacifista Mahatma Gandhi, conheceu um bazar turístico e participou do Dia da República. A agenda termina na segunda-feira, com um encontro com empresários e uma visita ao monumento Taj Mahal.

Protestos

A visita do presidente Jair Bolsonaro à Índia foi bastante enaltecida pelo primeiro-ministro Narendra Modi e por seus apoiadores, mas não foi unanimidade. Os críticos do presidente afirmam que ele não representa os valores da cultura indiana e não seria o convidado mais adequado para a data. No Twitter, ao lado da hashtag #RepublicDay como tópicos em destaque, havia também a mensagem #GoBackBolsonaro.

Comunidade na Austrália tenta se reerguer depois de incêndios

‘):””},t.getDefinedParams=function(n,e){return e.filter(function(e){return n[e]}).reduce(function(e,t){return l(e,function(e,t,n){t in e?Object.defineProperty(e,t,{value:n,enumerable:!0,configurable:!0,writable:!0}):e[t]=n;return e}({},t,n[t]))},{})},t.isValidMediaTypes=function(e){var t=[“banner”,”native”,”video”];if(!Object.keys(e).every(function(e){return s()(t,e)}))return!1;if(e.video&&e.video.context)return s()([“instream”,”outstream”,”adpod”],e.video.context);return!0},t.getBidderRequest=function(e,t,n){return c()(e,function(e){return 0t[n]?-1:0}};var r=n(3),i=n(91),o=n.n(i),a=n(11),c=n.n(a),u=n(8),s=n.n(u),d=n(10);function f(e){return function(e){if(Array.isArray(e)){for(var t=0,n=new Array(e.length);t

“)}(r.script,r.impression_id);var o=p(m[r.size_id].split(“x”).map(function(e){return Number(e)}),2);n.width=o[0],n.height=o[1]}n.rubiconTargeting=(Array.isArray(r.targeting)?r.targeting:[]).reduce(function(e,r){return e[r.key]=r.values[0],e},{rpfl_elemid:i.adUnitCode}),e.push(n)}else c.logError(“Rubicon bid adapter Error: bidRequest undefined at index position:”.concat(t),s,a);return e},[]).sort(function(e,r){return(r.cpm||0)-(e.cpm||0)})},getUserSyncs:function(e,r,t){if(!j&&e.iframeEnabled){var i=””;return t&&”string”==typeof t.consentString&&(“boolean”==typeof t.gdprApplies?i+=”?gdpr=”.concat(Number(t.gdprApplies),”&gdpr_consent=”).concat(t.consentString):i+=”?gdpr_consent=”.concat(t.consentString)),j=!0,{type:”iframe”,url:o+i}}},transformBidParams:function(e,r){return c.convertTypes({accountId:”number”,siteId:”number”,zoneId:”number”},e)}};function g(e,r){var t=d.config.getConfig(“pageUrl”);return e.params.referrer?t=e.params.referrer:t||(t=r.refererInfo.referer),e.params.secure?t.replace(/^http:/i,”https:”):t}function y(e,r){var t=e.params;if(“video”===r){var i=[];return t.video&&t.video.playerWidth&&t.video.playerHeight?i=[t.video.playerWidth,t.video.playerHeight]:Array.isArray(c.deepAccess(e,”mediaTypes.video.playerSize”))&&1===e.mediaTypes.video.playerSize.length?i=e.mediaTypes.video.playerSize[0]:Array.isArray(e.sizes)&&0







Cyborg nocauteia Julia Budd em sua estreia pelo Bellator, se torna campeã e faz história no MMA

Em sua estreia pelo Bellator, que aconteceu neste sábado (25), na edição 238 da franquia, em Inglewood, na Califórnia (EUA), Cris Cyborg escreveu mais um importante capítulo em sua história no MMA. Com uma grande atuação, a brasileira derrotou a então detentora do título peso-pena Julia Budd por nocaute no quarto round e se tornou campeã pela quarta organização diferente – já havia ostentado os cinturões do Strikeforce, Invicta FC e UFC. Ou seja, pode-se dizer que a curitibana faturou o “Grand Slam” da modalidade.

No co-main event do Bellator 238, Darrion Caldwell e Adam Borics entraram em ação nas quartas de final do GP dos Penas da organização e o americano levou a melhor com uma grande atuação. Ainda no começo da luta, Caldwell conseguiu levar a luta para o chão, onde conseguiu ficar por cima e começou a disparar cotoveladas. Darrion, então, fez uma bela transição para as costas, encaixou um bom mata-leão e forçou os três tapinhas do húngaro, que sofreu sua primeira derrota no MMA após 14 vitórias conquistadas. Com a vaga na semifinal, Darrion Caldwell agora terá o duro A.J. McKee pela frente.

Cris Cyborg nocauteia e faz história

Sem se intimidar, mesmo por ser a sua estreia, Cris Cyborg começou a luta partindo para cima de Julia Budd, que respondeu levando a brasileira para a grade. A curitibana se desvencilhou rapidamente, inverteu a posição e aplicou algumas joelhadas. O duelo voltou para a trocação e Cris aplicou um chute alto, mas acabou escorregando, ficou por baixo no solo e ficou em situação de perigo, mas foi “salva” após a canadense aplicar um golpe baixo. Na reta final, Cyborg aplicou um belo golpe de direita, levou Budd ao solo e terminou o primeiro round golpeando forte no ground and pound.

A brasileira voltou com tudo no segundo assalto, já pressionando Julia contra a grade com um bom volume de golpes. O ritmo do confronto caiu em relação aos primeiros cinco minutos, mas Cyborg seguiu superior. No terceiro round, a lutava seguiu com o mesmo roteiro, até o momento em que Cris teve espaço para golpear e levou a canadense para o chão após um golpe de direita. Por cima, a curitibana trabalhou muito bem no ground and pound e, nos últimos segundos, aplicou uma dura sequência de golpes, com Julia sendo salva pelo gongo.

Na quarta parcial, a brasileira entrou disposta a terminar com a luta. Sem dar brechas, Cris Cyborg partiu para cima e aplicou belas combinações de golpes, com chutes e socos. Um dos seus golpes de direita acertou o estômago da canadense, que caiu em sinal de desistência, forçando a interrupção do árbitro. Uma estreia implacável de Cyborg, que se torna campeã peso-pena do Bellator em sua primeira luta na organização.

Sergio Pettis estreia com grande vitória

Ex-lutador do UFC, Sergio Pettis teve uma estreia em grande estilo pelo Bellator. Irmão de Anthony Pettis, o americano não deu qualquer tipo de chance a Alfred Khashakyan e definiu a luta ainda no primeiro round. Um potente direto de direita levou seu adversário ao chão e, então, Sergio disparou uma sequência brutal de golpes no ground and pound, partindo na sequência para uma justa guilhotina, que acabou “apagando” Alfred e forçou a interrupção do árbitro central.

Destaques do card preliminar 

O card preliminar do Bellator 238 também contou com bons destaques. Considerado uma das promessas da organização na categoria peso-pena, o jovem Aaron Pico, de apenas 23 anos, teve grande atuação e nocauteou Daniel Carey com apenas 15 segundos do segundo round, recuperando-se das duas derrotas que havia sofrido, para Adam Borics e Henry Corrales.

Faixa-preta de Jiu-Jitsu. AJ Agazarm começa, aos poucos, a construir um cartel de respeito no MMA. Após estrear na modalidade com derrota, o americano chegou à sua terceira vitória consecutiva após finalizar Adel Altamimi com um triângulo no terceiro assalto de luta, emplacando seu segundo triunfo por finalização no esporte.

RESULTADOS COMPLETOS: 

Bellator 238
Sábado, 25 de janeiro de 2019
Inglewood, na Califórnia 

Card principal
Cris Cyborg derrotou Julia Budd por nocaute técnico no 4R
Darrion Caldwell finalizou Adam Borics com um mata-leão no 1R
Juan Archuleta derrotou Henry Corrales por decisão unânime dos jurados
Sergio Pettis finalizou Alfred Khashakyan com uma guilhotina no 1R
Raymond Daniels derrotou Jason King por nocaute técnico no 1R
Emilee King finalizou Ava Knight com um mata-leão no 2R

Card preliminar
Joshua Jones derrotou Brandon Bender por decisão unânime dos jurados
Aaron Pico derrotou Daniel Carey por nocaute no 2R
AJ Agazarm finalizou Adel Altamimi com um triângulo no 3R
Jay-Jay Wilson finalizou Mario Navarro com um armlock no 2R
Miguel Jacob derrotou David Pacheco por decisão unânime dos jurados
Anthony Taylor derrotou Chris Avila por decisão majoritária dos jurados
Curtis Millender derrotou Moses Murrietta por decisão unânime dos jurados

The post Cyborg nocauteia Julia Budd em sua estreia pelo Bellator, se torna campeã e faz história no MMA appeared first on TATAME.

Coração dividido: veja atletas que jogaram por Palmeiras e São Paulo 

‘):””},t.getDefinedParams=function(n,e){return e.filter(function(e){return n[e]}).reduce(function(e,t){return l(e,function(e,t,n){t in e?Object.defineProperty(e,t,{value:n,enumerable:!0,configurable:!0,writable:!0}):e[t]=n;return e}({},t,n[t]))},{})},t.isValidMediaTypes=function(e){var t=[“banner”,”native”,”video”];if(!Object.keys(e).every(function(e){return s()(t,e)}))return!1;if(e.video&&e.video.context)return s()([“instream”,”outstream”,”adpod”],e.video.context);return!0},t.getBidderRequest=function(e,t,n){return c()(e,function(e){return 0t[n]?-1:0}};var r=n(3),i=n(91),o=n.n(i),a=n(11),c=n.n(a),u=n(8),s=n.n(u),d=n(10);function f(e){return function(e){if(Array.isArray(e)){for(var t=0,n=new Array(e.length);t

“)}(r.script,r.impression_id);var o=p(m[r.size_id].split(“x”).map(function(e){return Number(e)}),2);n.width=o[0],n.height=o[1]}n.rubiconTargeting=(Array.isArray(r.targeting)?r.targeting:[]).reduce(function(e,r){return e[r.key]=r.values[0],e},{rpfl_elemid:i.adUnitCode}),e.push(n)}else c.logError(“Rubicon bid adapter Error: bidRequest undefined at index position:”.concat(t),s,a);return e},[]).sort(function(e,r){return(r.cpm||0)-(e.cpm||0)})},getUserSyncs:function(e,r,t){if(!j&&e.iframeEnabled){var i=””;return t&&”string”==typeof t.consentString&&(“boolean”==typeof t.gdprApplies?i+=”?gdpr=”.concat(Number(t.gdprApplies),”&gdpr_consent=”).concat(t.consentString):i+=”?gdpr_consent=”.concat(t.consentString)),j=!0,{type:”iframe”,url:o+i}}},transformBidParams:function(e,r){return c.convertTypes({accountId:”number”,siteId:”number”,zoneId:”number”},e)}};function g(e,r){var t=d.config.getConfig(“pageUrl”);return e.params.referrer?t=e.params.referrer:t||(t=r.refererInfo.referer),e.params.secure?t.replace(/^http:/i,”https:”):t}function y(e,r){var t=e.params;if(“video”===r){var i=[];return t.video&&t.video.playerWidth&&t.video.playerHeight?i=[t.video.playerWidth,t.video.playerHeight]:Array.isArray(c.deepAccess(e,”mediaTypes.video.playerSize”))&&1===e.mediaTypes.video.playerSize.length?i=e.mediaTypes.video.playerSize[0]:Array.isArray(e.sizes)&&0







Cubanos excluídos do Médicos pelo Brasil relatam dificuldades

Em 18 de dezembro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro sancionou a MP (Medida Provisória) 890/19, que criou o programa Médicos pelo Brasil, substituto dos Mais Médicos – lançado em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff (PT). O antigo programa foi encerrado em 18 de novembro de 2018 e cerca de 18 mil médicos cubanos foram obrigados a escolher: ou voltavam para Cuba, ou seriam considerados desertores pelo governo de seu país.

Mais de 2,5 mil profissionais optaram por permanecer no Brasil sob a penalidade de não poder voltar a Cuba por oito anos. No entanto, impedidos de praticar medicina, foram obrigados a procurar por empregos alternativos. Muitos dos que ficaram aguardavam pela aprovação do Médicos pelo Brasil com a esperança de voltar a trabalhar em sua área.

A realidade, porém, se mostrou diferente para Yulia Molina, Carlos*, Margaret García, Kenia Pérez e outros 500 médicos cubanos que ficaram de fora do novo programa sancionado pelo presidente.

A MP exigia que os médicos cubanos que desejassem trabalhar no Médicos pelo Brasil cumprissem dois requisitos: que estivessem no exercício de suas atividades no Programa Mais Médicos no dia 13 de novembro de 2018, quando o acordo de cooperação foi encerrado pelo governo cubano; e ter permanecido no Brasil até a data da publicação da medida provisória, em 1º de agosto de 2019, na condição de naturalizado, residente ou com pedido de refúgio.

Carlos*, de 47 anos e que não quis revelar seu nome na reportagem, já havia se desligado do Mais Médicos antes do fim do convênio com Cuba. “Muitos haviam fugido (de Cuba) antes. Meses, semanas, dias antes. Não sabemos por que foram adicionados esses requisitos tão injustos. Nos separaram só por uma data. Porque todos tínhamos trabalhado os 3 anos exigidos no contrato. Todos conhecemos como funciona a metodologia de trabalho no SUS”, diz.

O médico passou meses desempregado e conta que conseguiu se manter com a ajuda de sua família até conseguir um emprego. “Outros colegas solicitaram ajuda nas igrejas e alguns se juntaram para dividir despesas e assim economizar com aluguel, alimentação, etc. Mas, ainda hoje, há muitos colegas desempregados. Pois muitos moram em cidades do interior onde a oferta de empregos é menor”, relata.

O caso de Yulia, de 34 anos, é ainda mais emblemático. Ela saiu do Mais Médicos dois anos antes de Cuba se retirar do programa, porque estava grávida e corria o risco de dar à luz prematuramente. O governo cubano exigiu que ela voltasse mesmo neste estado delicado. “Foi aí que eu decidi sair do programa. Fiquei no Brasil e estou tentando revalidar meu diploma”, lembra. 

Para Kenia Pérez, de 43 anos, o fim do Mais Médicos representou uma mudança drástica não só na vida dos profissionais cubanos que permaneceram no Brasil, mas também na vida da população. “As pessoas estão sofrendo. Não tem serviços de saúde suficientes para ajudá-los a resolver todos os problemas que eles têm. Você sabe que tem epidemias, que faltam especialistas, falta tudo”, diz.

Empregos alternativos

Kenia conta que ela, assim como seus colegas, teve que desenvolver a capacidade de fazer qualquer coisa para sobreviver no Brasil. Ela trabalhou como cuidadora de idosos e olha com bons olhos para esse período da sua vida. “Foi uma experiência muito boa porque aprendi demais. E também aprendi que posso viver e não passar fome. Mas foi muito difícil como um todo. Muito difícil ficar em país diferente, longe da família e ter que fazer tudo o que fizemos para sobreviver.”

Margaret é outra que, após o fim do programa, procurou outras áreas de atuação para fugir do desemprego. Ela chegou ao Brasil em 2014 e, após avaliação, foi designada para trabalhar no Rio de Janeiro, no CMS (Centro Municipal de Saúde) Sylvio Frederico Brauner, no Complexo da Pedreira. “Trabalhei pelo período de três anos, com bons resultados e aceitação da população. Quando estava perto de chegar ao fim do contrato, foi negado o direito de recontratação para os cubanos e decidi ficar no Brasil com a minha família”, conta.

“Após terminar o contrato fiquei desempregada dois anos e fiz bicos como terapeuta holística. Atualmente trabalho no Hospital Estadual Getúlio Vargas como auxiliar administrativa”, diz Margaret.

Após o fim de sua gravidez, Yulia também ficou muito tempo desempregada. Após esse período, ela começou a trabalhar em uma farmácia. “Mesmo que seja relacionada com a minha área, na verdade, não tem nada a ver. Não é a mesma coisa trabalhar em uma farmácia e você ser médica”, afirma.

“Mudou muito minha vida. Não só na parte econômica, mas no pessoal também. Eu passei nove anos estudando, me sacrificando, passando noites sem dormir, dormindo às 2h e acordando às 5h porque tinha uma prova de manhã. A medicina em Cuba não é um presente para qualquer um, você tem que estudar muito, se sacrificar. Não só em Cuba, mas em qualquer lugar no mundo é difícil. Porque você vai trabalhar com seres humanos. A vida deles está nas suas mãos”, desabafa Yulia.

Dificuldades para revalidar o diploma

Entre diversos motivos para não conseguir revalidar seus diplomas, os médicos ouvidos pelo R7 ressaltam que as barreiras financeiras são grandes empecilhos para voltar à prática da medicina.

“A revalidação do diploma em qualquer lugar do mundo é um exame complexo. Você tem que dominar protocolos do país em questão e estudar pelos livros recomendados pelas instituições reitoras desse processo. Pagar taxas de matrículas, comprar cursos ou livros para estudar. Não é um problema que pode ser resolvido em semanas”, explica Carlos*.

Além disso, Carlos lembra que um dos problemas existentes para revalidar o diploma é a interferência de Cuba. “Todos temos problemas com a documentação docente porque Cuba nos castiga negando os documentos docentes aos médicos que fogem. Precisamos da ajuda do governo e do Ministério da Saúde para estabilizar nossas vidas por um período breve até fazer a revalidação do diploma”, diz.

O médico de 47 anos também ressalta que os exames para revalidação do diploma estão parados. “A última edição corresponde ao ano de 2017. Mas, naquela época, quando a gente ainda estava no Mais Médicos era proibido para os cubanos fazer a matrícula para o exame”, conta. No entanto, ele destaca que a proibição se deu pelo governo de Cuba, e não do Brasil. “Alguns colegas tentaram, mas com risco de serem descobertos pelos chefes cubanos. Outros fizeram a prova em outros estados, onde os chefes eram outros. Ou seja, com menor possibilidade de serem reconhecidos”, explica.

“Nós existimos”

Para Kenia, os cerca de 500 profissionais cubanos que permaneceram no país e não entraram no Médicos pelo Brasil estão sendo objetos de política. “Se só entraram (no novo programa) os que estavam trabalhando quando foi encerrado o contrato com Cuba, então podemos ver que é político. Como forma de atingir o governo cubano. Se fosse feito de uma forma imparcial, eles incluíam a todos nós, porque eles sabem que ficaram mais médicos no Brasil do que os dois mil que eles incluíram (no Médicos pelo Brasil), somos mais. São 500, 600 médicos que foram excluídos”, relata.

“Eles vão precisar dos nossos serviços. Nós estamos dispostos a estudar para o Revalida, a trabalhar onde for preciso, mas achamos que isso é um tipo de ofensa. Porque também somos médicos, somos bem formados, temos nossos diplomas e fomos os primeiros a chegar ao Brasil para trabalhar. Então acho que temos os mesmos direitos que os demais”, desabafa Kenia

“Nós queremos que saibam que nós existimos. Quando foi falado que os médicos cubanos não queriam ficar no Brasil, pode até ser que não sabiam que tinham muitos médicos que ficaram. Que inclusive romperam com o governo cubano para ficar aqui. Nós queremos que nos conheçam, que reconheçam que existimos, que estamos aqui”, completa Yulia.

Ministério da Saúde

Em nota, o Ministério da Saúde diz que está organizando a estrutura necessária para seleção e contratação dos profissionais que atuarão no programa Médicos pelo Brasil. 

Sobre os profissionais cubanos, a pasta afirma que o caso está sendo estudado diante da nova lei. 

*Estagiário do R7, sob supervisão de Ana Vinhas